Você fez a enxertia, acompanhou a brotação e comemorou o pegamento. Meses depois, a planta começa a definhar sem motivo aparente. A fita de enxerto ficou esquecida no galho. Ela não se decompõe e, conforme o tronco engrossa, a fita aperta o caule como um cinto. O fluxo de seiva fica bloqueado, e a planta morre aos poucos.
Por que a fita de enxerto precisa ser removida?
A fita de enxertia tem a função de manter o enxerto firmemente unido ao porta-enxerto até que a união se consolide. Ela também impede a entrada de água e protege a região contra o ressecamento. Assim que a cicatrização acontece, a fita perde a utilidade e se torna um problema.
O caule da planta cresce em diâmetro a cada ano. A fita, que não se expande no mesmo ritmo, passa a exercer pressão sobre o tecido. Esse aperto contínuo comprime os vasos do floema, os canais que transportam a seiva elaborada das folhas para o resto da planta. O resultado é o estrangulamento.

O que acontece quando a fita aperta o caule?
O bloqueio do floema impede que os açúcares produzidos pela fotossíntese cheguem às raízes. Sem alimento, o sistema radicular enfraquece e para de absorver água e nutrientes. A parte aérea da planta também sofre, porque a seiva bruta não circula adequadamente.
Os três estágios do estrangulamento são:
Quais sinais mostram que a fita está estrangulando?
O problema é fácil de identificar quando você olha para o ponto da enxertia. A fita estará visivelmente apertada contra o caule, formando um sulco. A casca ao redor pode estar inchada acima da fita e fina abaixo dela.
Os principais indícios de estrangulamento são:
- Sulco visível ao redor do caule, no ponto da enxertia.
- Fita que parece “enterrada” na casca.
- Caule mais grosso acima da fita do que abaixo dela.
- Folhas amareladas ou murchas sem causa aparente.
- Crescimento reduzido em comparação com outras plantas.
Qual é o tempo certo para remover a fita?
O prazo varia conforme o método de enxertia e a espécie. A regra geral é retirar a fita assim que a união estiver cicatrizada e a brotação estiver desenvolvida.
Os prazos recomendados pela pesquisa são:
- Borbulhia: remoção da fita cerca de 30 dias após a enxertia.
- Garfagem: remoção entre 90 e 120 dias após a enxertia.
- Regra prática: retire a fita quando perceber que ela começa a estrangular a brotação.
- Fitas elásticas: podem ser cortadas ou removidas quando a união estiver firme.

Quando a fita já está incorporada ao caule, o que fazer?
Se a fita já está apertada e o caule cresceu ao redor dela, não tente arrancar de uma vez. Isso pode ferir gravemente a casca e abrir caminho para doenças. A tabela abaixo orienta a decisão:
| Situação | Sinal observado | Ação recomendada |
|---|---|---|
| Fita começando a apertar Sulco leve no caule | Crescimento ainda normal | Cortar e remover a fita |
| Fita incorporada Casca crescendo ao redor | Sulco profundo visível | Fazer corte longitudinal e afrouxar |
| Estrangulamento grave Planta definhando | Folhas amarelas e queda | Remover com cuidado e tratar o ferimento |
Como evitar o esquecimento da fita de enxerto?
A enxertia exige acompanhamento. Anote a data da operação e o prazo de remoção da fita. Uma fita esquecida pode condenar uma planta que levou meses para pegar.
O floema é o tecido que a fita comprime. Quando ele é bloqueado, a planta inteira sofre. A remoção no tempo certo é um dos cuidados mais simples e mais importantes da enxertia. Uma fita a menos no galho é uma planta a mais crescendo saudável.

