Doença da Lady Gaga pode acompanhar depressão

Fibromialgia é caracterizada por dor intensa em várias partes do corpo e pode evoluir para quadros psicológicos mais graves

por José Alberto Rodrigues* 11/06/2019 12:56
Jordan Strauss / Invision/ Divulgação
(foto: Jordan Strauss / Invision/ Divulgação)
 
Imagine seu corpo doendo de uma maneira fora do normal, em que até um abraço pode ser como se estivesse sendo golpeado. A fibromialgia é uma síndrome que se manifesta por dor difusa em todo o corpo, com aumento da sensibilidade à compressão de músculos e articulações.  Em uma de suas crises, a cantora Lady Gaga teve de cancelar sua vinda ao Brasil em 2017, no Rock in Rio, no Rio de Janeiro, devido às dores sentidas.  Pelas redes sociais e em seu documentário Gaga: Five Foot Two, produzido pela Netflix, a cantora estadunidense fala mais sobre sua luta contra a fibromialgia, sendo o motivo de cancelamento de vários show. 
 
Além da dor generalizada, a síndrome pode trazer sono não reparador, dificuldade de concentração, dores de cabeça, depressão e ansiedade. De acordo com Ana Flávia Madureira de Pádua Dias, diretora científica da Sociedade Mineira de Reumatologia (SMR), a dor na fibromialgia é provocada por uma amplificação dos impulsos dolorosos, como se houvesse uma desregulação no cérebro do controle dos estímulos dolorosos, por isso é tida como uma doença silenciosa. "Na prática clínica não tem como comprovar que o paciente está sentindo dor. Os exames de sangue e de imagens não alteram na fibromialgia e o diagnóstico é puramente clínico", conta. Os exames solicitados pelo médico são para o diagnóstico diferencial com outras enfermidades que podem se confundir com a fibromialgia.
 
De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), a doença afeta entre 2% e 3% da população, sendo mais comum entre mulheres com 30 a 55 anos, mas existem também casos envolvendo idosos, adolescentes e crianças.
 
A fibromialgia é uma condição médica crônica, significando que dura por muito tempo. "Entretanto, ela não é uma doença progressiva, não leva a deformidades articulares e não é fatal", explica a diretora.  Segundo Ana Flávia, a fibromialgia não deve ser encarada como uma doença que necessita de tratamento, mas sim como uma condição clínica que requer controle.  "Apesar dos tratamentos disponíveis, a melhora depende muito do paciente, cuidar de si mesmo é fundamental na melhora dos sintomas", aconselha.
 
O tratamento mais eficaz na fibromialgia é a atividade física. "Os pacientes se beneficiam mais da atividade física aeróbica regular. Outras terapias alternativas como acupuntura e massagem podem ajudar", afirma. Ela ainda diz que  a psicoterapia cognitiva-comportamental pode auxiliar o paciente a entender como os pensamentos e comportamentos podem afetar a dor e outros sintomas, para enfrentá-los de forma mais eficaz . "Além disso, os antidepressivos e neuromoduladores atuam aumentando a quantidade de neurotransmissores que diminuem a dor, sendo por isso eficazes e utilizados no tratamento da fibromialgia", pontua.
 
Segundo a diretora cientifica, o paciente relata que tudo dói o dia todo. Fazendo com que  a dor crônica leve a alterações do humor, com quadros de ansiedade e depressão associados. "É comum a fibromialgia vir acompanhada de depressão, o que pode levar a uma piora do paciente, com mais dificuldade de reagir aos tratamentos propostos. Mas a fibromialgia também pode levar à piora da depressão devido à sensação constante de dor", destaca.  
 
Para uma melhora, é importante que o paciente tenha uma rotina diária de exercícios físicos e de relaxamento. "Tenha um padrão diário do sono, deitando e levantando sempre em um mesmo horário, faça atividades físicas regulares e tente sempre seguir em frente, em busca de uma melhora em vez de buscar explicações para o que originou sua doença", conclui Ana Flávia. 
 
*Estagiário sob a supervisão da editora Teresa Caram