Filme e série sobre abusos sexuais são os grandes vencedores do Globo de Ouro 2018

Cerimônia teve várias manifestações políticas, inclusive no vestuário. Maioria dos convidados vestiu-se de preto, em protesto contra o assédio em Hollywood

por Cecília Emiliana 08/01/2018 07:41
AFP
Oprah Winfrey fez um longo discurso contra o abuso sexual na indústria do cinema (foto: AFP)

A minissérie Big Little Lies e o fime Três anúncios para um crime foram os principais vencedores da  75ª edição do Globo de Ouro. Ambos tratam do assunto que deu o tom de toda a premiação: abusos sexuais.

Realizada neste domingo (7) em Los Angeles, a cerimônia apresentada pelo comediante Seth Meyers foi permeada de diversas manifestações políticas. A primeira, já no tapete de vermelho, onde quase todas as estrelas apareceram de preto.  O “luto” foi estabelecido pelo movimento Time's Up (o tempo acabou) e Me too (eu também), como resposta à chuva de denúncias de assédio que pipocaram em Hollywood em 2017.

Contundentes, os discursos proferidos pelos artistas premiados também tocaram nessa ferida aberta da indústria cinematográfica. A fala da atriz e apresentadora Oprah Winfrey foi uma das mais ovacionadas. Laureada com o com o troféu honorário Cecil B Demille, Oprah fez questão de saudar o movimento #MeToo (EuTambém), que rapidamente ganhou força após as primeiras denúncias contra o antes poderoso produtor Harvey Weinstein. Homenageou ainda Recy Taylor, uma afroamericana que ousou denunciar, no mês passado, pouco antes de completar 98 anos, o estupro coletivo de que foi vítima em 1944 por parte de homens brancos. Citou, por fim, o fato de ser a primeira mulher negra a levar o prêmio que recebia na ocasião.  

“Quero que todas as meninas que estão nos assistindo agora saibam que há um novo dia no horizonte.  E quando finalmente esse dia nascer, será por causa de muitas das mulheres magníficas - muitas das quais estão aqui nesta sala esta noite - e alguns homens especialmente fenomenais, que lutam duro para assegurar que elas se tornem as líderes que nos conduzam a um tempo em que ninguém nunca mais tenha que dizer 'eu também' de novo”, disse Winfrey.

Cinema

Durante a festa foram entregues no total 25 prêmios, 14 para o cinema e 11 para a televisão. Contrariando o favoritismo de A forma da Água, Três anúncios para um crime levou três estatuetas além da de melhor filme: melhor atriz dramática (Frances McDormand), melhor roteiro e melhor ator coadjuvante (Sam Rockwell). O enredo traz o drama de uma mãe que,  inconformada com a ineficácia da polícia em encontrar o culpado pelo assassinato brutal de sua filha (Frances McDormand), decide chamar atenção para o caso afixando mensagens apavorantes em outodoors da cidade.  

História de amor entre uma zeladora e um homem-anfíblio, A forma da àgua levou a metade das honras do concorrente: melhor trilha sonora e melhor diretor para Guillermo Del Toro.
Criticado pela indicação de apenas cinco mulheres para competir na categoria de 'melhor diretor' em toda a sua história, o Globo de Ouro parece ter tentado se redimir na cerimônia. Deu à Lady Bird: É hora de voar, dirigido por Greta Gerwig, o prêmio de melhor comédia ou musical. O longa arrematou também a estatueta de melhor atriz de comédia para Saoirse Ronan. É ela quem interpreta Christine Lady Bird, jovem protagonista da trama com com inclinações para as artes e para trapalhadas.

A láurea de melhor animação ficou para Viva: A vida é uma festa, da Disney/Pixar, desenho inspirado no feriado mexicano do Dia dos Mortos.

Ainda na seara das telonas, destaque para Allison Janney que ganhou a estatueta de melhor atriz coadjuvante por  Eu, Tonya; Gary Oldman, vencedor da categoria melhor ator por sua interpretação de Winston Churchill em "O Destino de uma Nação", e James Franco, que venceu como ator de comédia por O Artista do Desastre.  

TV

Papa-troféus de premiações de outrora, a Netflix, que concorreu neste Globo de Ouro com nove produções, desta vez, ficou na lanterna. Levou apenas uma estatueta - a de melhor ator de comédia - para Aziz Ansari, criador e protagonista da série Master of none. A série acompanha a vida pessoal e profissional de Dev (Aziz Ansari), um ator de 30 anos de Nova York.

Indicada em 12 categorias, a HBO foi a grande vencedora da noite. Papou quatro  prêmios no total. Dois foram para The Handmaid’s Tale (melhor série e melhor atriz em série dramática para Elizabeth Moss). O seriado mergulha num futuro distópico, em que criados passam por situações extremas de violência. Os outros dois, para para Big little lies (melhor minissérie e melhor atriz em minissérie ou filme para TV para Nikole Kidman). A obra destrincha a intimidade de um grupo de mães, cujas vidas são permeadas por contextos de assédio sexual, violência doméstica e bullying.
 
(COM AGÊNCIAS)

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