'Intimidade entre estranhos' fala de amor, depressão e desencontros

No filme dirigido por José Alvarenga Jr., um velho prédio carioca é quase "personagem" desse drama romântico

por Mariana Peixoto 14/12/2018 08:10
Galeria Distribuidora/divulgação
(foto: Galeria Distribuidora/divulgação)


Intimidade entre estranhos (2008) é o terceiro álbum solo de Roberto Frejat. Pois muito antes de a canção-título – parceria do ex-vocalista e guitarrista do Barão Vermelho com Leoni – ser lançada, ela chegou às mãos do cineasta José Alvarenga Jr. De bate-pronto ele criou um argumento e o enviou para os músicos, que fizeram outras canções para o filme que Alvarenga queria rodar a partir da música.

Só que o projeto demorou a sair do papel. Coisa de 11 anos, Alvarenga relembra. Apenas em 2017 ele conseguiu rodar o drama romântico, em cartaz em BH. Intimidade entre estranhos não é só um filme baseado numa letra de música. Vem também da vontade do diretor de fazer um filme pequeno, com equipe restrita e uma locação só.

A arquiteta Maria (Rafaela Mandelli), carioca radicada há muitos anos em São Paulo, retorna a contragosto para a cidade natal, acompanhando o marido, o ator Pedro (Milhem Cortaz). Ele acredita que conseguiu a grande chance de sua carreira: rodar uma minissérie bíblica, produção Brasil-Portugal.

Os casal aluga um apartamento antigo no Rio de Janeiro. A piscina é o principal atrativo – e foi o que despertou o interesse de Maria, que mal sai de casa. Porém, os problemas não tardam a chegar: o vizinho de cima, o adolescente Horácio (Gabriel Contente), é também o síndico. A implicância entre Maria e Horácio é mútua. Mas a solidão acaba unindo os dois.

LEVEZA Depressão, alcoolismo e suicídio permeiam a trajetória dos três personagens. Entre momentos densos, a narrativa ganha leveza graças à música. Há outras canções de Leoni e Frejat (como 50 razões), interpretadas por Contente. A trilha incidental leva a assinatura de Vinicius Cantuária.

Em julho de 2017, o longa foi rodado em 18 dias, em um prédio em Santa Teresa. “Escrevi o roteiro naquele bairro, que foi o berço do Rio e acabou ficando recuado. E me interessa esse Rio de Janeiro recuado”, comenta Alvarenga.

O prédio antigo, que já viveu dias melhores, calhou com o espírito da produção. “Uma locação força você a pensar diferente, pois há história naquelas paredes. Como trabalhamos com uma equipe muito reduzida, sempre no mesmo lugar, isso gerou muita cumplicidade, o espírito de comunidade”, acrescenta.

TESTES Do trio, apenas Milhem Cortaz foi convidado pelo diretor – Rafaela e Gabriel passaram por testes. Tanto histórias do cineasta quanto dos próprios atores inspiraram a narrativa. “O Milhem casava perfeitamente com o que eu queria, pois fez novela bíblica (A terra prometida, da Record), algo muitas vezes incompreendido por uma turma de atores”, continua Alvarenga.

Intimidade entre estranhos é o segundo filme que o diretor de Divã e Os normais lançou neste semestre. O anterior foi Dez segundos para vencer, a cinebiografia do pugilista Éder Jofre.

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