Adoçante artificial estimula fome e aumenta consumo de calorias

Estudo publicado na revista científica 'Cell Metabolism' explica qual é o mecanismo por trás disso e mostra quais efeitos os adoçantes produzem no cérebro ao regular o apetite e alterar a percepção do sabor

por Agência Estado 12/07/2016 15:02

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Monique Renne/Esp. CB/D.A Press
Bilhões de pessoas em todo o mundo consomem adoçantes artificiais, que são muitas vezes prescritos como um recurso para tratar a obesidade, embora pouco se saiba até agora sobre seu impacto integral no cérebro e na regulação do apetite (foto: Monique Renne/Esp. CB/D.A Press)
Os adoçantes podem fazer com que os usuários tenham mais fome e comam mais, de acordo com um novo estudo feito por cientistas australianos e publicado nesta terça-feira (12/07) na revista científica Cell Metabolism. A pesquisa foi feita com o adoçante artificial sucralose, amplamente utilizado no contexto doméstico e na indústria, incluindo diversos produtos considerados "diet" ou "sem açúcar".

Pesquisas anteriores em humanos e animais já sugeriam que os adoçantes podiam estimular o aumento do consumo de comida, mas o novo estudo confirma a hipótese e explica qual é o mecanismo por trás disso e mostra quais efeitos os adoçantes produzem no cérebro ao regular o apetite e alterar a percepção do sabor.

Os cientistas da Universidade de Sydney e do Instituto de Pesquisa Médica Garvan - ambos na Austrália - revelaram no cérebro um sistema até agora desconhecido que é responsável por integrar as sensações de doçura e de conteúdo energético do alimento.

De acordo com um dos autores do estudo, Greg Neely, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Sydney, o adoçante desequilibra a integração entre a sensação do sabor doce e o conteúdo de energia da comida, fazendo com que o cérebro estimule um maior consumo de calorias.

"Depois de uma exposição prolongada a uma dieta que continha o adoçante artificial sucralose, nós observamos que os animais começaram a comer muito mais", disse Neely à reportagem.

"Por uma investigação sistemática desse efeito, descobrimos que nos centros de recompensa do cérebro, a sensação de doçura está integrada com a que percebe o conteúdo energético. Quando a relação entre doçura e energia é desequilibrada por um tempo, com o adoçante, o cérebro faz uma calibragem e começa a aumentar o consumo total de calorias", explicou Neely.

No estudo, moscas drosófilas foram expostas a uma dieta com inclusão do adoçante artificial por cinco dias - um período prolongado para uma mosca. Depois disso, os cientistas observaram os animais por três dias, enquanto eles se alimentavam com comida sem adoçante. As moscas que haviam sido submetidas ao adoçante consumiram em média 30% mais calorias, em comparação às moscas que se alimentaram com comida adoçada naturalmente.

"Quando fomos investigar por que os animais estavam comendo mais, mesmo já tendo consumido calorias suficientes, descobrimos que o consumo crônico desse adoçante artificial na realidade 'engana' o cérebro ao aumentar a intensidade do sabor doce. Quando o animal começa a se alimentar com comida sem adoçante, o cérebro não encontra a mesma intensidade de doçura e isso aumenta a motivação do animal para ingerir mais comida", disse Neely.

Segundo os autores do estudo, bilhões de pessoas em todo o mundo consomem adoçantes artificiais, que são muitas vezes prescritos como um recurso para tratar a obesidade, embora pouco se saiba até agora sobre seu impacto integral no cérebro e na regulação do apetite.

O novo estudo, segundo eles, é o primeiro a identificar como os adoçantes artificiais podem estimular o apetite. Os cientistas identificaram uma complexa rede neural que responde à comida adoçada artificialmente, sinalizando ao animal que ele ainda não ingeriu energia suficiente.

"Usando essa resposta às dietas adoçadas artificialmente, nós pudemos mapear uma nova rede neural que equilibra a palatabilidade da comida com o conteúdo energético. A rota que nós descobrimos é parte de uma resposta evolutiva do cérebro à fome, que faz com que os alimentos mais calóricos nos pareçam mais saborosos", afirmou o cientista.

