Família Brant lembra de 'caravana mineira' para acompanhar o festival no Maracanãzinho

"A emoção foi enorme, inesquecível. Todo mundo cantando, comemorando como se fosse o primeiro lugar", lembra Maria Célia

por Ana Clara Brant 01/10/2017 07:30

Museu Clube da Esquina/Divulgação
Fernando Brant e Milton Nascimento durante o Festival Internacional da Canção, no Macanãzinho (foto: Museu Clube da Esquina/Divulgação)

Fernando Brant, amigos e familiares ignoravam que Travessia estava inscrita no 2º Festival Internacional da Canção (FIC), realizado em 1967. Quando os Brant souberam da novidade, não titubearam. "Aqui em casa, todo mundo sempre foi muito unido. A gente tinha que dar um jeito de participar daquilo. Decidimos ir para o Rio de Janeiro", recorda Lucy Brant, uma das quatro irmãs do letrista.


Ela, o irmão Ronaldo e amigos, como o jornalista Paulo Vilara, colunista do Estado de Minas, viajaram de trem para o Rio com o propósito de acompanhar a fase classificatória do FIC. "Sem parentes lá, descobrimos que uma vizinha tinha apartamento em Copacabana. Alugamos. Quando chegamos ao Maracanãzinho, ficamos assustados ao ver aquela multidão de jovens. De repente, Milton aparece, toca e é um sucesso, todo mundo aplaudindo. Foi uma loucura. Travessia estava classificada para a final", relembra Lucy.

 

No domingo, 22 de outubro, dia da finalíssima, a turma estava tomando café, quando de repente ouviu-se uma buzina diante do prédio em Copacabana. Era o restante dos Brant chegando de BH. "Tirando os irmãos mais novos, muito pequenos, todo mundo veio, incluindo meus pais. Quando souberam que Travessia estava na final, não resistiram. Deram um jeito de participar daquele momento", conta Lucy.

 

Arquivo O Cruzeiro
(foto: Arquivo O Cruzeiro)
Nessa turma estava Maria Célia, a primogênita dos Brant. Antes de Fernando e Milton Nascimento seguirem para o Rio, ela fez uma espécie de previsão. Na véspera da viagem, os parceiros estavam na casa da família, em BH. Milton Nascimento pediu um violão emprestado a Maria Célia, pois os dois queriam ensaiar para o festival.

 

"Eles foram para um canto escondido lá de casa. Quando ouvi aquela música, achei tão linda a letra e a melodia que disse: 'Esta música vai ganhar o festival e vocês vão ficar famosos'. Pedi: 'Bituca, assina aqui o meu violão, coloca a data porque ele vai valer muito dinheiro algum dia", relembra Maria Célia. Não deu outra. Travessia não venceu – o primeiro lugar foi para Margarida, do baiano Gutemberg Guarabira –, mas se tornou um clássico.

 

"A emoção foi enorme, inesquecível. Todo mundo cantando, comemorando como se fosse o primeiro lugar. Já tem 50 anos, mas aquele dia ficou na memória como se fosse hoje. A alegria dos dois, a repercussão, a guinada na vida deles... Fomos a um bar em Copacabana, que, por coincidência, chamava-se Mineirão para comemorar. E ali estava cheio de artistas que a gente admirava, uma festa", conta a irmã de Fernando Brant. A festa tinha motivo: além de Travessia ficar em segundo lugar no 2º FIC, Milton Nascimento levou o troféu Galo de Ouro como o melhor intérprete do festival.

 

 

TIMIDEZ

Fernando sempre foi muito organizado. Guardou boa parte de suas letras em arquivos. "Ele escrevia no papel e depois datilografava. Tenho várias agendas que ele usava como rascunho. Foi assim com Travessia também. Fernando escreveu a letra em um papel durante os intervalos do trabalho como escriturário no Juizado de Menores. Depois, passou para a máquina de escrever. Como era a sua primeira música, estava super envergonhado, não queria mostrar pra ninguém. Nem avisou que estava fazendo uma canção. Por isso, nem sabemos onde está a letra original", diz Leise Brant, viúva do compositor.

 

Na casa do casal, no Bairro Cachoeirinha, em BH, Leise guarda uma relíquia: o certificado da conquista. O diploma traz o símbolo do FIC, um galo, e as seguintes palavras: "Fernando Rocha Brant participou do II Festival Internacional da Canção Popular do Rio de Janeiro, tendo contribuído para o alto mérito da música de sua pátria. Outubro de 1967"."O diploma está bem desbotado, já tem 50 anos. Porém, meu sogro colocou no quadro para preservá-lo, porque é um documento histórico", afirma Leise Brant.

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