'Uma mulher fantástica' domina os Prêmios Platino de Cinema Ibero-Americano

Com presença reduzida de filmes brasileiros, longa chileno estrelando Daniela Vega aumentou sua lista de premiações

por Pedro Galvão 30/04/2018 08:18
Prêmios Platino/Divulgação
Diretor Sebastián Lelio, Daniela Vega e o produtor Juan de Dios Larraín conquistam mais prêmios com 'Uma mulher fantástica'. (foto: Prêmios Platino/Divulgação)
Playa del Carmen - Realizada na noite do último domingo, 29, no Teatro Gran Tlachco, localizado no parque ecológico-arqueológico do Xcaret, em Playa Del Carmen, na Riviera Maia mexicana, a 5º edição dos Prêmios Platino de Cinema Ibero-Americano foi mais uma exaltação ao longa chileno Uma mulher fantástica. O filme dirigido por Sebastián Lelio levou cinco prêmios, incluindo Melhor Filme, Direção, Roteiro e  Melhor Interpretação Feminina para Daniela Vega.

Centro das atenções do evento desde os primeiros encontros com a imprensa na sexta-feira, 27, Daniela Vega vem dedicando seu êxito “à todas as formas de feminilidade”. Em seu discurso como vencedora do Platino, ela disse: “Parece que se manifestar pelos direitos das mulheres virou uma bela moda, mas vamos deixar claro que essa noite não é uma novidade transitória, essa reivindicação demonstra a maturidade da sociedade e uma grande salto até a liberdade, por ela não consiste só em falar e reivindicar, mas ter opções e esse é nosso reclame: mais liberdade e mais opções para as mulheres”, sendo contundentemente aplaudida pela plateia. 

Primeira mulher transexual a apresentar o Oscar, em março deste ano, Vega se tornou um símbolo da visibilidade e da luta da população trans por direitos. Em entrevista coletiva um dia antes da cerimônia, ela havia dito que “O que estamos fazendo está nas mãos das novas gerações. O que eu fiz está para as novas gerações fazer mais coisas. Há que entregar-lhes ferramentas e expandir essa possibilidade, quanto mais ferramentas, melhor os resultados”.

Ainda em conversa com jornalistas, ela minimizou a repentina escalada ao posto de celebridade mundial, dizendo que a maior mudança em sua vida foi “passar a ter um guarda-roupas mais cheio''. Perguntada se isso é bom, ela respondeu: “Depende, se eu quiser me mudar de casa, vou ter muito trabalho”. Em tom mais sério, ela afirmou que tem recebido muito carinho das pessoas desde então. “Sei que há pessoas para as quais minas existência não é grata, mas me sinto abraçada, sinto muito carinho de todos por onde eu vou, não só da minha família e amigos”, disse a atriz.

Depois da premiação, ela mandou um recado ao público brasileiro:

Itinerante desde a criação dos prêmios, em 2014, a cerimônia foi comandada pelo ator e comediante mexicano Eugenio Derbez. Ele abriu a gala com um monólogo estilo Jimmy Fallon no Oscar, fazendo piadas com a colonização espanhola no México e com as traduções diferentes que os filmes norte-americanos recebem em cada países ibero-americano, entre outras ironias envolvendo os latinos e os EUA. 
 
O primeiro troféu para Uma mulher fantástica foi o de Melhor Roteiro, para Gonzalo Maza e Sebastián Lelio. O diretor também foi premiado. No embalo do sucesso de Uma mulher fantástica, ele acaba de lançar Disobedience. Ele foi escolhido pela norte-americana Rachel Weisz para dirigi-la no romance entre duas mulheres, em que ela contracena com Rachel McAdams

No tapete vermelho dos Platino, Lelio comentou sobre a possibilidade do lançamento trilhar o caminho de reconhecimento de promoção da diversidade, como foi Uma mulher fantástica. “Estreamos com um fim de semana muito bom nos Estados Unidos, mas temos que esperar para saber como será a repercussão, é preciso muita conversação sobre a história para que ela consiga se sair bem”, declarou. 

