Em parceria com chefs, companhia aérea leva a alta gastronomia portuguesa para passageiros

Projeto vai levar a bordo refeições sofisticadas que representam as principais regiões de Portugal

por Laura Valente 23/04/2017 08:39
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(foto: Divulgação)

A partir do mês de setembro, seja no voo de ida ou de volta a qualquer destino do planeta atendido pela TAP, tanto na classe econômica quanto na executiva, o passageiro terá acesso à alta gastronomia portuguesa por meio do Taste the Stars. O projeto, fruto de parceria entre o chef consultor da companhia, Vitor Sobral, e cinco colegas da terrinha estrelados pelo Guia Michelin, promete levar a bordo refeições sofisticadas e que representam as principais regiões gastronômicas de Portugal: Alentejo, Algarve, a capital Lisboa, e a vila litorânea e turística Leça da Palmeira. “A base da ideia é termos uma oferta mais diversificada à bordo e, ao mesmo tempo, levar ao mundo mais conhecimento sobre a gastronomia e os cozinheiros portugueses. Assim, convidamos como parceiros chefs representativos de várias regiões de Portugal, que têm influência direta na nossa cultura gastronômica”, detalha Sobral. São eles: José Avilezz, Rui Silvestre, Miguel Laffan, Henrique Sá Pessoa e Rui Paula. Além de assinar o menu, os chefs do projeto farão aulas ao vivo (inclusive surpreendendo a tripulação durante as viagens) e também indicarão à companhia nomes que representam novos talentos da gastronomia portuguesa.

O próprio Vitor, hoje uma referência internacional na área, ajudou pessoalmente na dinâmica do projeto. Nascido no Alentejo, ele tem 30 anos de carreira, é proprietário de restaurantes em seu país e em São Paulo (Tasca, Peixaria e Taberna da Esquina), e autor de nada menos que 23 livros que versam sobre a culinária lusa. “ Nasci em região rica em diversidade culinária, cultural e turística. É a maior de Portugal, conta com litoral e interior e nossa gastronomia é conhecida, sobretudo, pela criatividade e engenho”, descreve. Frente ao apelo de terra próspera para os bons de garfo, ele revela que se decidiu pela carreira bem cedo, quando, ainda menino, em casa, já acompanhava toda a família na cozinha: mãe, avós, tias. Tanto que o chef cita ingredientes muito diversificados, como peixes e frutos do mar (oferta justificada pela dimensão da costa marítima alentejana), carnes mais marcantes, a exemplo de cordeiro, cabrito e do porco -preto montado. Também ervas aromáticas, azeites, conservas de azeitona, queijos, enchidos doces conventuais. “Os pratos regionais mais populares são à base do porco do Montado, conhecido como porco-preto, cabrito e borrego (também do Montado) e caça. No que diz respeito a peixe, os ensopados são as confecções mais habituais e tradicionais, repassadas geração após geração” descreve.


Fã confesso da região de origem e do país natal, Vitor faz questão de frisar que a culinária lusa como um todo é surpreendente e vai muito além do bacalhau e das conservas que o mundo conhece como tradições locais. Consultor da companhia aérea há 15 anos, o chef exalta a diversidade da gastronomia e a qualidade dos produtos como trunfos da terrinha. Pé no chão, acredita ser possível levar essa identidade para o mundo por meio de menus à base de produtos bons e frescos, reforçando o talento dos cozinheiros para executá-los. “A culinária portuguesa é de preparos simples, bem cuidados e em que o produto é sempre o privilegiado. O resultado final, o sabor, é o mais importante”, frisa.

 

Novos sabores

Na parceria com a companhia aérea, cabe ao chef a responsabilidade de formar o catering das saídas de Lisboa. Os menus, conta ele, são criados em conformidade com o departamento de marketing da empresa. Também há cuidados específicos no preparo de receitas servidas a bordo. “A comida é feita de madrugada e finalizada no avião, e sempre evitamos leguminosas inteiras e excesso de gordura”, avisa. Neste tempo de companhia, ele revela que a tripulação elege como preferidos pratos marinhos já criados por ele com protagonismo para polvo, bacalhau, cherne, garoupa e robalo.


Renovar o menu servido nas alturas é uma obrigação comum ao chef, assim como o faz nos restaurantes em solo. “Procuramos surpreender sempre o cliente, ou o passageiro”, brinca. Sobral lembra ainda que não acredita em meio termo na gastronomia. “No que se refere à mesa, só existe benfeito ou malfeito. O segredo é perseguir o bom preparo.” Até por isso, convidaram apenas chefs portugueses reconhecidos pela crítica internacional para compor o projeto Tase the Stars. “Houve vários critérios de seleção, mas, em termos genéricos, consideramos as várias regiões de Portugal e a respectiva influência do profissional na nossa cultura gastronômica”.


O menu que será servido no projeto a partir de setembro ainda é segredo, “queremos provocar um efeito surpresa”, explica o chef. Mas adianta que as receitas devem seguir um tipo de padrão estabelecido em refeições de bordo que incluem salada, prato frio ou sopa, massa, peixes, carnes e, eventualmente, aves. “Para finalizar, temos queijo, fruta e uma sobremesa, habitualmente inspirada na confeitaria conventual portuguesa, em que açúcar, ovos, mel, frutas secas e especiarias são os atores principais”.


E para aguçar ainda mais o apetite do passageiro, o chef avisa: como cozinheiro, julgo que não vale a pena comer se os pratos não tiverem qualidade, em qualquer situação. Porém, a bordo, devido à disponibilidade de tempo que temos, a importância da qualidade da refeição é ainda maior. Por isso, temos o cuidado de servir uma boa refeição acompanhada dos melhores aperitivos, vinhos e digestivos. Temos a consciência de que o nosso passageiro não espera outra coisa senão o melhor”.

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