Larguei tudo e fui ser feliz: veja histórias

Coragem ou loucura? Num mundo de ritmo alucinante, com a vida sendo atropelada, muitas pessoas dão um basta e decidem mudar de rotina, de cidade, de trabalho e seguir uma nova rota, muitas vezes sem plano algum

por Lilian Monteiro 23/10/2016 09:40

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O ser humano é indissociável. E só será completo quando encontrar a sabedoria de viver em harmonia com todas as áreas que o formam: a pessoal, a profissional, a financeira, a espiritual, a familiar, a intelectual, a do relacionamento social e amoroso, a da diversão e tantas outras. Um grande erro é priorizar uma delas ou duas em detrimento das outras, correndo o risco da saturação, do descontentamento, da insatisfação e da acomodação num determinado momento da vida. É esse desequilíbrio que provoca e move tantas pessoas a decidir, num belo dia, chutar o balde, jogar tudo para o alto, bater a porta sem olhar para trás e, simplesmente, mudar! Buscar novos caminhos.

Ao abrir mão do que lhe é caro, sempre sustentando por inúmeras desculpas ou mesmo fatos (ainda que momentâneos), muitas pessoas adiam projetos, desejos, quereres e, fatalmente, mais cedo ou mais tarde serão cobradas pelo universo a tomar uma decisão: ou correm o risco e mudam ou permanecem no mesmo lugar e lidam com a infelicidade e com as inquietações. Seja em que área for, a terapeuta e coach Hilda Medeiros explica que se a pessoa “abre mão de muitos valores primordiais, virá o questionamento. Por consequência, se as concessões foram em demasia, esse indivíduo pode concluir que não valeu a pena. É nesse momento que um profissional considerado bem-sucedido pode abrir mão de tudo para resgatar o elo perdido. Reencontrar a vida que deixou para trás”.

“Penso que o ideal seja crescer profissionalmente na mesma medida do progresso pessoal. Sem abrir mão de outros valores tão fundamentais para nossa existência. Para isso, é fundamental que haja reflexão constante para que seja possível fluir em vez de congelarmos na repetição do mesmo”, observa.

A terapeuta lembra que “o ser humano, por aprendizado milenar, busca o constante movimento. Isso era a garantia de vida de nossos ancestrais. Como herança, queremos a novidade, o frescor, a alegria de viver e poder dizer com orgulho: 'Sei por que acordo todos os dias'. Para manter esse frescor é preciso confiar, inovar constantemente, abrir mão do que não serve mais e, ao mesmo, tempo preservar o que é precioso. Talvez sejam esses os motivos que fazem com que admiremos os corajosos que desapegam do conhecido e conseguem dizer 'larguei tudo e hoje sou feliz'.

SALTO Não pensem que é fácil tomar essa decisão. E não estamos dizendo que, se está triste, desiludido, inconformado com o casamento, com o trabalho, com o namorado, com a cidade onde vive, com a profissão, que é para sair por aí chutando o pau da barraca. Muitas vezes, essa atitude é romantizada, mas é preciso saber que há riscos e o fundamental é estar preparado para encará-los. E, principalmente, saber que não existem garantias nessa vida. Nada é para sempre, tudo pode mudar a qualquer momento. E é isso aí.

Por outro lado, quem escolhe mudar sempre ganhará em aprendizado. Há quem mude a rota sem turbulências, de maneira leve, e há quem sofra e encare obstáculos. Mas todos garantem que o passo dado foi válido porque significa autoconhecimento, tomar as rédeas da própria vida.

Hoje, o Bem Viver conta histórias inspiradoras de um casamento que se desfez e teve uma reviravolta, e de uma carreira que ficou no passado e foi conduzida de outra forma. Psicólogos e terapeutas ajudam a entender como é dar esse salto sem volta, planejado ou no escuro, já que depois do pulo você não será o mesmo de antes.

