Riscos na gravidez por doença ou limitação física não são motivos para mulheres desistirem da maternidade

Para realizar o sonho de ser mãe, algumas mulheres precisam enfrentar sérias limitações do corpo. Conheça a história vitoriosa de cinco guerreiras

por Flávia Duarte 01/02/2014 11:00

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O corpo feminino exibe formas que possibilitam a geração de uma nova vida. Em princípio, ele está perfeitamente preparado para tal finalidade. Tarefa intransferível, com prazo de validade, e que exige do organismo um esforço adicional. Gestar um bebê sobrecarrega o coração, diminui a imunidade, aumenta o fluxo sanguíneo e o trabalho de alguns órgãos vitais. Demandas que, por vezes, complicam estados de saúde mais vulneráveis e transformam o processo natural de engravidar em um delicado procedimento, com consequências diversas para a genitora.

São mulheres com o organismo mais fragilizado, resultado de alguma patologia crônica, que pede preparação e cuidados especiais para que a gravidez seja possível. Elas precisam trocar previamente a medicação que lhes garante a própria saúde, sem colocar em risco a vida dela ou a do bebê que planejam. São mulheres que passam meses sobre uma cama, quase imóveis, já que os movimentos corriqueiros podem ser fatais à criança em formação. Futuras mães que sentem dor durante boa parte da gestação; que correm riscos ainda maiores durante o parto, mas nem por isso desistem dessa tarefa exclusivamente feminina.

Zuleika de Souza/CB/D.A Press
Gabriela Abreu, no oitavo mês da gestação de Iara: planejamento para superar o lúpus (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
Por definição, gravidez de risco é aquela que indica maior probabilidade de ocorrer algum percalço ao longo dos nove meses. O termo “risco”, por si só, assusta quem faz parte de tal categoria. É tão somente uma questâo de semântica, garantem os médicos — a interpretação não precisa ser fatalista. Devemos entender como um sinal de alerta, uma precaução para garantir um final feliz.

“Na verdade, não existe nenhuma gravidez sem risco. O fato é que cerca de 10% a 15% das mulheres apresentam alguma condição que aumenta esse risco habitual, seja porque são obesas, têm hipertensão, são portadoras de doenças crônicas ou autoimunes, são diabéticas ou pacientes de câncer. Com acompanhamento, a chance maior é que dê tudo certo”, tranquiliza o obstetra Alberto Zaconeta, especialista em gravidez de risco e professor do Hospital Universitário de Brasila (HUB/UnB). Para isso, no entanto, é preciso orientação adequada. “A única patologia que impede a gravidez é a infertilidade”, acrescenta Zaconeta.

Entre os fatores que mais apresentam chance de complicar uma gestação, destacam-se o diabetes e a hipertensão. No primeiro caso, a descompensação da glicemia, que naturalmente é aumentada durante a gravidez, sobrecarrega ainda mais os rins e o coração. Além disso, a hiperglicemia é um potente teratogênico (fator de má-formação em fetos), já que interfere na multiplicação das células.

O coração é muito exigido na tarefa de gerar outra vida, tendo um pico de trabalho entre a 24ª e a 28ª semana, etapa em que o acompanhamento deve ser mais rigoroso, como orienta o cardiologista Lázaro Miranda, coordenador da cardiologia do Hospital Santa Lúcia. Nos três últimos meses da gestação, a pressão arterial aumenta em decorrência do maior volume de plasma. Por isso, mamães hipertensas estão predispostas ao um quadro de pressão excessiva, o que pode desencadear a chamada eclâmpsia. Em sua manifestação aguda, o desequilíbrio pode ocasionar edemas pulmonares, convulsões, AVCs, hipertensão crônica e até levar a óbito. Para a criança, também há inúmeros prejuízos quando a pressão da mãe está descontrolada. Ela pode nascer antes da hora, abaixo do peso, ou ter uma hipovascularização, que compromete o desenvolvimento cognitivo.

Prejuízos que devem ser visto como hipóteses e não uma certeza por essas mães. “O desejo reprodutivo é inerente à vida e não é uma doença que vai impedir essa mulher de ter filhos”, considera a ginecologista Lauriene de Sousa Pereira, médica do Hospital Anchieta e especialista em reprodução assistida. “Hoje temos conhecimento melhor das medicações que causam má formação em bebês. Além disso, temos uma série de exames laboratoriais e de imagem que permitem observar o desenvolvimento da criança e o estado de saúde da mãe. A maior complicação é a falta de acompanhamento”, acrescenta a médica.

O amor que tudo vence
Mulheres com doenças autoimunes atravessam um processo muito particular durante a gestação: a enfermidade tem os sintomas amenizados ao longo dos nove meses. Por mais contraditório que possa parecer, o corpo não reconhece o embrião e o identifica como um corpo estranho. Se fosse assumir sua função com eficiência, o sistema imunológico entraria em ação para defender o organismo e poderia rejeitar o feto. Para que isso não aconteça, a sábia natureza enfraquece as defesas durante a gestação.

