Nanomedicamentos são capazes de agir em escala milimétrica no combate às células doentes

Técnica é aposta certa entre as novas ferramentas terapêuticas contra o câncer

por Estado de Minas 07/11/2014 12:03

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Arte: EM/D.A Press
Nanomedicamentos são cápsulas de tamanho minúsculo: 70 vezes menores que um glóbulo vermelho (foto: Arte: EM/D.A Press)
Durante muito tempo, os únicos tratamentos disponíveis para o câncer eram cirurgia, químio e radioterapia. Mas inovações promissoras estão sendo aplicadas e melhoradas. A bola da vez são os nanomedicamentos e as técnicas cirúrgicas cada vez mais afinadas, graças ao laser e dos ultrassons focalizados. É o que discutiram ontem especialistas reunidos na Academia de Cirurgia de Paris

Os nanomedicamentos são cápsulas de tamanho minúsculo (com um bilionésimo de metro), isto é, 70 vezes menores que um glóbulo vermelho, capazes de conduzir uma molécula ativa ao local preciso onde a mesma é necessária, evitando outras partes do corpo onde não é. Eles “permitem evitar efeitos colaterais frequentemente importantes que se observam na quimioterapia clássica, mas também curto-circuitar fenômenos de resistência", explicou Patrick Couvreur, biofarmacêutico pioneiro destes minúsculos comprimidos.

Atualmente, há uma dezena de nano-medicamentos disponíveis no mercado, a maioria usados em cancerologia: este é o caso da doxorrubicina e do paclitaxel, dois remédios empregados no tratamento do câncer de mama e de ovários em estado avançado. Em 40 hospitais europeus e americanos, há estudos clínicos para avaliar o efeito da doxorrubicina encapsulada em nanomedicamento em cânceres de fígado, resistentes à quimioterapia. Segundo resultados preliminares citados por Couvreur, a sobrevivência dos doentes se multiplicaria por dois.

Caminho até o tumor
Graças à melhora constante das técnicas nos últimos anos, os doentes de câncer podem se beneficiar de atos terapêuticos radiológicos. Para Afshin Gangi, que pratica radiologia em Estrasburgo (Leste da França), se trata de “pegar o caminho mais curto para um tumor” e destruí-lo da forma mais completa possível, sem necessariamente recorrer à cirurgia clássica. Ela pode ser substituída por técnicas de ablação térmica, que usam radiofrequências, laser, micro-ondas, crioterapia (a frio) ou ultrassons focalizados (a energia acústica se concentra sobre o alvo que deve ser destruído).

Usadas principalmente para intervir no rim, no fígado e na próstata, estas técnicas poderiam ser aplicadas no futuro a outros órgãos abdominais e também o câncer de mama, segundo Gangi. De acordo com Albert Gelet, urologista do hospital de Lyon (Centro-Leste), o tratamento focal da próstata constitui uma boa alternativa para cânceres medianamente agressivos.

Até poucos anos atrás, o tratamento padrão era a ablação cirúrgica total da próstata, com seu corolário de efeitos indesejáveis (perda de urina e transtornos de ordem sexual). “Com o tratamento focal, reduz-se a toxicidade no trato urinário e sexual”, disse Gelet, embora admita carecer de resultados de curto prazo. Em 2015, começará um estudo na França para avaliar tratamentos contra o câncer de próstata por meio do ultrassom focado.

O outro interesse destas técnicas é que não excluem recorrer a tratamentos clássicos – cirurgia e radiação –, se o câncer se tornar mais agressivo. Segundo Gelet, cerca de 20% dos cânceres de próstata poderiam ser tratados desta forma no futuro.

Outra inovação suscetível de melhorar sensivelmente a sobrevivência de alguns pacientes com câncer de estômago ou cólon consiste em combinar a cirurgia com a quimioterapia líquida na cavidade abdominal entre 42°C e 43°C.

A técnica tem o nome de CHIP (quimioterapia hipertérmica intraperitoneal) e é usada há vários anos na França em pacientes que têm metástase no peritônio, com taxa de sobrevivência de cinco anos em 16%, contra 0% entre aqueles que não fizeram o tratamento, disse Olivier Glehen, um dos especialistas desta técnica do hospital Lyon-sul.

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