Davi Teixeira de Melo/Divulgação
Aline Caldas, com os cachorros Chicó e Balu, abriu mão de um casamento de 20 anos, largou o emprego e se redescobriu. Segundo ela, não foi fácil, mas libertador e fundamental para retomar a relação com o marido (foto: Davi Teixeira de Melo/Divulgação)

Garantia de aprendizado
O autoconhecimento é o principal instrumento para tomar as decisões que provocam reviravoltas na vida. Essa descoberta não é fácil, é individual e está nas mãos de cada um

Faz parte da essência humana, ou mesmo de um ideal de liberdade, o desejo de mudança em algum momento da vida. A sensação de quebrar as amarras que colecionamos ao longo dos anos seduz muitas pessoas, que, para ser felizes, decidem largar tudo e recomeçar. É a famosa decisão de virar o leme em direção contrária e mudar o rumo. Aline Caldas, de 48 anos, conta que “chutou o balde” num momento em que enxergava essa atitude como a única opção para sair de uma situação desconfortável e sufocadora. “Desisti de um casamento de mais de 20 anos e saí da empresa do meu marido, onde trabalhávamos juntos há 10 anos. Não estava satisfeita com o relacionamento, passava pela crise dos 40 anos e o trabalho não me preenchia.”

A decisão de largar tudo não foi fácil, ainda que a vida de Aline tenha dado uma reviravolta a partir das suas escolhas. “Esse tipo de mudança, tirar um ano sabático, mudar de profissão, ir rodar o mundo, enfim, é muito romantizada, mas na realidade ela é dolorosa. Às vezes, uma mudança radical pode prejudicar mais do que favorecer. Tomei minha decisão, mudei de carreira, fiz curso de coach, entrei para a terapia e percebi que para fazer qualquer mudança temos de saber o quanto estamos frustrados com nós mesmos e com o outro. Nossa tendência é jogar a culpa nos outros e nas coisas, no chefe, no marido, no mosquito. No entanto, nós temos culpa no cartório.”

Euler Júnior/EM/D.A Press
Mathilde Pinto Freitas, psicóloga e terapeuta da Tip Clínica, em BH (foto: Euler Júnior/EM/D.A Press)
Aline revela que sua experiência teve um final feliz. “Pedi a separação, saí da empresa e depois de oito meses retomamos a relação em outros termos. Mas foi sofrido. Esse mês, fizemos 27 anos de casados e, como minha mãe diz, estamos em um outro casamento, com novas bases. Jogamos fora nossas máscaras, nos aceitamos como somos.” Formada em processos gerenciais e atuando na área administrativa, financeira e tributária, hoje Aline é facilitadora de vida pessoal, atua contribuindo com a evolução do ser humano. A parceria no trabalho não foi retomada. “Mas para chegar até aqui fiz uma viagem de autoconhecimento e descobri que o problema não estava nas circunstâncias ou no marido, mas na maneira como eu lidava com as situações em vez de me responsabilizar pela minha felicidade.”

ILHA Para Aline, claro, há rompantes que dão certo, histórias conscientes que mudam totalmente, mas “em algum momento a pessoa vai sentir dor. Mas é quando aprendemos mais. Há transições calmas e tranquilas, portanto, não há fórmula. Mas a disposição de mudar tem de partir de você. É preciso saber o quanto você se conhece, por que fará a mudança e se será ecológica, ou seja, não prejudicará você nem o outro e o fará evoluir. Eu poderia ter entrado num processo de divórcio estressante e extenuante”, conta. Aline se lembra do ditado “ninguém é uma ilha” para ressaltar que num grande processo de mudança “nossa tendência é achar que somos autossuficientes e minimizar ajuda, seja de um terapeuta, um aconselhador. Temos de aprender a nos abrir para o outro, deixar de ser orgulhoso porque estaremos fragilizados e, em algum momento, precisaremos de colo, mas aquele que nos faça evoluir, não daquele que dá beijinho, passa a mão na cabeça ou corrobora com a vitimização, outra tendência do ser humano”.

É PRECISO CORAGEM “O largar tudo e ser feliz é mais profundo, é ir em busca de uma realização, não é só euforia”, avisa a psicóloga e terapeuta da Tip Clínica Mathilde Pinto Freitas. Ela explica que é comum muitas pessoas chegarem a um certo ponto da vida e não se sentir realizadas, seja num relacionamento ou na profissão. São inúmeras as possibilidades. Na maioria dos casos, ao tomar essa decisão “a pessoa está sufocada ou ocorre uma situação que a faz enxergar a brevidade da vida e que ela precisa se encontrar. É quando ela percebe que não mais se encontra naquele cenário, que carrega códigos existenciais e distorções”.

