Pesquisa inédita revela dados da vida sexual do brasileiro e da brasileira

Foram ouvidas 3 mil pessoas de sete regiões metropolitanas do país, incluindo BH. Resultado mostra que estereótipos de gênero persistem: homens querem oito relações sexuais por semana e mulheres se satisfazem com três

por Valéria Mendes 09/06/2016 16:15

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Maior medo das mulheres é de pegar DST e dos homens, o de não satisfazer a parceira (Foto: Cena do filme Cinquenta Sons de Cinza)
Que o sexo é importante para o relacionamento, 96,2% dos homens e 94,5% das mulheres concordam, mas as coincidências param por aí. Pesquisa divulgada nesta quinta-feira (09/09) sobre o comportamento sexual do brasileiro e da brasileira mostra que a desigualdade de gênero ainda limita a expressão da sexualidade das mulheres. “Muitas temem julgamentos relacionados a certos comportamentos sexuais, o que acaba fazendo com que limitem o próprio prazer. Não é tão fácil nem tão rápido se libertar de padrões anteriormente impostos”, afirma Carmita Abdo coordenadora da pesquisa Mosaico 2.0.

O levantamento nacional com mais de 3 mil entrevistas com pessoas entre 18 e 70 anos e divididas em cinco faixas etárias foi realizado em sete regiões metropolitanas do país, incluindo Belo Horizonte. O resultado mostra que os estereótipos persistem: enquanto eles fazem sexo só por atração, elas rejeitam relações sexuais baseadas apenas na atração física. Os homens querem oito relações sexuais por semana e as mulheres se satisfazem com apenas três. Além disso, o número de parceiros nos últimos 12 meses foi de dois para os homens e de um para as mulheres.

Quando o assunto é insegurança, a resposta das mulheres condiz com a realidade machista. O que elas mais temem (45,9%) é contrair uma doença sexualmente transmissível (DST). Isso por que culturalmente ainda é responsabilidade delas não só a prevenção de doenças, mas também a contracepção. No caso deles, a maior preocupação é não satisfazer a parceira, temor apontado por 54,8% do grupo masculino.

O sexo protegido é uma preocupação maior para os jovens. São as pessoas entre 18 e 25 anos que mais se previnem durante o sexo. A porcentagem dos que sempre utilizam preservativo no ato sexual é de 36,2% nessa faixa etária, índice que cai gradualmente até chegar a 10,5% entre aqueles de 60 a 70 anos de idade. São também os mais jovens que mais responderam que o sexo é pouco ou nada importante para a harmonia do casal.

Sexo e amor
Independentemente do gênero, a maioria das pessoas entrevistadas (56%) faz distinção entre a vida afetiva e sexual, mas essa percepção é um pouco mais nítida para os homens (59,7%) do que para mulheres (51%). Enquanto 50,8% deles se diz satisfeito em ambos os aspectos, 44,4% delas têm a percepção de que a vida sexual e afetiva vai bem.

Isolando cada um dos dois pilares (sexo e amor), os homens estão mais realizados do que as mulheres: 13,5% das mulheres diz que não está satisfeita em nenhuma das duas situações ante 8,6% dos homens.



Mosaico 2.0
A nova pesquisa é uma versão atualizada do estudo Mosaico Brasil, de 2008, que se consolidou como o primeiro e maior levantamento sobre sexualidade já realizada no país até então e também coordenada pela psiquiatra Carmita Abdo.

O objetivo é traçar um perfil contemporâneo do comportamento afetivo-sexual do brasileiro e da brasileira, faz parte das comemorações dos 18 anos de Viagra, que chegou ao mercado em 1998, e tem o apoio da Pfeizer.

Além de BH, foram entrevistadas pessoas em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belém, Porto Alegre e Distrito Federal.

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