Com novo disco, Arctic Monkeys tem o desafio de reeducar público para seguir popular

Com influências que vão de Marvin Gaye a Lô Borges, banda britânica adota sonoridade diferente em 'Tranquility base hotel & casino', lançado na última sexta (11)

por Guilherme Augusto* 14/05/2018 09:16

Domino Records/Divulgação
Alex Turner, vocalista e guitarrista do Arctic Monkeys, adotou o piano como principal instrumento no novo álbum. (foto: Domino Records/Divulgação)

“Eu só queria ser um dos Strokes, agora olha a bagunça que você me fez fazer”, canta Alex Turner no primeiro verso da música Star treatment, faixa que abre Tranquility base hotel & casino, o disco que marca o regresso do grupo Arctic Monkeys, seis anos após o último lançamento. A menção ao cultuado The Strokes, de Julian Casablancas, não é meramente irônica.

No final da década de 1990, a banda deu o pontapé inicial para que músicos como Alex pudessem desfrutar de certa notoriedade – ainda que de nicho. Ao longo do novo trabalho, no entanto, desaparece qualquer referência ao clássico indie rock e surgem novos ídolos, que vão de Marvin Gaye a Lô Borges.

O caminho até essa suposta maturidade não foi simples. Com 16 anos de carreira, os Arctic Monkeys passaram de filhos do MySpace – rede social utilizada por músicos para divulgação de seu trabalho no início dos anos 2000 – para maior banda de rock do Reino Unido do século 21. A reputação, portanto, não permite que o grupo se deixe levar por modismos baratos e isso está bastante claro no novo trabalho, que talvez pareça conceitual demais para os fãs que acompanham o grupo desde o seminal What ever people say I am, that’s what I’m not, lançado em 2006.

Tranquility base hotel & casino pode ser divido em duas partes. A primeira começa em Star treatment, segue por One point perspective e termina em American sports, as três faixas iniciais do álbum. A semelhança entre as músicas faz com que elas pareçam uma longa canção de mais de 10 minutos. O limiar para a segunda parte chega na quarta faixa, homônima ao disco, uma das poucas com potencial de tocar no rádio, ao lado de Four out of five e Batphone.

PSICODELIA O disco ainda oferece músicas como The world’s first ever monster truck front flip, faixa com uma sonoridade Beatles durante a época lisérgica, ou Science fiction e sua mescla de piano e guitarra, além de She looks like fun e sua estranha roupagem psicodélica. O disco chega ao fim com a melancólica The ultracheese, que guarda todo o sentimento de nostalgia que o trabalho invoca. Em uma primeira análise, Tranquility base hotel & casino reúne uma sucessão quase descabida de monólogos do vocalista.

As referências não são muito evidentes. Ao listá-las durante uma entrevista para a revista Mojo, Alex Turner destacou Nina Simone, Rolling Stones, Ennio Morricone e Marvin Gaye, além de Lô Borges, um dos fundadores do Clube da Esquina. O mineiro fez a cabeça do jovem britânico com a música Aos barões, do disco homônimo ao artista lançado em 1972 – o popular “Disco do Tênis”. O instrumental da música, que traz um solo de guitarra marcante na parte final, se faz presente no novo álbum do Arctic Monkeys, ainda que de forma discreta.

Apesar de o grupo ainda ter como integrantes Jim Cook (guitarra), Nick O’Malley (baixo) e Matt Helders (bateria), o instrumento principal é o piano tocado por Turner, instrumento que ele ganhou no aniversário de 30 anos, em 2016. O piano deu ao músico a oportunidade de trabalhar as canções de forma mais harmônica, a partir de um novo ângulo, diferente do explorado em qualquer outro trabalho anterior, sobretudo AM (2013), disco responsável por oferecer ao público músicas mais polidas.

O álbum, em si, é uma retomada interessante e, ao mesmo tempo, arriscada para um grupo do tamanho do Arctic Monkeys. Uma reeducação de seu público será necessária, para deleite de Alex Turner, que parece não se importar com a opinião alheia do alto da persona soberba que encarna.

 

Abaixo, confira o clipe de Four out of five

 

 

*Estagiário sob supervisão de Silvana Arantes

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