É o caso da artrite reumatoide, que acomete especialmente as mulheres entre 35 e 50 anos. O mal provoca dores, inchaços e pode comprometer os movimentos, mas, durante a gravidez, as manifestações declinam em 75% das pacientes. Isso não dispensa as visitas frequentes ao reumatologista durante a gravidez. “Por causa das alterações hormonais, os sintomas, no entanto, pioram após o parto. Além disso, é preciso trocar a medicação para artrite por uma outra que seja também eficiente, mas não represente risco à mãe ou ao bebê”, alerta a reumatologista Lícia Maria Henrique da Mota, coordenadora da Comissão de Artrite Reumatoide da Sociedade Brasileira de Reumatologia.

Boa parte das medicações usadas para controlar a doença é incompatível com a gravidez e, por isso, deve ser substituída por volta de dois anos antes da chegada do bebê. Além disso, certas drogas que tratam o problema também deverão ser suspensas durante a amamentação. “Os novos conhecimentos nos permitiram planejar o momento mais adequado para cada gestação, dependendo da atividade da doença materna e das medicações em uso”, garante a médica. “A questão é que 45% das pacientes com artrite reumatoide desconhecem o risco da gravidez”, acrescenta.

Ao contrário da artrite, porém, o lúpus — uma doença autoimune que provoca inflamações em tecidos saudáveis (pele e mucosas, por exemplo), além de alterações nos pulmões, no coração, nos rins e no sistema nervoso central — pode ser ativado durante a gravidez, exigindo mais cuidados por parte da equipe que acompanha essa paciente. No entanto, esse mal não altera a fertilidade e não impede que a mulher seja mãe. “Até os anos 1980, acreditava-se que quem tinha lúpus não poderia engravidar porque a doença piorava, elevando o risco de trombose e parto prematuro”, comenta o reumatologista Roger Levy, responsável pelo ambulatório de gestantes com doenças reumáticas e trombofilias do Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Atualmente, porém, há medicações que controlam o problema sem colocar em risco a formação do embrião e a saúde da mulher. “Alguns medicamentos devem ser suspensos três meses antes de a paciente engravidar. Pesamos o custo-benefício e elegemos uma medicação com a mesma eficácia e menos efeitos colaterais”, explica Roger. Escolher um período de remissão da doença para aumentar a família também é uma decisão acertada.

Alguns exames são feitos em pacientes de lúpus para identificar a presença de anticorpos que podem deixar sequelas no bebê, como o anti-RO/SSA, que aumenta as chances de a criança nascer com problemas cardíacos e pode até demandar a implantação de um marcapasso logo após o parto. A síndrome do lúpus neonatal também é outro risco. Nela, o rebento herda da mãe as manchas de pele provocadas pela doença. A diferença é que, nos pequenos, elas somem com o tempo. “Nos casos mais graves e sem os cuidados médicos, a mulher pode ter pré-eclampsia, agravamento dos sintomas da doença, manifestações graves de problemas renais e até sofrer um abortamento”, alerta Lícia.

Sem se focar nas possíveis complicações do lúpus, a assessora de projetos Gabriela Abreu, 31 anos, decidiu realizar o sonho de ser mãe. Em 2008, ela descobriu que a doença era a responsável pelas manchas avermelhadas que maculavam sua pele muito clara. No sol, como é próprio da doença, ela ficavam ainda piores. Antes de confirmar o diagnóstico, desconfiaram de alergia e até de câncer.

Ela começou a tomar a medicação para controle do problema e a fazer uso de métodos contraceptivos durante o tratamento. Quando planejou ser mãe, procurou acompanhamento da reumatologista. Passou a fazer exames periódicos a cada fase da gravidez que pudesse ativar anticorpos que comprometessem a saúde de Iara, que nasce no início de fevereiro. “Em momentos distintos da gravidez, podem ser ativados anticorpos diferentes, mas, no segundo trimestre, não tem mais isso. No pós-parto, o lúpus pode ser reativado, mas vai ser momento de tantas outras coisas que procuro não focar na doença”, diz Gabriela, que já planeja o segundo bebê.

Zuleika de Souza/CB/D.A Press
"Eu pensei: 'Vou aproveitar agora que estou bem e posso cuidar dos meus filhos'. Não sei como será minha vida daqui para frente, então não quero esperar muito" - Patrícia Barbosa (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
Também foi em um período de remissão da esclerose múltipla que a dona de casa Patrícia Barbosa (foto), 28 anos, escolheu para ser mãe. Durante a gestação, ela não toma a dolorosa medicação para controlar as sequelas da doença degenerativa, progressiva e sem cura, em que o corpo cria anticorpos que destroem a chamada bainha de mielina (revestimento dos axônios dos neurônios), comprometendo o comando do cérebro e incapacitando o paciente.