O argentino Zama, de Lucrecia Martel, que contava com a participação de realizadoras brasileiras também teve destaque com três prêmios. Todos técnicos. Um deles foi Melhor Direção de Arte, entregue à pernambucana Renata Pinheiro. Foi o único troféu para o país. “Fico muito orgulhosa sendo mulher, porque é sempre mais difícil galgar objetivos na nossa carreira cinematográfica. Fico feliz por representar as brasileiras nesse prêmio”, declarou a diretora de arte após a cerimônia. 

Produtora do filme, a mineira Vânia Catani recebeu o prêmio representando o português Rui Poças, vencedor em Melhor Direção de Som. Ela também destacou a importante presença das mulheres no desenvolvimento do filme, que contou também com a montadora brasileira Karen Harley. “Temos que nos fortalecer mais, as mulheres criam oportunidades para outras mulheres. Nesse filme trabalhamos em locações hostis, de difícil acesso, em que há 20 anos teriam chamado uma equipe de homens fortes para ajudar, mas não foi preciso, porque hoje estamos mais fortes”, argumentou Vânia. 

ANIMAÇÕES Com presença tímida do Brasil entre os indicados, havia expectativa pelas animações Lino: Uma aventura de sete vidas, de Rafael Ribas, e Uma história antes de uma história, Wilson Lazaretti. No entanto, quem levou foi a espanhola Tadeo 2: O segredo do Rei Midas. Plínio Profeta concorria a Melhor Trilha Sonora, por O filme da minha vida, mas não teve sucesso, a exemplo de Como nossos pais, de Laís Bodanzky, indicado a Melhor Filme em Educação e Valores.

Além do sucesso de Uma mulher fantástica, o cinema chileno ainda foi premiado na categoria Melhor Interpretação Masculina, vencida por Alfredo Castro, de Los perros. A Espanha teve cinco premiações. Além da animação e dos filmes Verano 1993, em Melhor Obra Prima, Muitos filhos, um macaco e um castelo, melhor documentário, e Handia, em Cinema de Educação e Valores. O ministério do tempo venceu como melhor série televisiva. Da TV também veio o troféu individual a Blanca Suárez, pela atuação em Las Chicas del cable. Nas 17 categorias, apenas produções, atores e atrizes de Chile, Espanha e Argentina foram premiadas.
 
A atriz mexicana Adriana Barraza recebe o prêmio honorário, concedido sempre a um artista por sua trajetória no cinema ibero-americano. Mais conhecida por seu papel em Babel (2006), de Alejandro González Iñarritu,  ela dedicou o prêmio a todos seus alunos e especialmente ao três estudantes de cinema mexicanos que foram assassinados e tiveram seus corpos dissolvidos em ácido sulfúrico, há uma semana em Guadalajara. 

Confira a lista completa de premiados em cada categoria e os vencedores (em negrito):

Melhor Filme Ibero-Americano de Ficção

A cordilheira (Argentina)
Zama (Argentina, Brasil, Portugal, México e Espanha)
Uma mulher fantástica
Últimos dias em Havana (Cuba)
A livraria (Espanha)

Melhor Interpretação Masculina

Javier Gutiérrez - The motive (Espanha)
Javier Bardem - Loving Pablo (Espanha)
Alfredo Castro - Los perros (Chile)
Jorge Martínez - Últimos dias em Havana (Cuba)
Daniel Giménez Cacho - Zama (Espanha)

Melhor Interpretação Feminina

Daniela Vega - Uma mulher fantástica (Chile)
Emma Suárez - Las hijas de abril (Espanha)
Sofía Gala Castiglione - Alanis (Argentina)
Maribel Verdú - Abracadabra (Espanha) 
Antonia Zegers - Los perros (Chile)

