Críticos de cinema que viraram diretores avaliam papel dos dois lados na Mostra de Tiradentes

Obra de especialistas que passaram a dirigir filmes reflete inquietações sobre os caminhos da linguagem cinematográfica; Tiradentes abre espaço para analistas dedicados à criação

por Carolina Braga 25/01/2013 10:38

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Beto Magalhães/EM/D.A Press
O crítico mineiro Leonardo Amaral já filmou seis curtas e dois longas-metragens (foto: Beto Magalhães/EM/D.A Press)
Considerada por muita gente a “criticolândia” dos festivais de cinema, a mostra de Tiradentes atrai tanto profissionais que se dedicam a escrever sobre filmes quanto seus colegas que, de vez em quando, assumem o comando da câmera. Às vezes, eles próprios não conseguem identificar muito bem o que veio primeiro: criticar ou filmar. Independentemente da ordem das coisas, profissionais que migraram da análise para a criação têm em comum o olhar, no mínimo, diferenciado.

“A escrita foi uma forma de me manifestar diante de filmes que tanto me diziam e também de encontrar maneiras de expressar aquilo que o cinema me inspirava. A partir disso veio o fazer”, conta o mineiro Leonardo Amaral, de 29 anos. Com seis curtas lançados, dois longas prontos e outros dois em produção, ele é um dos críticos-cineastas que marcam presença na edição deste ano do festival de Tiradentes. Dirigido em parceria com Samuel Marotta, Semana santa estreou na mostra Sui Generis, dedicada a filmes que propõem a discussão sobre os limites de gênero.

“Quando você começa a viver tanto tempo ao lado de realizadores e a trocar ideias, naturalmente vai tendo as próprias, caso seja alguém que pense sobre linguagem. Curiosamente, as pessoas sempre me perguntavam quando iria lançar algo”, diz o crítico pernambucano Luiz Joaquim, que mantém o site Cinema Escrito e colabora com jornais. Em 2008, ele estreou na dupla carreira com o curta Eiffel, sucedido pela animação O homem dela e por um novo projeto, que já está em andamento. “Há uma inquietação para ver até onde a linguagem o permite inventar”, diz.

Para o crítico carioca Eduardo Valente – com um longa e três curtas-metragens no currículo –, não é possível apontar uma característica que diferencie os trabalhos assinados por ele e seus colegas. “Até porque críticos têm gosto, vontades e interesses muito diferentes. Isso se reflete em seus filmes. Acho que há um pouco mais de reflexão sobre o processo nesses trabalhos”, comenta.

Curador de vários festivais no Brasil, Francisco César Filho não tem dúvida: a atividade de pensar cinema influencia a realização de filmes. “Curadoria me obriga a conhecer muito sobre a produção recente. Sendo assim, acabo absorvendo os trabalhos que mais me estimulam”, conclui o diretor de Augustas e Futuro do pretérito – Tropicalismo now.


>> PROGRAMAÇÃO

Sexta-feira, 25

>> 10h às 13h30 – Seminário Encontro com a crítica, diretor e público. Centro Cultural Yves Alves
>> 14h30 – Mostrinha. Filmes: 'Garota explosiva', 'O fim do filme', 'Charizard', 'Surf surf' e 'Fim'. Cine Tenda
>> 14h30 – Seminário Fora de centro. Centro Cultural Yves Alves
>> 16h30 – Mostra Panorama. Filmes: 'O membro decaído', 'Algumas mortes', 'Labirinto', 'Boi fantasma' e 'Versão francesa'. Cine Tenda
>> 18h – Mostra Aurora. Filmes: 'Flutuantes' e 'Linz – Quando todos os acidentes acontecem'. Cine Tenda
>> 21h – Filme: 'Em busca de um lugar comum'. Cine Praça
>> 22h – Mostra Autorias. Filme: 'Jards'. Cine Tenda

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