Uso de suplementos alimentares por adolescentes divide opiniões e deixa pais indecisos

Parte dos profissionais afirma que uma dieta saudável é suficiente para que jovens conquistem o corpo definido que desejam

por Agência Estado 12/07/2015 14:26

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
	Bruno Peres/CB/D.A Press
Suplementação pode causar complicações, principalmente a sobrecarga de órgãos como os rins (foto: Bruno Peres/CB/D.A Press)
Presentes em páginas de celebridades fitness, os suplementos alimentares estão fazendo sucesso também entre os adolescentes. Mas o uso de substâncias que prometem colocar o corpo em forma ou dar mais disposição divide a opinião de especialistas em nutrição e deixa os pais sem saber se devem permitir que os filhos incrementem a alimentação com os produtos.

Parte dos profissionais afirma que uma dieta saudável é suficiente para que jovens conquistem o corpo definido que desejam. Outros dizem que a suplementação pode causar complicações, principalmente a sobrecarga de órgãos como os rins. Também há especialistas que afirmam que o uso equilibrado de suplementos não traz riscos à saúde e pode ser benéfico mesmo na fase de crescimento.

Nutricionista esportiva, Érica Zago, de 38 anos, incluiu whey protein - tipo de proteína extraída do soro do leite - na alimentação da filha quando ela tinha 4 anos. "Desde bem pequena ela usa suplementos. Nunca gostei dos desjejuns comuns, como café com pão e manteiga. Além disso, com 4 anos, ela teve pneumonias recorrentes e estava preocupada com a imunidade dela."

Hoje com 15 anos, a estudante Rafaella Zago Romacho ainda toma suplementos. "Ela tem uma dieta normal, mas a suplementação introduz nutrientes que talvez ela não tivesse acesso só com a alimentação", diz a mãe.

A jovem afirma que também toma cuidado com os alimentos que consome e pratica atividades físicas. "No começo, eu fazia (exercícios) por causa do corpo, mas passei a gostar. E não gosto muito de doce."

Há um ano e meio, o estudante Lucas Milhomem, de 15 anos, começou a tomar suplementos que também são famosos: maltodextrina e BCAA. Seu objetivo é melhorar o desempenho como atleta. "Ele pratica futebol desde os 5 anos. Quando começou a tomar, ficou mais esperto e tem mais explosão nos treinos", conta o pai do adolescente, o administrador de empresas Alex Milhomem, de 38 anos. O jovem notou resultados. "Eu não me sinto tão cansado no treino e não tenho tantas dores." Milhomem diz que estabeleceu regras para que o filho pudesse usar os suplementos.

"Sempre tive uma preocupação muito grande. Não deixaria ele tomar com menos de 13 anos. Acho que só depois dessa idade o adolescente passa a ter discernimento e está em uma fase do crescimento adequada para tomar suplementos. Deixei porque ele quer ser um atleta do futebol", afirma.

Consultor científico da Associação Brasileira de Empresas de Produtos Nutricionais (Abenutri), Erico Caperuto diz que os nutrientes podem ser usados na adolescência, desde que sejam respeitadas as condições físicas e os objetivos dos jovens.

"Na adolescência, o suplemento é ideal, porque vai estimular o crescimento de maneira adequada, mas um nutricionista tem de colocar na quantidade certa e tem de ser associado a uma vida ativa."

O estudante Diego Ferreira Silveira, de 23 anos, teve uma má experiência com suplementos. No ano passado, ficou internado por 15 dias após usar diferentes produtos de forma excessiva. Ele estava na Irlanda e precisou fazer um tratamento para recuperar o funcionamento dos rins. "Fiquei me tratando durante três meses até melhorar. Até hoje tenho problemas, mas penso duas vezes antes de comprar qualquer coisa", diz.

Silveira reconhece que sua situação foi agravada pelo uso de anabolizantes. "Malho há mais de três anos e comecei a tomar os suplementos há dois. Tomei whey, BCAA, aminoácidos e até anabolizantes. Já gastei mais de R$ 30 mil com cirurgias, mas só para reparar problemas, nada para o meu benefício." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE SAÚDE PLENA