Melhor Direção 

Álex de la Iglesia - Perfeitos desconhecidos (Espanha)
Isabel Coixet - A livraria (Espanha)
Fernando Pérez - Últimos dias em Havana (Cuba)
Sebastián Lelio - Uma mulher fantástica (Chile)
Lucrecia Martel - Zama (Argentina)

Melhor Animação

Lino - Uma aventura de sete vidas (Brasil)
El libro de Lila (Colômbia)
Deep (Espanha)
História antes de uma história (Brasil)
As aventuras de Tadeo 2: O segredo do Rei Midas (Espanha)

Melhor Documentário

O pacto de Adriana (Chile)
Muitos filhos, um macaco e um castelo (Espanha)
Dancing Beethoven  (Espanha)
Los niños (Chile)
Exercícios de memória (Paraguai e Argentina)

Melhor roteiro

Carla Simón, por Verano 1993
Fernando Pérez e Abel Rodríguez, por Últimos dias em Havana
Isabel Coixet ,por A livraria
Lucrecia Martel, por Zama
Sebastián Lelio e Gonzalo Maza, por Uma mulher fantástica

Cinema em Educação e Valores

Como nossos pais (Brasil)
Handia (Espanha)
La mujer del animal 
Mala junta 
Uma mulher fantástica 

Melhor Série ou Minissérie de TV

El Maestro (Argentina)
O ministério do tempo (Espanha)
Un gallo para esculapio (Argentina)
Velvet colección  (Espanha)
Las chicas del cable (España)

Melhor Obra Prima

El Techo, de Patricia Ramos. Mar y Cielo S.A.; Patricia Ramos  (Nicarágua, Cuba).
La defensa del dragón(Colombia)
La Llamada(España)
La novia del desierto (Argentina, Chile)
Mala junta. (Chile).  
Verano 1993 (España)

Melhor Montagem

Ana Plaff, Didac Palao; por Verano 1993
Etienne Boussac, por La mujer del animal
Miguel Schverdfinger, Karen Harley; por Zama
Rodolfo Barros, por Últimos dias em Havana
Soledad Salfate, por Uma mulher fantástica

Melhor direção de arte

Estefanía Larraín, por Uma mulher fantástica
Mikel Serrano, por Handia
Mónica Bernuy, por Verano 1993
Renata Pinheiro, por Zama
Sebastián Orgambide, Micaela Saiegh; por A cordilheira

Melhor Direção de Fotografia

Benjamín Echazarreta, por Uma mulher fantástica
Javier Juliá, por A cordilheira
Raúl Pérez Ureta, por Últimos dias em Havana
Rui Poças, por Zama
Santiago Racaj, pro Verano 1993

Melhor Direção de Som

Aitor Berenguer, Gabriel Gutiérrez, Nicolás De Poulpiquet; por Verónica
Guido Berenblum, por Zama
Sergio Bürmann, David Rodríguez, Nicolás De Poulpiquet; por El Bar
Sheyla Pool, por Últimos dias em Havana
Tina Laschke, por Uma mulher fantástica

Melhor Canção Original

Alberto Iglesias, por A cordilheira (Argentina)
Alfonso de Vilallonga, por A livraria (Espanha)
Derlis A. González, por Los buscadores (Paraguai)
Juan Antonio Leyva, Magda Rosa Galbán, por El Techo (Cuba)
Plínio Profeta, por O filme da minha vida. (Brasil)

Melhor Interpretação Feminina em Série de TV

Aura Garrido, por O ministério do tempo
Blanca Suárez, Las chicas del cable (Espanha)
Giannina Fruttero, por Ramona.
Kate Del Castillo, por Ingobernable
Marta Hazas, por Velvet Colección

Melhor Interpretação Masculina em Série de TV

Asier Etxeandia, por Velvet colección
Júlio Andrade, por Um contra todos
Julio Chávez, por El maestro (Argentina)
Luis Brandoni, por Un gallo para esculapio
Peter Lanzani, por Un gallo para esculapio
 
*O repórter viajou a convite da organização do Prêmio Platino

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