Mais de 40% das pessoas acima de 60 anos no Brasil já perderam todos os dentes

Especialistas são categóricos: visita regular ao dentista é indispensável para manter a saúde bucal

por Estado de Minas 14/09/2015 15:00

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A idade chega para todos, e, com ela, a preocupação com os problemas relacionados ao coração, sangue, pele, órgãos sexuais, que levam as pessoas a procurar os consultórios médicos. Mas e a saúde bucal? Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2013, apontaram que 41,5% das pessoas acima de 60 anos já perderam todos os seus dentes. “Infelizmente, a população brasileira não tem uma cultura de cuidados odontológicos desde cedo. Achamos que perder os dentes ao longo da vida é algo normal. No entanto, se tivermos os devidos cuidados, há uma grande possibilidade de chegarmos à terceira idade com os dentes na boca”, explica Regina Bregalda, especialista em implantodontia pelo Grupo de Apoio à Pesquisa Odontológica nas Faculdades Unidas do Norte de Minas (Gapo/Funorte). Perder os dentes não caracteriza doença bucal, mas uma consequência delas. Engana-se quem pensa que as cáries são doenças exclusivas da infância. “A cárie dentária persiste como principal problema bucal também na terceira idade”, afirma o doutor em odontologia e especialista em odontogeriatria Marco Túlio de Freitas Ribeiro. A cárie pode ser definida como desequilíbrio do processo de desmineralização dos dentes, com perda de minerais e formação de cavidades dentárias. Inicialmente, quando ainda está em nível do esmalte, a doença é assintomática, mas, a partir do momento que atinge a dentina, pode provocar dor. Os sinais podem surgir com manchas brancas.

Paulinho Miranda / EM / D.A Press
Clique na imagem para ampliá-la e saiba mais (foto: Paulinho Miranda / EM / D.A Press)


O especialista explica que os dentes perdem e ganham mineral todo o tempo e que a saliva tem fundamental importância nesse processo. Sendo assim, alterações na produção do fluxo salivar, condição comum em idosos, estão diretamente relacionadas ao aparecimento da cárie nessa faixa etária. “O ressecamento da mucosa dificulta a autolimpeza dos dentes, aumentado o risco para esse problema”, diz Marco Túlio. Outro problema muito comum na terceira idade é a doença periodontal. As gengivas vermelhas e inchadas são os principais sintomas dessa patologia, causada pelo acúmulo de placa bacteriana ao redor dos dentes. O quadro clínico pode evoluir para halitose, dificuldade para mastigar e até perda da dentição. Essas doenças são determinadas por fatores genéticos, porém, estão também associadas à dificuldade que muitos idosos têm de manter uma boa higiene bucal. O tratamento consiste em limpeza da boca para retirada do fator irritante da gengiva – o tártaro. Em alguns casos, pode ser necessária uma cirurgia para limpar também a raiz do dente. O câncer bucal é frequente entre as pessoas de idade mais avançada. A patologia tem como principais fatores de risco o fumo e o álcool e pode levar à perda de dentes e afetar outras estruturas, como a língua. “As consequências dependem do grau da lesão no momento do diagnóstico, da gravidade do câncer e do tratamento”, explica o odontogeriatra.

CONSEQUÊNCIAS
A falta de dentição pode causar uma mastigação deficitária, levando a uma ingestão inadequada dos alimentos. Essa situação pode levar a um quadro de desnutrição, que fragiliza o sistema imunológico, deixando os idosos mais propensos às doenças infecciosas. “A digestão começa com uma boa mastigação, o que é impossível sem a presença de dentes na boca. O alimento é mal mastigado, mal digerido e os nutrientes não são bem absorvidos pelo organismo”, afirma Regina Bregalda. É nesse contexto que a reabilitação oral se torna tão importante e necessária, principalmente para os idosos. Ela devolve a eles uma dentição saudável, o equilíbrio da mastigação, a possibilidade de voltar a ingerir todo tipo de alimento, a remoção de infecções e até mesmo a estética bucal.

“Em termos de tratamento, o planejamento vai depender da gravidade do problema e condição funcional do idoso. Ou seja, é individual e demanda avaliação também da condição clínico-funcional do idoso”, afirma Marco Túlio. A reabilitação oral pode ser feita de forma completa ou de maneira parcial, menos invasiva, e deve envolver as várias especialidades da odontologia, como endodontia, responsável pelo tratamento de canal; periodontia, com profissionais especializados em gengiva; implantodontia, área que cuida dos implantes; próteses dentárias parciais ou totais e dentística, responsáveis pelas restaurações e estética, envolvendo o uso de facetas laminadas de porcelana, clareamento dental e planejamento do sorriso.

“A prevenção das doenças bucais depende de um adequado controle da placa bacteriana, de baixa frequência de ingestão de carboidratos, do uso de pasta dental fluoretada, além de controle periódico com o dentista”, acrescenta Marco Túlio de Freitas. O especialista ressalta que a manutenção de uma boa saúde bucal depende, entre outros fatores, do acompanhamento periódico de um profissional. A frequência desse acompanhamento depende do risco e da necessidade de cada paciente.

O processo de envelhecimento não ocorre de forma homogênea, pois além dos fatores genéticos, há também influência das condições de vida e hábitos de cada pessoa. Assim, a cavidade bucal sofre alterações durante o envelhecimento que variam de indivíduo para indivíduo. Portanto, não há uma idade definida para se procurar um especialista. “A demanda vai variar segundo as necessidades de cada um. Mas, a partir de 60 anos, seria interessante procurar um especialista uma vez por ano”, completa o odontogeriatra.

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