Câncer infantil tem 70% de chance de cura se diagnosticado precocemente

Equipe multidisciplinar e tecnologia de ponta em unidade oncológica pediátrica são fundamentais para cuidar dos pacientes e elevar as chances de cura. Inca prevê 12 mil novos casos da doença em 2016

por Augusto Pio 30/08/2016 07:13

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Quinho / EM / D.A Press
(foto: Quinho / EM / D.A Press)
O câncer infantil é definido como qualquer neoplasia maligna diagnosticada em indivíduos de até 19 anos. Essa faixa etária representa de 3% a 4% dos novos casos de câncer no Brasil. O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) estima que ocorrerão cerca de 12,6 mil casos novos anuais da doença em crianças e adolescentes no Brasil, em 2016 e 2017. As regiões com maior incidência são a Sudeste (6.050 casos) e a Nordeste (2.750 casos). No país, o câncer infantil já representa a primeira causa de morte (7% do total) entre crianças e adolescentes em todas as regiões. Contudo, é importante ressaltar que, nas últimas décadas, o progresso dos tratamentos nessa população melhorou significativamente, resultando em cerca de 70% de cura quando o diagnóstico é feito precocemente.

“Buscando um atendimento de excelência aos pacientes, o Hospital Integrado do Câncer (HIC) da Rede Mater Dei de Saúde oferece assistência de qualidade em oncologia pediátrica, hematologia, oncogenética, cirurgia oncológica pediátrica, cardio-oncologia, clínica de dor, radiologia intervencionista, além de uma equipe multidisciplinar capacitada (enfermagem, nutrição, farmácia clínica, psicologia, odontologia, etc.)”, diz Enaldo Melo de Lima, oncologista e coordenador médico do HIC.

O hospital integrado conta ainda com uma sofisticada estrutura de atendimento ambulatorial, unidade de internação pediátrica, centro de terapia intensiva pediátrica, pronto-socorro oncológico e um completo e moderno parque tecnológico radiológico e laboratorial, que inclui o PET-CT oncológico. “Todos os tipos de tumores pediátricos podem, portanto, ser adequadamente diagnosticados e tratados. Há ainda, reuniões multidisciplinares semanais, com possibilidade de discussão dos casos mais complexos”, esclarece o médico.

Eduardo Ribeiro Lima, oncologista pediátrico do HIC, explica que os sinais e sintomas do câncer infantil são inespecíficos, podendo mimetizar outras doenças mais comuns em crianças e adolescentes. “Em geral, queixas de caráter persistente devem ser investigadas. Palidez, manchas roxas no corpo, aumento dos linfonodos (popularmente chamados de “ínguas”), dor de cabeça persistente, dores recorrentes e nódulos ou massas propriamente ditas são alguns dos sintomas mais comuns. Quanto mais precoce for feito o diagnóstico, menor a chance de a doença avançar, o que reduz a intensidade do tratamento e aumenta a chance de cura.”

O especialista conta que as crianças toleram bem o tratamento, apesar de toxicidades diversas. “Por isso é necessária uma estrutura multidisciplinar para oferecer o suporte adequado. É muito importante que as terapias sejam realizadas em centros especializados e de alta complexidade. Diversas pesquisas científicas são constantemente desenvolvidas para buscar melhorias nos índices de sobrevida dos pacientes e, paralelamente, reduzir a toxicidade e as possíveis sequelas do câncer infantojuvenil e de seu tratamento. Atualmente, além das modalidades terapêuticas clássicas, como cirurgia, radioterapia e quimioterapia, que constantemente são aprimoradas, novas modalidades vêm sendo introduzidas, com especial atenção à imunoterapia”, acrescenta Ribeiro Lima.

LEUCEMIA AGUDA Thiago Haikal, hematologista do HIC, esclarece que a leucemia aguda é o câncer infantil mais frequente e temido. “Trata-se de uma doença originada na medula óssea. Os glóbulos brancos (leucócitos) são as células acometidas e se reproduzem de forma descontrolada, gerando os sinais e sintomas da doença. As leucemias se dividem nas categorias mieloide e linfoide, de acordo com a célula envolvida. No primeiro caso, deriva da célula-tronco mieloide, podendo ser o granulócito, o eosinófilo, o basófilo, o monócito ou o eritrócito. No segundo caso, o linfócito é a célula doente”, explica. De acordo com o Inca, estima-se para este ano no Brasil 10.070 novos casos de leucemia.

“Há, ainda, uma classificação de acordo com a velocidade de divisão dessas células: leucemia crônica (divisão lenta) e leucemia aguda (divisão acelerada). As leucemias crônicas se desenvolvem lentamente e as células envolvidas são mais parecidas com a célula normal (mais diferenciadas), permitindo que, mesmo doentes, mantenham algumas de suas funções normais no organismo do indivíduo. Já as leucemias agudas são de progressão rápida e afetam as células jovens, ainda não completamente formadas (chamadas blastos), que não preservam suas funções e afetam de forma importante a capacidade de defesa do organismo”, ressalta Haikal.

As leucemias são os cânceres mais comuns em crianças e atingem com mais frequência a faixa etária dos 2 aos 5 anos de idade. Os cânceres do sistema nervoso central vêm em seguida e, em terceiro lugar, os linfomas não Hodgkin. “Os linfomas são neoplasias malignas que atingem órgãos e estruturas do sistema linfático, fundamental na manutenção da defesa do nosso organismo contra infecções. Na maioria das vezes, os linfomas se originam dos linfonodos ou gânglios linfáticos, mas eventualmente podem acometer outros órgãos, como baço, fígado, medula óssea, estômago, intestino, cérebro, pele, entre outros”, explica o hematologista. Ele acrescenta que, “de uma forma bem ampla, podemos classificar a doença em duas categorias: os linfomas de Hodgkin e os linfomas não Hodgkin. Cada categoria abrange inúmeros outros subtipos, mais específicos ainda, com comportamentos biológicos e prognósticos diferentes”.

O linfoma de Hodgkin pode atingir crianças e adultos, mas é mais comum em dois grupos: os jovens adultos (dos 15 aos 40 anos, geralmente dos 25 aos 30 anos) e as pessoas acima dos 55 anos. “É raro antes dos 5 anos de idade, mas entre 10% e 15% dos casos ocorrem em adolescentes e crianças com menos de 16 anos”, conta o médico. São estimados 2.470 novos casos de linfoma de Hodgkin e 10.240 novos casos de linfoma não Hodgkin no Brasil este ano.

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