Em BH, MAX discute novos modelos de negócio no setor audiovisual

Realizado no Sebrae, evento reúne produtoras, canais de TV, plataformas de streaming e distribuidoras mais importantes do país. Netflix aposta no potencial do Brasil

Mariana Peixoto 28/11/2019 06:00
Rafael Morse/divulgação
Sintonia, lançada em agosto, é um dos exemplos do potencial das séries brasileiras (foto: Rafael Morse/divulgação)

Com foco maior na rodada de negócios, tem início nesta quinta-feira (28) a Max – Minas Gerais Audiovisual Expo, a maior iniciativa regional do gênero no país. Com sua quarta edição concentrada no Sebrae, o evento vai promover apresentações de projetos, palestras e mesas-redondas.

A crise institucional da área da cultura, que vem afetando principalmente a produção de cinema, estará na pauta de discussões. “Temos um fórum de políticas públicas dentro do evento, essa discussão estará na pauta. A programação sempre busca novos rumos, pensar em modelos de negócios para tornar o mercado cada vez mais sustentável. Estamos falando de uma indústria, não apenas de um setor”, afirma Lucas Soussumi, curador da Max.
Participam do evento produtoras, canais de TV, plataformas de streaming e distribuidoras. Entre as empresas confirmadas estão Amazon, AXN, Canal Futura, Mais Globosat, O2 Play, Vitrine Filmes, Netflix e Globo, entre outras. Nesta edição, a Max passa a ter programação mais enxuta. Por outro lado, a rodada de negócios cresceu 10,96% em relação a 2018. Serão apresentadas 200 propostas de documentários, 188 de ficção e 88 de animação.

Bravi/divulgação
(foto: Bravi/divulgação)


DEBATES

Com o credenciamento para apresentação de propostas já encerrado, a Max abre as portas ao público que quiser assistir aos debates. A programação terá início nesta quinta, às 9h45, com a Netflix – a convidada é Maria Ângela de Jesus, diretora de Conteúdo da plataforma de streaming para o Brasil. De acordo com ela, 2019 foi um ano importante para a produção nacional, solidificada dentro da plataforma.

“Séries como Samantha!, Sintonia e O escolhido deixaram claro que o Brasil está produzindo muito. Isso cria uma relação muito forte com o nosso assinante, que hoje entra na Netflix para assistir a uma série espanhola, americana ou brasileira. Ou seja, a produção nacional está no mesmo patamar das séries globais.”

Há dois caminhos básicos para que um produto (série ou longa, de ficção ou documentário) chegue à Netflix: a parceria com a própria plataforma (o chamado projeto original) ou licenciamento. “Produtores independentes vieram até nós para criar projetos originais, caso de Coisa mais linda, por exemplo. Tanto recebemos propostas como sugerimos o tema, como ocorreu com Irmandade (feita em parceria com a O2)”, ela conta.

Já o licenciamento – caso da comédia romântica Cinderela pop, estrelada por Maisa Silva – ocorre para produtos prontos, que encontram na Netflix a segunda janela de exibição. “Muitas vezes, esse conteúdo ganha visibilidade maior do que quando foi exibido em seu player original. La casa de papel estreou na TV aberta espanhola e nada aconteceu. Quando foi para a Netflix, gerou um interesse inigualável”, comenta. A plataforma passou a produzir a atração a partir da segunda temporada.

Para 2020, além da segunda temporada de produções que estrearam este ano, a plataforma também confirma os inéditos Reality Z – série sobre um reality show com zumbis, com Sabrina Sato no elenco – e os longas Ricos de amor (comédia romântica com Danilo Mesquita, Giovanna Lancellotti e Ernani Moraes) e Modo avião (do mesmo gênero, com Larissa Manoela e Erasmo Carlos).

TRILHA

Ainda nesta quinta, às 16h45, o debate “Trilha sonora: o tom da narrativa” vai reunir os compositores Marion Lemonnier e Mateus Alves. Esse último, pernambucano, assinou com o irmão Tomaz a trilha original de Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles.

Mateus criou a trilha de seis longas e sete curtas, todos do pernambucano. “No caso de Bacurau, a trilha teve um caráter mais incidental, você quase não a percebe direito. Era isso que o filme demandava. Já Brasil S/A (2014), de Marcelo Pedroso, mais experimental, não tinha nem diálogo. Então, a música teve um papel mais importante”, comenta Mateus.

Com licenciatura em música, ele fez mestrado em composição em Londres. Só compõe trilhas instrumentais. “Para fazer trilha, primeiro você tem que ser cinéfilo. Deve ter a noção histórica de como a música é usada no cinema – da época das orquestras ao desenvolvimento da música eletrônica. Há cursos específicos que puxam para esse lado, mas, basicamente, acho que o compositor tem de ver muitos filmes”, diz Mateus.

O pernambucano lançou, no início deste ano, o álbum Música para cinema, compilação das trilhas que assinou. Agora, algumas de suas músicas estarão no LP de Bacurau – até então, a música do filme só havia sido lançada em formato digital.

MAX
Quinta (28) e sexta (29), a partir das 9h. Sebrae – Avenida Barão Homem de Melo, 329, Nova Granada. Inscrições gratuitas podem ser feitas no local. Informações: www.minasgeraisaudiovisualexpo.com.br


Agenda

»  Quinta (28) 
9h. Auditório do Sebrae. Concerto da Orquestra de Câmara Sesiminas. Regência: maestro Marco Antônio Drumond. Trilhas de cinema

»  Quinta (28) e sexta (29)
9h30 e 14h30. Auditório do Sebrae. Exibição do filme O menino no espelho, de Guilherme Fiúza

»  Até 13 de dezembro
Foyer do Sebrae. Exposição Imagem, memória, técnica audiovisual. Por meio de equipamentos, aborda a evolução tecnológica do cinema

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