Mathilde enfatiza que mudar o rumo da vida não é simples, tem de ter coragem. “Há pessoas que encaram a mudança sozinhas e seguras, enquanto outras precisam passar por um processo terapêutico para aprender a ter posse de quem ela é, de descobrir como se realiza e, ao se sentir forte, poder tomar a decisão de largar tudo e ir ser feliz. Alguns alcançam essa descoberta sozinhos, outros buscam o autoconhecimento por meio da terapia, um instrumento que ajuda nesse caminho. Mas ela também pode vir com o nascimento do filho, uma experiência religiosa ou de voluntariado.”

Muitas vezes, essa transformação chega acompanhada de sofrimento, de enfrentamentos negativos. Mas não é uma regra. A única certeza é de que uma reviravolta na vida chega com questionamentos: “Quem sou? Por que estou aqui? O que quero para mim? Estou satisfeito?”. E para dar esse passo, destaca a terapeuta, cada um deveria responder: “Qual o sentido da minha vida?”.

A vida não tem garantia
E a psicóloga volta a destacar a coragem, já que “essa decisão significa um passo no escuro, ninguém sabe o que vai encontrar. A vida é um risco, não temos garantia nenhuma, de nada. A segurança que acredita ter num casamento de anos ou numa carreira de décadas em uma empresa parece, mas não é real. São apenas apegos, já que tudo pode mudar”. Mathilde explica que “quem vive com falsas seguranças acaba cobrando do outro”. Quem já não ouviu “larguei minha vida por você e agora vai embora?” Ou “dediquei anos à empresa e agora sou demitido?”.

Por isso, Mathilde Freitas alerta sobre o valor de “tomar posse de quem somos e assumir os riscos com a segurança de que, se der errado, existem outras saídas. Muitos acham que não. Outro engano, pois sempre haverá”. A psicóloga avisa que, principalmente num relacionamento, “a única pessoa que pode lhe dar o que quer é ela mesma. É necessário ter essa percepção. Não depender do outro para ser feliz, porque se conduzir a vida dessa maneira você vai se frustrar”. Mathilde ensina que “é preciso ter consciência de sou eu que cuido de mim, mas, claro, não no isolamento ou no egoísmo. É simplesmente não colocar a sua vida nas mãos do outro. Seja que passo for dado, independentemente da área, que seja por você, que seja bom e faça sentido para você”.

PALAVRA DE ESPECIALISTA

Aventure-se no desconhecido
“Ao longo da vida nos acomodamos e criamos nosso próprio refúgio. Ficamos acostumados com a rotina e conformados com o estilo de vida e sempre os mesmos resultados, seja no ambiente familiar, social ou profissional. Isso é o que chamamos de ‘zona de conforto’. Precisamos estar dispostos e nos preparar para os desafios que aparecem todos os dias. É claro que rápidas mudanças nos causam insegurança. As relações sociais, profissionais e comerciais vivem em constante instabilidade e novidades surgem o tempo todo. Para aprender a lidar com essa situação, precisamos nos aventurar no desconhecido. Encarar o desconhecido nos comporta o risco de perder o controle da situação. Por isso, a tendência natural é continuarmos na mesmice, mergulhados em uma situação que controlamos. Nossa mente e desenvolvimento pessoal estão diretamente relacionados com o poder de abandonarmos o conhecido, habitual a automático. Enquanto estiver dentro de sua zona de conforto, não vai crescer ou aprender. Fará as mesmas coisas de sempre e, desse modo, conseguirá somente o que sempre teve. Para obter o crescimento pessoal você precisa ter atitudes às quais não está habituado, mas que são fundamentais para a mudança que deseja. Lembre-se sempre da frase de Steve Blank, escritor e empreendedor de grande sucesso: ‘Grandes empreendedores estão confortáveis em estar desconfortáveis’.”


