Cartas de Frida Kahlo revelam seu dilema com aborto

Artista mexicana tem vida detalhada em exposição de cartas íntimas inéditas

por Estado de Minas 11/08/2015 08:17

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RONALDO SCHEMIDT/AFP
Carta de Frida Kahlo é uma das 87 peças em exposição na Cidade do México (foto: RONALDO SCHEMIDT/AFP)
O dilema de fazer um aborto ilegal, seu ciúme incontrolável por um amante e eventuais problemas de dinheiro são alguns dos episódios da vida da artista Frida Kahlo (1907-1954) relatados em uma coleção de cartas íntimas recentemente reveladas no México.

A casa-estúdio de Diego Rivera, o grande muralista e marido de Frida, é o espaço onde foi inaugurada a exposição 'Ecos de tinta e papel – Da intimidade de Frida Kahlo'.

A coleção de 87 objetos, que incluem fotos, cartas e documentos, fala das obsessões da pintora.

“Frida e Diego Rivera eram pessoas como quaisquer outras, com problemas de casal, financeiros e de saúde, e isso é o que mostra a exposição”, diz Cristina Kahlo, curadora da mostra e sobrinha da artista.

“Uma dose de quinino e uma purga de óleo rícino muito forte” são as substâncias que Frida ingeriu para provocar um aborto, quando vivia em Detroit (EUA), mas fracassou na tentativa, conforme conta em uma carta para seu médico e amigo Leo Eloesser.

As inquietações de Frida durante a gravidez se refletem nas longas linhas dessa carta. “Não estou forte, e a gravidez vai me debilitar mais”, diz a seu médico, confessando que não acredita que “Diego esteja muito interessado em tê-lo (o bebê), porque o que mais o preocupa é seu trabalho”.

Em uma carta escrita à mão, Frida pede a seu amigo Leo, que morava em Nova York, que escreva ao médico que a atende em Detroit para explicar seus problemas de saúde. “Como é contra a lei abortar, a não ser que ele (o médico) tenha temor de algo, mais tarde seria impossível fazer essa operação”, diz Frida, que, em uma carta posterior, narra que perdeu o bebê “em um abrir e fechar de olhos”, num aborto espontâneo. “Tinha tanta animação para ter um Dieguito que chorei muito.”

Os suplícios que Frida viveu em 1950, após uma das múltiplas cirurgias na coluna, são descritos em outra carta que ela ditou para sua irmã Matilde. No texto, a pintora revela que não suportava a morfina, o que derruba as versões de que seu vício no remédio foi um dos motivos de sua morte.

A saúde debilitada não impediu Frida de ter amantes, entre eles, seu grande amigo e fotógrafo americano de origem húngara Nickolas Muray, que vivia em Nova York. Em 1939, escreveu para ele de sua casa em Coyoacán, para contar sobre a tristeza que sentiu por seu iminente divórcio de Diego. Na mesma carta, é incapaz de esconder seu ciúme pelo casamento recente de Muray.

“Envie-me por correio a pequena almofada, não quero que ninguém mais a tenha.” E “outro favor: ‘Não’ ‘A’ deixe tocar os indicadores de incêndio nas escadas (você sabe quais). Se puder, e não for muito problema, não vá para Coney Island, especialmente na Half Moon, com ela. Tira minha foto que está na lareira”, pede Frida a seu amado amigo.

Longe da fama que ganhou depois de sua morte, em outra carta dirigida à famosa atriz mexicana Dolores del Río, que naquela época vivia em Los Angeles, Frida pede um empréstimo de 250 dólares, porque seu orgulho a impede de recorrer a Diego, com quem estava chateada.

Frida prometeu que pagaria quando recebesse uma bolsa de estudos que nunca lhe foi concedida. Diego, “indignado” por saber que sua mulher pedia dinheiro emprestado, escreve a Dolores para se desculpar e envia um cheque para o pagamento da dívida. A exposição, inaugurada em julho, ficará aberta ao público até novembro.

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