Sob uma das paisagens mais planas do leste da Inglaterra, perfurações revelaram pistas de um sistema vulcânico gigantesco enterrado há centenas de milhões de anos. Cristais de zircão levaram pesquisadores a associar o supervulcão de The Wash a uma possível supererupção de 454 milhões de anos no passado geológico.
Como um supervulcão pode permanecer escondido sob uma planície?
Um supervulcão não precisa manter a forma de um cone visível por centenas de milhões de anos. Erosão, sedimentação e mudanças tectônicas podem apagar a paisagem original, enquanto estruturas antigas permanecem enterradas e só aparecem em dados geofísicos e amostras retiradas do subsolo.
No leste inglês, o chamado complexo ígneo de The Wash está oculto sob sedimentos. Perfurações feitas em pontos separados de Lincolnshire e Norfolk atravessaram rochas vulcânicas antigas, permitindo comparar minerais, idades e assinaturas químicas com depósitos de cinzas encontrados muito longe dali.

O que os cristais de zircão revelaram sobre a idade da erupção?
O British Geological Survey analisou cristais microscópicos de zircão retirados das perfurações. A datação indicou idades próximas de 454,4 milhões de anos, praticamente coincidentes com uma enorme camada de cinzas preservada em partes da Escandinávia e do Báltico.
Essa coincidência temporal ganhou força com a comparação química de outros minerais. Os pesquisadores encontraram assinaturas compatíveis entre as rochas inglesas e a cinza distante, sustentando a hipótese de que o material lançado por erupções em The Wash atravessou um antigo oceano antes de se depositar mais ao norte.
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Que pistas indicam que a erupção pode ter sido gigantesca?
Os dados geofísicos sugerem um sistema amplo de caldeiras enterradas, enquanto as camadas de cinza associadas aparecem distribuídas por uma extensa região europeia. Esse conjunto aponta para erupções ultraplinianas, capazes de lançar enormes volumes de material para a atmosfera e espalhar cinzas por grandes distâncias.
As principais evidências reunidas incluem:
- Idades coincidentes: os zircões ingleses e as cinzas escandinavas têm datas praticamente iguais.
- Química semelhante: minerais das duas regiões apresentam características compatíveis.
- Estrutura enterrada: dados geofísicos indicam um sistema de caldeiras de grande porte sob The Wash.

O que o estudo muda sobre a origem da grande camada de cinzas europeia?
O trabalho arquivado pelo NERC Open Research Archive propõe The Wash como um candidato importante à origem da chamada tefra de Kinnekulle, uma camada de cinzas do Ordoviciano encontrada em várias partes do norte e do leste europeu.
Antes, a fonte exata desse material permanecia incerta. A combinação de datação de alta precisão e química mineral cria uma ligação entre as rochas enterradas na Inglaterra e depósitos muito distantes, oferecendo uma explicação geológica para a dispersão de cinzas em escala continental.
Por que quase nada na paisagem atual denuncia esse passado vulcânico?
Porque 454 milhões de anos são tempo suficiente para continentes mudarem de posição, oceanos desaparecerem e espessas camadas de sedimento cobrirem estruturas antigas. A região atual de The Wash não preserva um vulcão reconhecível na superfície, embora o subsolo guarde restos do sistema magmático.
O achado mostra como a geologia pode reconstruir eventos que perderam quase todas as marcas visíveis. Pequenos cristais retirados de perfurações, combinados com geofísica e depósitos de cinza distantes, permitem reconstituir um episódio vulcânico gigantesco escondido sob uma paisagem que hoje parece completamente tranquila.

