Cacau, alimento do corpo e da alma

Cuidado, pois chocolate é maravilhoso, mas não vale ingerir qualquer um, nem a quantidade que quiser

25/01/2023 06:00
Gustavo Safe

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(foto: allybally4b/Pixabay)

Os antigos incas, maias e astecas consideravam o cacau como uma fonte de poder. O nome científico para a semente de cacau é Theobroma cacao, que, literalmente, se traduz como "alimento dos deuses".

Os principais nutrientes existentes no grão de cacau são as gorduras, carboidratos, proteínas, fibras e minerais.

Os grãos de cacau são carregados com antioxidantes, polifenóis, catequinas, bem como importantes minerais e vitaminas numa intensidade maior que o vinho tinto, morango, romã e chá verde combinados.

A teobromina que normalmente é encontrada no fruto do Theobroma cacao é um alcalóide primário que pertence à família das metilxantinas, da qual também fazem parte a teofilina e a cafeína, explicando vários dos seus benefícios.

O cacau é um dos alimentos que mais possui magnésio, um mineral essencial para o funcionamento saudável do coração.

O cacau também está repleto de flavonóides que previnem o aparecimento de coágulos sanguíneos (deixam as plaquetas do sangue menos viscosas), protegendo contra ataques cardíacos e derrames.

Essa proteção ainda se dá pela diminuição do mau colesterol (LDL) e aumento do bom colesterol (HDL).

Além disso, o cacau ajuda na compulsão, freando o desejo por comida, pois ele contém dois nutrientes, teobromina e anandamida, que aceleram o metabolismo e reduzem a comilança emocional.

O cacau também ajuda o corpo a metabolizar o açúcar e reduzir a resistência à insulina. Um pequeno estudo italiano da Universidade de L'Aquilia descobriu que os participantes que consumiram o equivalente a uma barra de chocolate escuro ao longo de 15 dias reduziram a resistência à insulina quase pela metade.

Esse alimento dos deuses ainda contém quantidades significativas de triptofano, um aminoácido essencial que colabora para produção de serotonina e melatonina, dois neurotransmissores que servem como um "escudo de defesa contra o estresse", e desempenham um papel importante na regulação do humor.

Globalmente temos uma melhora da saúde mental (efeito antidepressivo) e do bem estar de um modo geral.

O chocolate, ao ser ingerido, libera a serotonina, endorfina e dopamina, conhecidos como os hormônios da felicidade. Alguns estudos afirmam que o doce é capaz também de aumentar a produção dessas substâncias.

Se estiver querendo usufruir dos benefícios desse delicioso alimento, dê preferência ao chocolate com maior teor de cacau, orgânico, amargo ou escuro.

O fato do chocolate ter um sabor que muitos consideram delicioso faz com que seja uma tentação difícil de resistir, até porque provoca uma sensação de bem-estar quando o comemos.

Ele ainda é considerado afrodisíaco, decorrente dos efeitos estimulantes da teobromina, atuando no hipotálamo e afetando os níveis de serotonina.

Vários estudos ainda mostram benefícios no combate ao câncer de intestino, prevenção de pré eclampsia em mulheres grávidas, controle da asma e melhora da saúde da pele.

Não devemos ignorar que no chocolate existe também gordura, o que não torna esta tentação tão perfeita.

No seu processamento, alguns tipos podem ter leite e gordura hidrogenada, tornando-os verdadeiros vilões para a saúde por aumentar muito seu valor calórico (100 gramas de chocolate equivalem, em média, a 530 calorias).

O consumo diário ideal de chocolate é de até 50 gramas de chocolate preto com mais de 70% de cacau, que é a opção mais saudável, sobretudo se feito a partir dos grãos de cacau torrados.

Uma ingestão diária de 50-100 g de cacau (0,8-1,5 g de teobromina) está relacionada com a sudorese, tremores e fortes dores de cabeça em alguns casos.

O National Institute on Drug Abuse (NIDA) não considera a teobromina uma substância viciante e, segundo a World Anti-Doping Agency (WADA), também não é considerada uma substância dopante.

O consumo excessivo de chocolate deve ser informado ao seu médico ou nutricionista para correta adequação e orientação.

*Gustavo Safe é diretor do grupo formado pelo Centro Avançado em Endometriose e preservação da fertilidade, Ovular fertilidade e menopausa e Instituto Safe. Estudioso dos assuntos relacionados à saúde da mulher com enfoque na ginecologia integral e funcional, no câncer, na dor pélvica, infertilidade, preservação da fertilidade, endometriose, endoscopia ginecológica e cirurgias minimamente invasivas.


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