Globo de Ouro: tapete vermelho deve se vestir de preto em protesto contra abusadores

Em meio a onda de denúncias de abuso em Hollywood, iniciativa de atrizes e produtoras pede que todas vistam negro na cerimônia

por Mariana Peixoto 07/01/2018 08:00
Mark Ralston, Robyn Beck, Angela Weiss, Valery Hache, Valerie Macon/ AFP
Reese Witherspoon, Emma Stone, Jessica Chanstain, Eva Langoria, Kerry Washington e Natalie Portman: convocação (foto: Mark Ralston, Robyn Beck, Angela Weiss, Valery Hache, Valerie Macon/ AFP)

De uma maneira geral, é o desfile das estrelas pelo tapete vermelho o que primeiro desperta o interesse do público que assiste pela TV às premiações de Hollywood. Quem é ligado ao cinema costuma ficar até tarde, por vezes assistindo a uma cerimônia morosa, para ver, ao vivo, o placar final de prêmios. Mas, para boa parte da plateia leiga, o que chama a atenção é quem vestiu o quê.

Pois a partir desta noite, quando o Globo de Ouro abrir a temporada 2018 de prêmios da indústria cinematográfica americana, haverá uma certeza, a despeito da lista de vencedores: o tapete vermelho será negro como nunca. Como parte da reação às denúncias de assédio e abuso sexual praticados por produtores e diretores de Hollywood, um grupo de aproximadamente 300 mulheres – entre atrizes, produtoras, diretoras, advogadas – pediu que todas usassem preto em forma de protesto na cerimônia desta noite.

O pedido é uma das iniciativas do movimento que recebeu o nome Time’s Up e inclui um fundo para financiar ações judiciais de profissionais com baixa remuneração que venham a ser vítimas de assédio. Entre as autoras da iniciativa estão as atrizes Reese Whiterspoon, Eva Longoria, America Ferrera, Natalie Portman, Rashida Jones, Emma Stone e Kerry Washington. Desde outubro, quando se tornaram públicas as acusações de assédio sexual e estupro contra o produtor Harvey Weinstein (na casa das dezenas, incluindo superestrelas como Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow e Salma Hayek), as comportas das denúncias de abuso em Hollywood foram abertas.

Outros nomes, mais famosos e menos poderosos que Weinstein, entraram na lista dos acusados: o astro Kevin Spacey, o diretor Brett Ratner, o comediante Louis C.K., o produtor musical Russell Simmons, o autor Geoffrey Rush (indicado ao Globo de Ouro), entre outros.

O escândalo já varreu carreiras, sobretudo a de Spacey. Banido da série House of cards, da Netflix, ele foi ainda cortado do filme Todo o dinheiro do mundo, de Ridley Scott. Com três indicações ao Globo de Ouro, o longa, que conta a história do sequestro do neto do bilionário John Paul Getty em 1973, pode dar um prêmio de ator coadjuvante ao veterano Christopher Plummer. Com o filme pronto, Scott decidiu refilmar todas as cenas de Spacey com Plummer em seu lugar – a manobra para manter vivas as chances de prêmio do longa custou US$ 10 milhões.

ADESÃO MASCULINA O negro anunciado no vestuário feminino ganhou, nos últimos dias, adeptos do sexo masculino. A stylist Ilaria Urbinati, que cuida da imagem de atores como Dwayne “The Rock” Johnson e Tom Hiddleston, confirmou que seus clientes vestirão exclusivamente preto nesta noite, unindo-se ao protesto das atrizes.

Diante de tudo isto, este domingo promete. Mesmo que os olhos estejam abertos para o tapete vermelho e os ouvidos atentos aos discursos, a importância da premiação é a mesma. Prêmio concedido pelos correspondentes estrangeiros de Hollywood, o Globo de Ouro ainda é conhecido por ser a cerimônia mais descontraída da temporada do Oscar – as estatuetas neste ano serão entregues em 4 de março.

A maior parte dos filmes indicados aos troféus nesta noite ainda não chegou ao circuito comercial brasileiro. Entre os longas, A forma da água, fantasia do mexicano Guillermo del Toro ambientada na Guerra Fria, é o campeão de indicações – sete. O drama Três anúncios para um crime, de Martin McDonagh, vem a seguir, com seis indicações.

Steven Spielberg empalcou The Post – A guerra secreta, que tem entre os protagonistas os campeões de audiência (e prêmios) Tom Hanks e Meryl Streep, em cinco categorias. O Brasil está presente por meio de um diretor e um produtor. Carlos Saldanha assina O touro Ferdinando, indicado a melhor animação e canção original. E o produtor Rodrigo Teixeira, da RT Features, viu o longa Me chame pelo seu nome obter três indicações, incluindo a de melhor filme em drama.

Já entre as produções de TV, a HBO e a Netflix dominam. Capitaneada por Big little lies (grande vencedora do Emmy) e Game of thrones, a HBO conseguiu entrar em 12 categorias. A Netflix atingiu nove indicações, graças a Stranger things e The crown.

Todas essas séries são muito populares no Brasil. Mas é bom ficar de olho em produções inéditas no país, que concorrem por fora e podem ser premiadas nesta noite. A principal delas é The handmaid’s tale, do Hulu (plataforma de streaming, tal qual a Netflix), que se deu bem no Emmy, o “Oscar da televisão”. A atração, que o Paramount Channel vai exibir no Brasil nos próximos meses, concorre em três categorias do Globo de Ouro. É protagonizada por Elizabeth Moss, que também interpreta a principal personagem de Top of the lake – China girl e está no elenco de The square – A arte da discórdia, concorrente sueco a melhor filme estrangeiro. Com produção australiana, Top of the lake – China girl disputa a categoria filme para TV ou série limitada e chegou ao Brasil este mês pela plataforma Crackle.

MAIS PRÊMIOS
Depois do Globo de Ouro, haverá outros prêmios, também em janeiro, dedicados ao cinema. No dia 11 será a vez da 23ª edição do Critics’ Choice Movie Awards. E no dia 21 haverá a 24ª edição do Screen Actors Guild Awards. As duas premiações serão transmitidas pela TNT. Já o anúncio dos indicados ao Oscar será no dia 23 de janeiro.

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