1001 lugares pra se viver: o espetacular Pavilhão do Trono de Mármore, em Teerã, no Irã

Adornado pelo delicado trabalho em azulejos, pinturas, esculturas e incontáveis quebra-cabeças de espelhos. Integra o complexo do Palácio Golestan, em tradução livre, Palácio das Rosas

por Bertha Maakaroun 27/12/2017 12:00
Globustur/Divulgação
A espetacular peça de arte, concluída em 1806 sob as ordens de Fath Ali, (foto: Globustur/Divulgação)

O trono de mármore, símbolo dos poderes sobrenaturais que, acreditava-se, sustentavam as dinastias, reflete-se sobre o longo lago retangular do jardim persa. Elevado à altura de um metro por degraus protegidos por leões e dragões, a plataforma geométrica destinada ao rei, de aproximadamente nove metros quadrados, também se sustenta sobre os ombros de seis anjos e três demônios. A espetacular peça de arte, concluída em 1806 sob as ordens de Fath Ali, o segundo xá da dinastia Cajar (1779-1925), foi esculpida sobre 65 blocos de mármore arrastados de Yazd, região desértica esparramada na Região Central do Irã. O trono está posicionado entre as duas monumentais colunas de mármore, que se elevam a oito metros para sustentar o pavilhão estendido num eixo horizontal, de mosaicos coloridos, onde foram coroados os cinco sucessores seguintes da dinastia Cajar, além de Reza Pahlavi, que reinou de 1925 até ser forçado a abdicar, em 1941, por ingleses e soviéticos.

Este, que é chamado Pavilhão do Trono de Mármore, uma das mais antigas edificações de Teerã, é adornado pelo delicado trabalho em azulejos, pinturas, esculturas e incontáveis quebra-cabeças de espelhos. Integra o complexo do Palácio Golestan, em tradução livre, Palácio das Rosas, encravado no coração do Centro Histórico de Teerã, nas proximidades do vibrante Grande Bazar.


O Palácio Golestan foi erigido ao longo de cinco séculos, acolhendo nesse oásis persa, que mescla fontes e jardins em sua representação do paraíso, as joias da arquitetura tradicional iraniana em sincretismo com as culturas árabes – herança da invasão do século 7 – e europeia do século 18. As fundações desse grandioso complexo de palácios e museus, listado patrimônio mundial pela Unesco, foram lançadas no século 16 pela dinastia Safávida, quando muralhas cercaram a arg (cidadela em persa) – que tinha ao centro um palácio modesto e um salão de audiências, abraçado pelo bosque de árvores. A então pequena cidade de Teerã sediava pela primeira vez uma residência real.


Se, na dinastia de Zand (1749-1779), as muralhas da cidadela ganharam em estatura, no amanhecer da dinastia Cajar, inaugurada por Agha Mohammad Khan, o complexo conquistou nova dimensão, uma vez que, em 1785, a capital do país migrou para Teerã. Além de abrigar a principal residência oficial do rei, também o centro administrativo ali se instalou. Foi, de fato, no século seguinte que o Golestan alcançou o formato que ainda predomina. Impressionado pelos palácios europeus que visitou durante a sua segunda viagem à Europa, em 1872, o xá Nasser al Din Shah (1848-1896) incorporou ao complexo os seus mais impressionantes recintos. Nesse período, mandou construir na corte real o palácio destinado à residência de seu harém, onde, se estima, viveram entre 800 e 1.200 esposas e mulheres aparentadas, assim como trabalhadoras, serventes, empregadas, escravas e eunucos. Esse palácio, que, dizem, rivalizava em esplendor com os chamados Hall Principal e Hall dos Espelhos, construídos entre 1874 e 1877, foi destruído durante a dinastia Pahlevi, que, entre 1925 e 1945 também pôs abaixo grande parte das edificações do complexo, substituindo-as por prédios comerciais modernos.


Se, entre todos, o Edifício do Sol, construído por Nasser entre 1865 e 1867, é aquele que melhor expressa a fusão entre a arquitetura persa e europeia, constituindo, à época, a edificação mais alta de Teerã para que o xá pudesse apreciar panorâmicas da cidade e arredores, o espaço mais apreciado pelos iranianos é aquele que homenageia Karim Khan Zand, fundador da curta dinastia Zand, governante levou o país à paz depois de quatro décadas de guerras, foi patrono das artes, trouxe prosperidade pela modernização e incentivos à agricultura, e nunca aceitou o título de xá  (rei dos reis). Preferiu ser chamado Vakil e-Ra'aayaa, que significa representante do povo.

 

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