Bloco Chama o Síndico faz desfile com protestos em primeira vez no carnaval oficial

Com o tema a incrível história de um país tropical, o bloco não poupa críticas, deixando claro seu recado contra o atual momento político e social brasileiro

por Flávia Ayer 03/03/2019 13:40
Ver galeria . 59 Fotos Foliões do bloco Chama o SíndicoGladyston Rodrigues/D.A. Press
Foliões do bloco Chama o Síndico (foto: Gladyston Rodrigues/D.A. Press )

O saudoso Tim Maia marcou a música brasileira com um vozeirão explosivo nas canções e na crítica. E, inspirado na personalidade de seu ídolo, o bloco Chama o Síndico abriu o verbo e estreou na programação do carnaval de BH com desfile potente musicalmente e bastante engajado. O Síndico, que há oito anos saía na quarta-feira anterior aos dias oficiais de folia, narrou na manhã deste domingo “a incrível história de um país tropical” para um público de cerca de 10 mil pessoas, de acordo com estimativa da Belotur.

Sem receio de se manifestar politicamente, mesmo com a recomendação da Polícia Militar (PM) aos blocos de evitar esse tipo de comportamento, o grupo deu seu recado contra o governo de Jair Bolsonaro (PSL) e a favor das minorias: mulheres, negros, LGBT's, pessoas com deficiência. Nada foi por acaso na apresentação do bloco, que cobriu o trio elétrico com frases de protesto e promoveu homenagem às vítimas da tragédia de Brumadinho, em que rompimento da barragem da Vale matou 186 pessoas e ainda tem 122 desaparecidos.

Durante o desfile, dançarinos e acrobatas, com bambolês e pernas de pau, circulavam com as placas que defendiam causas múltiplas. Alertavam que "a cada 20 minutos morre um jovem negro", ensinavam que "depois do não, tudo é assédio", pediam o fim do feminicídio e criticavam a o projeto Escola sem Partido, que afirma haver a chamada “doutrinação ideológica” na educação.

O bloco também cobra responsabilização da Vale pelo rompimento da Barragem em Brumadinho ("Brumadinho: não foi acidente" e "Somos mineiros, não somos minério". E convidou foliões a gritar “Fora Vale”. A placa Rua Marielle Franco homenageou a vereadora fluminense morta em março do ano passado. O crime segue sem solução. Em uma das placas, a pergunta era "Cadê o Queiroz?", em referência ao esquema de laranja no qual o filho de Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PSL), está sendo investigado. As músicas de Tim Maia e Jorge Ben Jor também foram fio condutor das críticas.

O vocalista do Chama o Síndico, Matheus Rocha, aproveitou o momento para repudiar o episódio que aconteceu na sexta-feira, no bloco Tchanzinho Zona Norte, em que a PM repreendeu manifestações políticas. “Ditadura nunca mais”, disse. Ele ainda chamou o público a gritar “Ele Não”, em oposição ao atual presidente Jair Bolsonaro (PSL). Não houve qualquer repressão da PM por causa do episódio. Houve foliões que fizeram sinais em repúdio à postura do bloco e os integrantes aproveitaram pra dizer que o bloco era de “paz e amor” e que atitudes violentas não seriam toleradas.



Com a música "Os Alquimistas estão chegando", o Sindicato Inclusivo, formada por cerca de 50 pessoas com deficiência, rendeu momento de arrepiar. "Isso aqui é tudo pra mim", disse Lunara Fernandes, de 24 anos, que toca caixa e tem Síndrome de Down. Trata-se de uma parceria com o projeto Superar, da prefeitura de BH.

Foram várias as mudanças no desfile deste ano. A tradicional bateria, que costumava reunir centenas de foliões, não saiu desta vez. A ala de dança foi mantida e eles carregaram uma série de bandeiras, com ídolos do bloco. Estampados nos estandartes, havia o rosto de Elza Soares, Chico Mendes, Dandara, Zumbi dos Palmares, Paulo Freire, entre outros nomes.

A banda Chama o Síndico tocou completa em cima do trio elétrico e contou com participações especiais de diversos músicos da cena musical belo-horizontina e brasileira, como BNegão, ex-integrante da banda Planet Hemp, Djonga, um dos maiores nomes da cena do rap, o compositor e ator , Sérgio Pererê; a cantora e compositora, Julia Tizumba, a cantoraTamara Franklin, além de Azzula Rafael Ventura, e Bella La Pierre, do The Pulso in Chamas.

SOLAR A decisão de sair no domingo pela manhã conferiu uma energia, literalmente, solar ao Síndico, que desfilou em clima de paz e amor. "Como era na quarta, nunca ia. Eu estou adorando. É um cheio agradável", afirma a auxiliar financeira Maria Aparecida Antunes, de 40. Mas nem sempre é possível agradar a todos. O administrador Luís Fernando, de 24, é frequentador assíduo do Síndico e torce para o retorno ao dia e horário antigos. "Era uma tradição. Não ficou ruim, mas aqui ficou longe e domingo já tem muito bloco", diz.

No resumo do espetáculo, parece que a mudança veio para ficar. “Estamos saindo muito felizes. Nos últimos desfiles, havia uma onda de violência grande e está sendo lindo ver famílias aqui. A gente queria uma onda solar, em homenagem à Santa Clara”, comenta a produtora do Síndico, Renata Chamilet.



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