1001 LUGARES PRA SE VIVER: vamos embora para Pasárgada?

Cercada por montanhas, a primeira capital do império Persa, construída por Ciro no século 6 a.C., esparrama-se pelo amplo vale de Muhgrab, no Irã

por Bertha Maakaroun 19/12/2017 07:12

Bertha Maakaroun/EM
Túmulo de Ciro, o Grande (foto: Bertha Maakaroun/EM)
 

 

“Ó Homem, quem quer que seja, venha de onde vier, pois eu sei que virá, eu sou Ciro, aquele que fundou o Império Persa. Dessa forma, não tenha rancor e ódio desta pequena terra que encobre o meu corpo”. Em Pasárgada, nada resta dessa inscrição revelada por Plutarco sobre a tumba de Ciro II, da Pérsia, conhecido como Ciro, o Grande.  Sob Ciro (600 a.C. – 530 a.C.), os persas e seus impressionantes qanats – canais de água subterrâneos – se levantaram imortais do pó de extensas regiões desérticas para a história. Em Pasárgada, o verde dos excepcionais jardins de quatro quadrantes foi irrigado de fontes arrastadas por extensos caminhos e afluentes do Rio Pulvar.

Simples em seu traçado geométrico, a tumba de Ciro se ergue, com força, à entrada de Pasárgada, erigida na antiga região conhecida como Pars – ou Fars (pelos árabes) – Centro-Sul daquele que hoje constitui o território do Irã. Dizem os historiadores de Alexandre, da Macedônia, que ela se levantava ao centro de um vasto parque, formado por diversos jardins reais. O premonitório epitáfio se cumpriria dois séculos mais tarde. Com a conquista da Pérsia por Alexandre, depois de incendiada Persépolis, o general Aristobolus de Cassandreia teria descoberto o mausoléu em 324 a.C. Saqueado, dele, que um dia guardara o corpo embalsamado num caixão dourado sobre o trono de ouro, próximo às armas e objetos de valor do grande xá persa, resta apenas a estrutura externa.

Testemunha de um tempo, a tumba é o mais bem preservado monumento de Pasárgada, onde se encontram também as ruínas do Palácio Residencial (Palácio P) e seus relevos com o traçado de espetaculares jardins, além do Hall das Audiências (Palácio S), onde ocorriam as coroações, separados por jardins e uma ponte sobre o Rio Pulvar. Do topo de uma das colinas estão os remanescentes da cidadela Tall-e Nokhodi, edificação mais antiga da cidade, que pode, inclusive, ser anterior ao período de Ciro, conhecida como “trono da colina”.

Filho de reis, Ciro era medo por parte de mãe e persa pelo lado paterno, ambas tribos arianas adversárias, que habitavam a região. Há histórias variadas sobre o seu nascimento e ascendência. A mais curiosa delas se deve a Heródoto, historiador grego, natural difamador dos medos e persas. Segundo ele, o avô de Ciro, Astíages, rei dos Medos, avisado de que a videira que em seus sonhos crescia e se ramificava por toda a Ásia, nas costas de sua filha Mandane, seria Ciro, e não o seu genro, e que a videira seria o império que substituiria o seu. Para evitar isso, teria mandado Hárpago, o seu próximo auxiliar, matar Ciro. Este, contudo, não executou a ordem, entregando-o a um pastor. Quando Astíages descobriu, teria ordenado a morte do filho de Hárpago. Serviu os pratos da ceia e, ao final, para que o convidado soubesse o que comera, apresentou a cabeça do menino. Fato ou não, Ciro se valeu de uma revolta liderada por Hárpago, que destronou Astíages para consolidar a aliança de medos e persas pelos anos subsequentes. Pasárgada teria sido construída no campo onde Astíages teria sido derrotado por Ciro.

Durante seu reinado, Ciro conquistou os impérios da Média, da Lídia e Neobabilônico. Mais tarde, conduziu uma expedição para a Ásia Central, que expandiu ainda mais os territórios sob seu domínio. Diversos autores citam-no por sua magistral diplomacia, pelo tratamento magnânimo reservado aos adversários derrotados e, não por acaso, o Cilindro de Ciro é interpretado como uma das primeiras manifestações de respeito e garantias às religiões e crenças dos povos conquistados.

 

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