Para desacelerar o avanço da doença, Patrícia, que descobriu o problema há oito anos, toma uma injeção três vezes por semana. “Dói muito”, diz. Mas é graças a elas que os surtos, que a jovem tinha a cada seis meses, são controlados. A doença pode se manifestar de diversas maneiras e, no caso dela, aparecia em comprometimentos reversíveis. O primeiro foi a perda da visão, que depois recuperou. Seis meses depois, ela começou a sentir uma dormência que a impediu de andar por quase um mês.

Todas as vezes que os sintomas apareciam, Patrícia era internada. Até hoje está sem sequelas, mas não sabe até quando terá a mesma sorte. Por isso, quando se casou em 2010, começou a se planejar para ter um bebê. “Eu pensei: ‘Vou aproveitar agora que estou bem e posso cuidar dos meus filhos’. Não sei como será minha vida daqui para frente, então não quero esperar muito”, avalia.

Manuela completou 3 anos. Enquanto estava grávida dela, Patrícia não precisava tomar a medicação, já que a doença tem uma remissão durante a gestação. O problema é que as chances de novos surtos aumentam no pós-parto e a recomendação é que a mãe volte a ser medicada imediatamente. Ela, porém, decidiu correr um outro risco. Queria amamentar e não tomou os remédios por mais de um ano, já que as drogas passariam para o leite e fariam mal ao bebê. “A médica dizia que eu era louca.”

Permaneceu sem a medicação até que a visão de um de seus olhos começou a falhar. Em quatro meses, ela já não enxergava mais nada e teve que ser internada mais uma vez. “Foi a primeira vez que me separei da minha filha. Quase entrei em depressão”, conta.

O susto a fez ficar alerta que é preciso ter cautela quando o desejo incondicional de exercer os prazeres da maternidade pode colocar a própria vida em risco. Grávida de três meses do segundo filho, hoje Patrícia entendeu que é preciso tomar as precauções impostas pela doença. Desta vez, pretende amamentar só seis meses, período após o parto em que continuará sem as injeções. “A pediatra não recomenda passar mais tempo sem”, diz. Nem ela, que abandonou o emprego para estar perto da prole, quer correr o risco de estar sem saúde para cuidar de seus filhos. “Tudo que sofri foi para ser mâe de verdade e não para deixar outra pessoa criar”, garante.

Zuleika de Souza/CB/D.A Press
%u201CQuero ser mãe 24 horas por dia. Não tenho coragem de reclamar de nada%u201D - Lina Glanzman (foto: Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
“Quero ser mãe 24 horas por dia. Não tenho coragem de reclamar de nada”, conclui a promotora de Justiça Lina Glanzmann (foto), 35 anos. Ela é mãe de Rafael, de 5 meses e meio, mas tê-lo em seus braços exigiu dela superação emocional e controle de uma doença que provoca coágulos sanguíneos e dificulta o sucesso da gestação, além de aumentar as chances de ter uma trombose venosa profunda, um tromboembolismo pulmonar ou um AVC.

A doença que Lina carrega na sua genética altera o sistema de coagulação do corpo. Isso faz com que o sangue perca a fluidez antes de irrigar a placenta, que, sem a circulação, acaba se descolando e interrompendo a gravidez. Ela desconhecia o problema até sofre um aborto na oitava semana de sua primeira gestação.

Foi um momento muito difícil para Lina. Até hoje, emociona-se ao contar o fato. “Fiquei muito ansiosa com a possibilidade de meu corpo não poder gerar uma criança e isso se somou à tristeza de perder um filho”, lembra. Passado o primeiro susto, ela e o marido tentaram novamente. Passaram por uma bateria de exames até chegar à palavra trombofilia. A doença é um sério complicador para o sonho de ser mãe, mas o casal não se intimidou. Fizeram fertilização in vitro e, nos meses seguintes, a promotora foi acompanhada de perto por médicos especialistas. Os primeiros 90 dias foram de repouso absoluto. Lina teve de aplicar injeções anticoagulantes todos os dias durante os nove meses seguintes — e manter o procedimento 40 dias após o nascimento do primogênito.

A mesma medicação que garantiria a vida do bebê era também a que aumentaria as chances de essa mãe ter uma hemorragia na hora do parto, quando naturalmente perderia mais sangue. Lina precisaria parar de tomar o remédio 12 horas antes da chegada de Rafael e, por isso, não poderia correr o risco de entrar espontaneamente em trabalho de parto.