Sílvia Bez - palestrante motivacional, especialista em vendas e marketing pessoal, além de master coach

Marcelo André/Tradição de Minas
O designer Leo Sousa registrando pessoas para seu projeto de resgate da história do artesanato e de comunidades mineira (foto: Marcelo André/Tradição de Minas )

Centelha inspiradora
Escolher entre ficar e se aventurar é uma tarefa complicada porque envolve um conflito entre o emocional e o racional. Quem se jogou explica o porquê e especialista fala dos riscos

Uma carreira sólida, reconhecida, bem remunerada, de sucesso e construída ao longo de 32 anos. De repente, nada do universo profissional do designer e publicitário Leo Sousa o motivava mais, o brilho no olhar se foi e ele percebeu que era hora de se reencontrar. E não seria mais uma trajetória em agências. “Esse mundo é intenso, uma loucura, e nunca se tem tempo. A família fica em segundo plano e o foco é para as necessidades do cliente. Em 2011, vi que não estava construindo para mim, a vida era vazia e com muito trabalho. Decidi dar um tempo e achar outro caminho, ficar mais perto da minha mulher, um casamento de 24 anos, e da minha filha, de quem não estive ao lado durante a infância, ao contrário da mãe.”

O salto de Leo foi realmente no escuro, ele confessa que nada foi planejado. “Em 2009, saí da última agência de publicidade em que trabalhei muito cansado e sentia que precisava fazer algo que desse sentido à vida e à minha relação como designer. Comecei a prestar serviço para uma ONG de jovens carentes, o Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPCD), e me convidaram para atuar em Araçuaí. Passei a viajar nos fins de semana e acendeu uma centelha tão linda ao perceber que poderia fazer algo e ajudar as pessoas a crescerem alimentadas pelo meu conhecimento que me reencontrei. Os jovens carentes têm uma ânsia de aprendizado com qualidade de produção, processo e resultado, que fiquei feliz em poder contribuir um pouco.”

Nesse encontro, Leo revela que descobriu histórias tão legais que o despertaram a escrever e deram origem ao projeto da coleção Tradição de Minas. “Selecionei temas em que o ser humano é o foco. Com meu olhar das belezas da natureza da vida, com a bagagem cultural que tinha, busquei a história do artesanato de Minas Gerais, assim como da cachaça, do cuidado com os parques ambientais. O que motiva pessoas simples a produzir objetos tão belos com concepção estética e sensibilidade? E nada tem a ver com pobreza.”

Marcelo André/Tradição de Minas
Leo Souza já escreveu cinco livros desde 2009 (foto: Marcelo André/Tradição de Minas)

CULTURA Leo acaba de finalizar dois livros – um sobre o artesanato, outro sobre a cachaça do estado. Essa aventura começou com a primeira edição sobre o Mercado Central de Belo Horizonte. Lá, ele conta que encontrou tantos produtores de todos os cantos de Minas que o fizeram cair na estrada para descobrir mais histórias, com ainda mais energia e apetite.

“Fui me aproximar das belezas em cidades como Curvelo e Diamantina, e descobrir festas como a do congado e a folia de reis, saber da origem dos estandartes, buscar a bagagem histórica e familiar dessas tradições. Hoje, isso é o que me alimenta. Quero dedicar minha vida às pessoas, valorizando nossa cultura, porque é ela que constrói uma nação. Valorizar o que foi vivido. E Minas é tão rica, com nuances de manifestações culturais que estão acabando. O que tento documentar é um legado histórico, saber da vida de personagens maravilhosos. O difícil é conseguir verba, patrocínio, para entregar os livros à sociedade”, conta.

Na estrada desde 2009, “a centelha” dessa nova vida de Sousa ocorreu aos 40 anos e já são cinco livros publicados. O projeto prevê de 12 a 15. Antes, a família ia junto, agora por causa do trabalho e estudos, ele segue com um fotógrafo.

“Mas a família sempre foi minha inspiração, abandonei minha trajetória ao escolher estar ao lado dela. Não foi fácil, tinha uma condição social privilegiada, não foi planejado, logo, não estava preparado. Mas descobri um outro lado, de correr atrás dos meus projetos, um patrocínio segura o outro, e assim vai. O que vale é que estou mais leve e é o que amo. Estou ciente dos sacrifícios. Não esperava, atuava muito bem como designer, nunca tive dúvida da minha escolha aos 17 anos. Sou de Brasília, cheguei aqui aos 16 anos e minha primeira turma de amigos me influenciou. Tenho talento e amo essa categoria, que acredito poder transformar o mundo, mas a profissão seguiu um rumo que não me completava mais.”

