Cinema nacional teve recorde de lançamentos em 2017, mas bilheteria despencou

Apenas quatro filmes brasileiros tiveram mais de 1 milhão de espectadores no último ano



PÁPRICA FOTOGRAFIA/DIVULGAÇÃO
PÁPRICA FOTOGRAFIA/DIVULGAÇÃO (foto: PÁPRICA FOTOGRAFIA/DIVULGAÇÃO)
A produção bateu recorde, mas a arrecadação deixou a desejar.  O Informe de Salas de Exibição de 2017, publicado nesta semana pela Ancine (Agência Nacional do Cinema), mostra o número de lançamentos do cinema brasileiro na contramão da bilheteria gerada por eles. Com 158 filmes lançados, 11,3% a mais que em 2016, 2017 teve o recorde de estreias nacionais registrado desde 1995. Por outro lado, pela primeira vez nos últimos oito anos, o público em geral nas salas do país caiu em relação ao ano anterior. O desinteresse pelas produções locais é o principal fator.

A frequência a filmes nacionais despencou 42,8% de 2016 para 2017, depois de três anos de crescimento. Ao todo, 17,4 milhões de espectadores assistiram a títulos brasileiros nos cinemas, gerando uma renda total de R$ 241,4 milhões. A fatia do Brasil foi de apenas 8,9% em relação aos estrangeiros no total de bilheteria arrecadada no ano. Entre os 20 filmes mais vistos no país em 2017, apenas um é brasileiro: Minha mãe é uma peça 2, com 5,2 milhões de espectadores e uma bilheteria de R$ 73,7 milhões. Vale lembrar que a comédia estrelada por Paulo Gustavo foi lançada no final de 2016.

Também assusta o dado que, dos 223 filmes nacionais exibidos em 2017 – 158 lançados no ano passado e o restante em 2016 –, apenas quatro títulos superaram a marca de 1 milhão de espectadores. A lista inclui Polícia Federal: A lei é para todos (1,3 milhão), Os parças (1,3 milhão) e o infantil Detetives do prédio azul (1,2 milhão). Depois desses, o melhor resultado foi de Fala sério, mãe, que levou pouco mais de 940 mil pessoas aos cinemas. Foi a primeira vez desde 2010 que menos de cinco produções locais superaram a marca do milhão de espectadores. Em 2016, assim como em 2015, foram sete filmes brasileiros vistos por mais de 1 milhão de pessoas. Entre os estrangeiros, foram 39 em 2017.

A bilheteria foi dominada pelas franquias hollywoodianas, como Velozes e furiosos 8, maior arrecadação do ano, com R$ 133 milhões, e segundo maior público, atrás apenas da animação Meu malvado favorito 3, que levou 8,9 milhões de pessoas, entre adultos e crianças, aos cinemas. A lista de blockbusters poderosos durante o ano, que teve ainda Liga da Justiça, Mulher Maravilha e Thor: Ragnarok entre os 10 mais assistidos, impulsionou o cinema norte-americano, cujo público cresceu 6,4% em relação ao ano anterior. Contudo, a derrocada dos filmes nacionais resultou na queda geral de 1,7 % no público, mesmo com crescimento de 1,8% no número de salas de exibição no Brasil.

O informe divulgado pela Ancine também mostra a produção cinematográfica brasileira muito centralizada no eixo Rio-São Paulo, com 65 e 55 lançamentos cada um, respectivamente. Os dois estados somam 75% do total nacional. Em terceiro está o Rio Grande do Sul, com nove; seguido de Pernambuco, com sete filmes lançados em 2017. Minas Gerais aparece apenas em oitavo lugar, com dois. Todas essas estatísticas consideram apenas a movimentação do cinema comercial – salas de exibição com funcionamento regular, com programação composta de longas-metragens, tecnologia de projeção digital e/ou 35mm, cobrança de ingresso e sessões de caráter público.

 

O relatório completo pode ser visto aqui.

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