Comédia pop, 'Mulheres alteradas' se distancia de questões levantadas pelo feminismo

Filme brasileiro, que estreia nesta quinta (5) nos cinemas, é uma adaptação da obra da quadrinista argentina Maitena. Alessandra Negrini, Deborah Secco, Maria Casadevall e Monica Iozzi estão no elenco

por Walter Felix 05/07/2018 08:00

Pandora/Paris/Divulgação
Maria Casadevall dá vida a Leandra, uma das protagonistas (foto: Pandora/Paris/Divulgação)
O título Mulheres alteradas pode remeter a um estereótipo frequentemente usado pelo cinema e a TV na representação de personagens femininas. Mas a comédia brasileira, que chega nesta quinta (5) aos cinemas, inspirada nos quadrinhos da cartunista argentina Maitena, passa longe disso. A fim de evitar mal-entendidos, o diretor Luis Pinheiro usa uma frase da autora para abrir o longa: “Mulher alterada não é louca, é uma pessoa que está mudando”. Vividas pelas atrizes Alessandra Negrini, Deborah Secco, Maria Casadevall e Monica Iozzi, as quatro protagonistas enfrentam crises da mulher moderna.

 

Marinati (Alessandra Negrini) é uma dedicada advogada, totalmente avessa a envolvimentos amorosos. Repentinamente, ela se apaixona por Christian (Daniel Boaventura), um tipo boa-vida que a faz perder o prumo no trabalho. Marinati é chefe de Keka (Deborah Secco), mulher infeliz no casamento com Dudu (Sérgio Guizé), que resolve sair de férias com o marido para tentar dar sobrevida à relação.

Em paralelo aos dilemas de Marinati e Keka, as irmãs Leandra (Maria Casadevall) e Sônia (Monica Iozzi) encontram uma na outra as soluções para seus problemas. A primeira acaba de chegar à casa dos 30 anos e está cansada da vida instável, marcada por baladas, bebedeiras e desilusões amorosas. A segunda, esposa e mãe em tempo integral, sonha em fugir da rotina atribulada de cuidar de dois filhos pequenos. Inquietas, elas decidem trocar de papéis por algumas horas: Leandra tomará conta dos sobrinhos, e Sônia terá sua noite fora de série.

PROTAGONISMO O diretor Luís Pinheiro foi convidado pela produtora Andréa Barato Ribeiro por conta de seu trabalho na série Lili, a ex – também com Casadevall no papel principal –, em que levou para a TV fechada os quadrinhos homônimos de Caco Galhardo. Este, por sua vez, é o responsável pelo roteiro de Mulheres alteradas. Dilemas tipicamente femininos ganharam, então, uma ótica masculina.

Pinheiro lembra que, das oito séries que dirigiu para o canal GNT, sete traziam mulheres como protagonistas – entre elas, Julie e os fantamas e a pioneira Mothern. Um de seus mais recentes trabalhos é a direção de episódios da série Samantha!, que estreia nesta semana na Netflix. “Inicialmente, calhou de ser assim, mas, com o passar do tempo, realmente fui desenvolvendo uma predileção por protagonistas mulheres. Hoje, sempre levando essa questão para diretores e roteiristas: em certas histórias, Jack poderia muito bem se chamar Jane. Acho oportuno pensar, na gênese de um projeto, se a personagem principal pode ser uma mulher”, diz.

Fã de Maitena – cujo trabalho chamou a atenção nos anos 1990 e atravessou as fronteiras da Argentina –, Pinheiro entende que seu filme não replica o discurso feminista da obra original. Ele observa que a autora retrata a mulher de duas décadas atrás e, talvez por isso, o filme não acompanhe discussões atuais, como assédio e igualdade de gênero. “Mostramos questões e dúvidas femininas que são atemporais e nunca quisemos levantar essa bandeira (do feminismo)”, afirma. “No fundo, fico orgulhoso com minhas protagonistas femininas. Não sou feminista, mas sou apoiador do movimento. Tenho duas filhas, me esforço para não ser machista e gostaria de construir um mundo melhor para as duas.”

Os problemas de Marinati, Keka, Leandra e Sônia são recorrentes na série de cinco livros que deram origem ao filme. “Tentamos compor esse painel de mulheres em diferentes momentos de mudança em suas vidas. O filme pretende ser leve e criar identificação em diversas faixas etárias. A Alessandra Negrini percebeu uma coisa interessante: ela já foi todas aquelas personagens, passou por todas aquelas fases”, comenta Pinheiro.

Ele destaca a presença das mulheres de sua equipe no processo de produção do longa, citando a idealizadora e produtora Andréa Barata Ribeiro, a diretora de arte Guta Carvalho e a “guru” Lilian Amarantes, que colaborou com o roteiro. “Foram mulheres ativas na criação, que tiveram várias decisões de como retratar o pensamento daquelas personagens. Todo o filme foi feito com essa forte colaboração feminina”, conta.

 

Ariela Bueno/Divulgação
Alessandra Negrini é destaque no elenco de 'Mulheres alteradas' (foto: Ariela Bueno/Divulgação)

 

ESTÉTICA Como deixa claro o diretor, Mulheres alteradas não carrega a bandeira do feminismo e passa ao largo das discussões ressaltadas pelo movimento. Algumas de suas premissas, inclusive, escorregam na superficialidade, como crises que se resolvem com uma noite fora da rotina e outras resoluções pouco criativas dadas às tramas. Contudo, preocupações estéticas dão um tom de originalidade ao longa – principalmente se comparado à produção recente de comédias brasileiras.

Há diversas referências à linguagem dos quadrinhos, que se manifestam, em especial, na workaholic interpretada por Alessandra Negrini. A atriz carrega a interpretação com uma expressividade típica dos personagens de cartuns, enquanto figurino e cores que a cercam são determinados pela fase em que Marinati se encontra. O espectador notará recursos como chifres posicionados na cabeça de Marinati quando ela propõe que seu escritório se torne uma barca viking para vencer um caso, ou ainda as cores néon na parede da boate, que mudam de acordo com os sentimentos da personagem de Maria Casadevall.
 

“Tenho essa postura cinematográfica de transposição dos quadrinhos que vem desde Lili, a ex. É algo presente na técnica, nas lentes usadas e na câmera posta na linha de olhar dos personagens – como em A era do gelo, em que o esquilo persegue a noz e está sempre correndo da câmera ou em direção a ela”, afirma Pinheiro. “A gente se divertiu muito fazendo e acho que isso está impresso no filme. Defino Mulheres alteradas como uma comédia pop, em que quis emprestar um pouco mais de conceito para as comédias nacionais”, completa o diretor.

 

Assista ao trailer de Mulheres alteradas:

 

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