Insegurança da alma divide as pessoas

Acomodação, conformidade, passividade, resignação, segurança... Tudo isso ao mesmo tempo agora pode sentir uma pessoa que está prestes a largar tudo e mudar de vida. Não é fácil chegar à beira do “precipício” e se jogar. Não se choque, essa pode mesmo ser uma comparação. Maura de Albanesi, mestre em psicologia e pós-graduada em psicoterapia corporal e terapia de vivências passadas, esclarece que “há todo um hábito e medo do desconhecido que faz a pessoa postergar uma decisão de transformação de grande impacto. E ela só agirá quando chegar ao insuportável, aí vai dar um basta, dar a virada e arcar com todas as consequências”.

Arquivo Pessoal/Divulgação
Para a psicóloga Maura de Albanesi, quando há o incômodo a pessoa precisa avaliar bem sua vida para não ficar presa entre a emoção e a razão (foto: Arquivo Pessoal/Divulgação)
Maura diz que escolher entre ficar e se aventurar é uma tarefa complicada porque envolve conflito entre o emocional e o racional. Terminar ou não o casamento? Mudar ou não de carreira? Sair ou não da empresa? Deixar ou não a cidade, o país?. “Nosso lado emocional procura o que é o mais desejado para nós, mas o racional busca o mais importante.” As mudanças, enfatiza a psicóloga, têm de ser planejadas, é preciso que cada um perceba sua insatisfação. “Vale a pena? Estou nessa situação só pela segurança? Ao perceber o descontentamento, o caminho passa a ser planejado e estruturado. Aliás, ele ocorre mesmo que não perceba.” Ou seja, chega o momento em que a pressão vai se materializar em um impulso, portanto, é melhor não adiar.

Por outro lado, a terapeuta alerta que se o largar tudo envolver questões financeiras, é importante “ter o pé no chão, diferente do emocional. Um pulo sem projetos pode levar à falência, à frustração e à depressão”. Maura lembra que somos movidos por desafios e pela novidade. O problema ou, talvez, o impasse é que “a alma busca mudança e o corpo quer manter a tradição. Ao escolher a tradição, a pessoa mata sua vida. E, na verdade, ela entra num processo de uma pseudossegurança. E isso faz com que ela não dê esse passo”, observa. Por outro lado, quem sente a necessidade de mudar “dá vazão ao que a alma pede para não decretar sua morte antes do tempo”, avisa a terapeuta, deixando bem claro: “Agora, ao optar, faça com consciência e pare de reclamar. Assuma a escolha feliz (seja qual for). E, se for pela alma, assuma a felicidade com a insegurança que virá”.

MEDO DO DESCONHECIDO A psicóloga alerta que, principalmente na trajetória profissional, ter ou não dinheiro é “a principal desculpa que as pessoas dão por ser mais fácil, já que jogam a responsabilidade da não mudança para o dinheiro. E aí ficam anos martelando o mesmo discurso”. Mas Maura afirma que escolher o desejo da alma é bem comum e presente.

É o se aventurar, mas não de maneira aloprada. E tampouco é chavão a história de que há certa idade em que essa vontade se impõe. “Dentro da biografia humana há idades em que esse desejo estoura. A primeira crise ocorre aos 28, 30 anos, quando as pessoas avaliam o que querem da vida, se vão continuar naquela rota. É a fase mais fácil para mudar porque não há tanta raiz e é quando mais se acerta e tem coragem. Depois, há um chamado aos 37 anos, que envolve essa confusão de sentimentos. E o máximo é aos 42, considerado o pior porque já há toda uma história e segurança solidificadas, e porque a avaliação passa por como sua decisão repercutirá na vida dos outros, se ela vai contra seus valores, quais as consequências e é aí que começamos a nos enrolar”, comenta.

A saída? Listar os pontos positivos de cada escolha para ter noção do que é melhor para você. “Tome a decisão em cima do positivo e não do negativo porque ela estará em cima dos ganhos, e não das perdas. Isso é essencial porque o ser humano odeia perder. Assim fica mais fácil decidir”.

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