Os pesquisadores também descobriram que os adoçantes artificiais provocam hiperatividade, insônia e queda da qualidade do sono - comportamentos coerentes com um estado de jejum. Os efeitos no sono são semelhantes aos que já foram relatados em estudos com humanos.

Mamíferos

Para descobrir se os adoçantes naturais também aumentam a ingestão de comida em mamíferos, Herbert Herzog, do Instituto de Pesquisa Médica Garvan, replicou os resultados do estudo utilizando camundongos.

Os camundongos que consumiram uma dieta adoçada com sucralose por sete dias apresentaram um aumento considerável na ingestão de comida, segundo os autores do estudo, e as redes neurais envolvidas no efeito foram as mesmas encontradas nas moscas.

"Essa descoberta reforça a ideia de que variedades com 'zero açúcar' de comidas e bebidas processadas podem não ser tão inertes como se pensava. Os adoçantes artificiais podem realmente mudar a percepção do sabor doce na comida, com uma discrepância entre a doçura e os níveis de energia que leva ao aumento do consumo de calorias", disse Herzog.

Os cientistas da Universidade de Sydney e do Instituto de Pesquisa Médica Garvan - ambos na Austrália - revelaram no cérebro um sistema até agora desconhecido que é responsável por integrar as sensações de doçura e de conteúdo energético do alimento.

De acordo com um dos autores do estudo, Greg Neely, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Sydney, o adoçante desequilibra a integração entre a sensação do sabor doce e o conteúdo de energia da comida, fazendo com que o cérebro estimule um maior consumo de calorias.

"Depois de uma exposição prolongada a uma dieta que continha o adoçante artificial sucralose, nós observamos que os animais começaram a comer muito mais", disse Neely ao Estado.

"Por uma investigação sistemática desse efeito, descobrimos que nos centros de recompensa do cérebro, a sensação de doçura está integrada com a que percebe o conteúdo energético. Quando a relação entre doçura e energia é desequilibrada por um tempo, com o adoçante, o cérebro faz uma calibragem e começa a aumentar o consumo total de calorias", explicou Neely.

No estudo, moscas drosófilas foram expostas a uma dieta com inclusão do adoçante artificial por cinco dias - um período prolongado para uma mosca. Depois disso, os cientistas observaram os animais por três dias, enquanto eles se alimentavam com comida sem adoçante. As moscas que haviam sido submetidas ao adoçante consumiram em média 30% mais calorias, em comparação às moscas que se alimentaram com comida adoçada naturalmente.

"Quando fomos investigar por que os animais estavam comendo mais, mesmo já tendo consumido calorias suficientes, descobrimos que o consumo crônico desse adoçante artificial na realidade 'engana' o cérebro ao aumentar a intensidade do sabor doce. Quando o animal começa a se alimentar com comida sem adoçante, o cérebro não encontra a mesma intensidade de doçura e isso aumenta a motivação do animal para ingerir mais comida", disse Neely.

Segundo os autores do estudo, bilhões de pessoas em todo o mundo consomem adoçantes artificiais, que são muitas vezes prescritos como um recurso para tratar a obesidade, embora pouco se saiba até agora sobre seu impacto integral no cérebro e na regulação do apetite.

O novo estudo, segundo eles, é o primeiro a identificar como os adoçantes artificiais podem estimular o apetite. Os cientistas identificaram uma complexa rede neural que responde à comida adoçada artificialmente, sinalizando ao animal que ele ainda não ingeriu energia suficiente.

"Usando essa resposta às dietas adoçadas artificialmente, nós pudemos mapear uma nova rede neural que equilibra a palatabilidade da comida com o conteúdo energético. A rota que nós descobrimos é parte de uma resposta evolutiva do cérebro à fome, que faz com que os alimentos mais calóricos nos pareçam mais saborosos", afirmou o cientista.

Os pesquisadores também descobriram que os adoçantes artificiais provocam hiperatividade, insônia e queda da qualidade do sono - comportamentos coerentes com um estado de jejum. Os efeitos no sono são semelhantes aos que já foram relatados em estudos com humanos.

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