Consultor de investimentos independente: o que ele faz, quem paga e por que a categoria cresce 20% ao ano

Diferente do assessor, que é pago pela corretora, o consultor é pago pelo cliente e não pode receber comissão. O Brasil já tem 2.433 deles, e o número cresce rápido. Entenda o que muda na prática

Consultor de investimentos independente é o profissional que orienta o cliente sobre onde investir e é pago só por ele. Não recebe comissão de banco, corretora ou gestora, e a regulação proíbe que receba de terceiros qualquer valor que comprometa sua independência. É a atividade descrita na Resolução CVM 19: orientação, recomendação e aconselhamento independente e individualizado sobre investimentos.

Na prática, o consultor olha a carteira do cliente, recomenda alocação e acompanha, cobrando geralmente um percentual anual sobre o patrimônio. Se um fundo tem taxa menor do que outro, esse profissional não tem motivo para preferir o mais caro. Esse é o modelo da VAROS, consultoria de investimentos autorizada pela CVM que atende investidores de alta renda.

A atividade do assessor de investimentos é diferente. Regulado pela Resolução CVM 178, ele é preposto de uma corretora ou banco e distribui os produtos dessas instituições, sendo remunerado por elas.

Um mesmo profissional não pode ser assessor e consultor ao mesmo tempo. Desde novembro de 2024, pela Resolução CVM 179, o cliente do assessor recebe um extrato trimestral mostrando quanto a corretora ganhou com as operações dele.

“O crescimento é uma reação à mudança na transparência da cobrança. Quando o investidor passa a entender como o modelo comissionado funciona e que a assessoria não é de graça, a comparação favorece o modelo das consultorias, que são mais alinhadas ao objetivo do cliente”, afirma Leandro Siqueira, sócio-fundador da VAROS.

A categoria cresce rápido: o Brasil chegou a 2.433 consultores pessoa física em julho de 2026, com o estoque subindo entre 22% e 27% ao ano desde 2023, segundo levantamento nos cadastros públicos da CVM. Foram 663 novos registros em 2025, recorde, e as consultorias pessoa jurídica mais que dobraram em cinco anos, de 261 para 593, conforme dados da Mont Capital divulgados pelo NeoFeed. Ainda assim, há 11 assessores para cada consultor.

“A disputa real é pela faixa entre R$ 300 mil e R$ 30 milhões. Abaixo disso, o fee pesa mais do que o custo embutido; acima, a família costuma montar estrutura própria. É nessa faixa intermediária que o investidor já tem patrimônio suficiente para a estrutura de incentivo do profissional fazer diferença no resultado, e é onde tanto o cliente quanto a consultoria saem ganhando”, diz Siqueira.

Nem todo consultor é igual. O registro na CVM não exige análise própria e parte das novas casas trabalha com relatórios de terceiros.

“Para quem está escolhendo, são três perguntas: se existe conflito de interesse desse profissional, como ele é remunerado e quem está mais alinhado aos meus objetivos. As respostas separam os modelos melhor do que qualquer apresentação”, afirma o sócio-fundador da VAROS.

Antes de contratar, o caminho é simples: perguntar quem paga o profissional e quem faz a análise por trás da recomendação.