'Tabu', de Miguel Gomes, ganha destaque internacional

Filme português está entre os melhores de 2013, segundo revista francesa

por Walter Sebastião 28/01/2014 07:00

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GERARD JULIEN/DIVULGAÇÃO
Atriz portuguesa Tereza Madruga, do filme 'Tabu', diz que Pilar é umpapel difícil, que não leva a prêmios (foto: GERARD JULIEN/DIVULGAÇÃO)
“O cinema é um velhinho de 100 anos que já fez tudo. Mas vendo 'Tabu' temos a sensação de que o diretor reinventa o cinema. É tudo muito original”, afirma o ator Ivo Muller, o único brasileiro no filme. Ele se refere à produção dirigida pelo português Miguel Gomes, que desde o lançamento, em 2012, rendeu muita conversa, prêmios e elogios. Esteve na lista dos 10 melhores de 2013 da revista francesa Cahiers du cinéma, uma entre importantes publicações que consagraram a produção. E apontaram o diretor como um dos mais brilhantes em atividade.

Pilar (Teresa Madruga), recém-aposentada e dedicada a causas sociais depois da morte da vizinha Aurora (Laura Soveral), descobre história de amor e crime da falecida, ocorrida na África. Junto com Santa (Isabel Cardoso), ela faz de tudo para atender misterioso pedido de Aurora. Trama contada em duas partes, uma colorida outra em preto e branco, misturando gêneros, tempos, memórias e a história de Portugal. Que ganhou o prêmio da crítica no Festival de Berlim 2012, e é o terceiro longa de Miguel Gomes, já respeitado por 'Aquele querido mês de agosto' e 'A cara que mereces'.

“Forte, no filme, é a maneira como Miguel Gomes conta a história entrelaçando a primeira e a segunda partes com cenas ou frases de uma que só são percebidas na outra, e vice-versa”, elogia a atriz portuguesa Teresa Madruga em entrevista respondida ao Estado de Minas. “O trabalho de som é excelente e há exploração da cor e da luz, no preto e branco, que não se repara”, acrescenta, contando sobre os casacos de cores diferentes para mostrar o escurecimento físico e psicológico de Pilar. Ivo Muller, por sua vez, elogia a beleza das imagens, a estrutura lúdica que faz a fantasia ser parte da história.

“Quando li o roteiro, achei difícil fazer uma personagem tão neutra, uma anti-heroína tão low profile. São as ações dos outros que a fazem agir, um pouco sonâmbula, viciada em cinema como se fosse segunda vida. E olhando cada pessoa como se fosse um filme a se desenrolar à sua frente”, conta Teresa Madruga. “Conseguir fazer uma Pilar com o mínimo de movimentos, mínimo de variações na voz e no olhar de quem está vendo cinema foi um desafio que gostei muito. Foi aceitar um papel que não conduz a prêmios”, observa com ironia.

Teresa Madruga tem 60 anos, nasceu na ilha do Fail, Açores. Começou a atuar no teatro, em 1976, tendo recebido vários prêmios desde então. Atua, ainda, em televisão e cinema, fazendo longas e curtas, e já atuou em comissão de seleção e premiação de filmes. Trabalhou com inúmeros diretores portugueses, veteranos ou jovens, como Manoel de Oliveira, António Pedro Vasconcelos, João César Monteiro, João Pedro Rodrigues, Fernando Vendrell e João Botelho, entre outros. Já foi indicada para o British Academy Awards e ao prêmio César do Cinema Francês.

Duas perguntas para...
Teresa Madruga
atriz


O que já se sabe sobre o cinema português e o que merece mais atenção?
Há vários realizadores e filmes de mais idade, que, pela sua originalidade e não subjugação ao comercial, tornaram visível e conhecido o cinema português. Manuel de Oliveira é um deles. Convém ficar muito atento aos novos. E já são muitos, o que é surpreendente neste país de governantes medíocres determinados a assassinar qualquer tipo de arte. Eles trazem surpresas e muito conhecimento do ofício. Miguel Gomes é um deles.

A senhora gosta mais de cinema do que de teatro?

Fui para a escola de teatro porque era viciada em cinema. Foi o cinema que me levou a ser atriz. Sei que fiz muito mais coisas interessantes em teatro do que em cinema. Dou sempre a mesma importância aos trabalhos, sejam grandes ou pequenos papéis, e misturo vários meios porque ajuda a descobrir coisas novas. Gosto de ser atriz, de sempre oferecer o que acho que sei, mas ainda estou apreendendo também. Cada novo realizar traz sempre uma surpresa.

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