Disponível em qualquer petshop, erva do gato não é uma droga nem vicia

Entenda por que a substância proporciona prazer aos pets

por Revista do CB 05/09/2015 15:00

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Marcelo Ferreira / CB / D.A Press
Thomas é usuário de catnip com a aprovação da dona, Sílvia Dantas: fim da apatia (foto: Marcelo Ferreira / CB / D.A Press)
Se você tem bichanos, com certeza já ouviu falar em erva de gato ou catnip. Trata-se de uma planta da família das hortelãs que, em felinos, provoca momentos de euforia seguidos de relaxamento. Considerada medicinal, é usada com propósitos terapêuticos para acalmar as mascotes agressivas e estimular as apáticas. A erva é vendida em petshops na forma de folhas desidratadas ou óleos — e, muitas vezes, incrementa brinquedinhos e arranhadores.

Não há contraindicações, porém sabe-se que alguns gatos não reagem ao estímulo. “É uma questão de genética. Não depende da raça ou da faixa etária. Só podemos descobrir testando a planta”, explica Vitor Benigno, médico veterinário especialista em felinos. Cachorros, é bom lembrar, não dão bola para a plantinha, pois não têm os receptores necessários para a experiência. Em contrapartida, onças, tigres e leões apreciam muito.

A erva é indicada para quadros de ansiedade, estresse e certos problemas crônicos. Não há qualquer evidência de que provoque vício. “O gato vai brincar mais, arranhar e interagir em várias situações”, descreve Benigno. As reações quase sempre são parecidas. “Eles se esfregam, se roçam, interagem, ficam agitados e, em seguida, vem o relaxamento”, resume o especialista. Alguns animais podem salivar, mas esse é um efeito colateral bem raro. O catnip também funciona como um ótimo repelente. O cheiro afasta vários insetos, principalmente baratas.

O animal pode consumir a planta quantas vezes quiser — a chance de overdose é praticamente nula. “É um produto muito natural, não vai mudar em nada o organismo do pet. Ajuda na interação: o cheiro estimula e o animal fica mais sociável”, elogia o veterinário. A erva é vendida legalmente no mundo inteiro e pode ser cultivada até mesmo em casa. Do ponto de vista químico, o que a faz tão atraente para os amigos felpudos é a presença de uma substância chamada nepetalactone. “Esse composto orgânico atinge os felinos por meio do odor e provoca a agitação”, completa Leila Sena, médica veterinária.

Thomas, um gatinho sem raça definida de 11 anos, era muito sedentário até conhecer a erva do gato. As mudanças no comportamento foram notáveis”, conta a servidora pública Sílvia Dantas, 48. A dona do animal diz que ampliou a oferta de catnip depois que o bichano foi diagnosticado com diabetes e ficou muito apático. “A idade e a castração também o tornaram muito menos ativo para exercícios. A erva o ajudou a se movimentar mais”, justifica Dantas.

Substâncias perigosas
Agora que sabemos que a erva do gato não é uma droga, precisamos falar um pouco sobre as substâncias que realmente fazem mal. Tabaco, por exemplo. Pets que são fumantes passivos podem apresentar características de dependência química. “Os animais têm as mesmas descargas nos neuroreceptores que os humanos. O bicho associa um cheiro a uma sensação e podem ser tornar viciados”, alerta o veterinário Marco Aurélio Gomes.

Os sintomas desenvolvidos nos animais são os mesmos. Eles podem se sentir agitados ou apresentar qualquer outro efeito característico da droga consumida. Para largar o vício, os bichos sofrem mais que os humanos. “Eles não têm consciência do perigo, do malefício, então sofrem mais nos períodos de abstinência”, explica o especialista.

Proprietários devem evitar fumar perto dos animais de estimação. Todo cuidado também com a acessibilidade das substâncias. A ingestão pode causar sérios problemas digestivos ou, até mesmo, levar à morte. Os malefícios também são iguais: os bichanos podem desenvolver problemas respiratórios, pulmonares e cardíacos.