A moça também não podia se livrar meias de compressão nenhum dia sequer e, a cada 15 dias, ia ao médico. O número de exames também foi bem maior do que o recomendado para uma grávida sem complicaçõe, mas assim deve ser em casos de risco. “Eu ficava pensando porque algumas mulheres engravidavam tão fácil, algumas até de maneira indesejada, e eu estava passando por tudo aquilo”, confessa. Agora não quer mais respostas. Prefere ter planos e, entre eles, aumentar a família em breve.

CB/D.A Press
"Foi pesado, mas eu sabia o tempo todo que ia dar certo" - Ekaterini Hadjirallis (foto: CB/D.A Press)
Apesar da realização que a maternidade lhe proporcionou, a psicóloga Ekaterini Hadjirallis (foto), 37 anos, não enfrentaria mais nove meses de espera por um bebê. Paraplégica por sequela de um acidente quando criança, ela sempre desejou ser mãe, embora soubesse que a gestação em cima de uma cadeira de rodas seria um fator complicador. Engravidou naturalmente, e para a incredulidade de alguns, vieram gêmeas: Luiza e Manuela, de 3 anos.

A gravidez de Ekaterini foi de risco, como se pode supor. Por não ter o movimento das pernas, a circulação sanguínea fica comprometida e multiplicam-se as chances de trombose, especialmente com o aumento do fluxo sanguíneo decorrente da gestação. No quarto mês, a psicóloga teve uma dilatação anormal do útero, precisou fazer uma cirurgia e teve a recomendação de permanecer em repouso absoluto.

A partir de então, ela não saiu mais da cama. Para evitar complicações, não podia se movimentar, exceto para tomar banho. Ainda assim, deveria fazer isso em 10 minutos e voltar ao repouso. Nesse período, a ajuda do marido foi fundamental.

Foram dias intermináveis, nos quais o calor, a dor na coluna, a dor de cabeça e a dificuldade de respirar eram uma constante. Fisioterapia ela não podia fazer. Até a médica ia vê-la em casa. O enxoval das meninas, Ekaterini comprou pela internet. A decoração do quarto delas foi orientada da cama mesmo. Ela via por fotos o andamento da arrumação e dizia se estava bom ou se deveriam mudar algum detalhe. “Foi pesado, mas eu sabia o tempo todo que ia dar certo”, comenta.

Até que chegou a hora do parto, prolongado até onde foi seguro. As crianças nasceram de sete meses e meio. Por serem prematuras, uma delas ficou 15 dias internada. A outra só foi para casa depois de um mês de vida. Mas tudo passou e Ekaterini acompanha hoje cada passo das filhas. A psicióloga faz questão de encontrar uma maneira de dar banho e levar as meninas para a escola, por exemplo. E tem conseguido superar todos os novos desafios.

Iano Andrade/CB/D.A Press
Diagnosticada com endometriose, Gizela Lucy Barros não desistiu do sonho (foto: Iano Andrade/CB/D.A Press)
A policial Gizela Lucy Barros (foto), 37 anos, sempre soube que teria uma filha de nome Maria Luíza. Só nunca desconfiou as dificuldades que teria de enfrentar para tê-la nos braços. Enquanto amamenta a menina, conta a sua história e os olhos se enchem de água. Foi preciso superar muita dor física e insegurança emocional para conseguir ser mãe.

Há mais ou menos quatro anos, Gizela foi diagnostica com endometriose. O problema dificulta significativamente a possibilidade de a mulher engravidar. “Sabemos que entre 50% e 70% das mulheres com a doença têm infertilidade e que cerca de 40% das mulheres com infertilidade têm endometriose”, contabiliza o médico Frederico Corrêa, responsável pelo Centro de Excelência em Endometriose, do Hospital Santa Lúcia e membro da Comissão Nacional de Endometriose da Febrasgo (Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia).

Isso acontece porque, nesses casos, o organismo é incapaz de destruir as células do endométrio (a membrana que reveste a parede uterina) quando a paciente menstrua e, naturalmente, deveria eliminá-las. Assim, essas células acabam obstruindo as trompas e impedindo a passagem dos óvulos. Também liberam substância tóxicas, que acabam prejudicando a interação entre óvulo e espermatozoide. A doença ainda pode levar a dolorosas desordens ovulatórias e alterações embrionárias.

O tratamento é outra barreira. As medicações usadas são hormônios que impedem a gravidez em função do bloqueio do funcionamento dos ovários e da atrofia do endométrio. Em outros casos, porém, recomenda-se a cirurgia. “Como é uma doença crônica, o ideal é a mulher operar e logo tentar a reprodução assistida, já que o problema pode voltar”, explica o médico.

Por causa da dor que a deixava incapacitada de sair da cama por 7 ou 8 dias durante o período menstrual, Gizela procurou ajuda. Ela demorou a saber que tinha a doença. “Eu estava acostumada com as cólicas e achava que era normal”, comenta. Muitas, assim como ela, levam muito tempo para identificar o mal. “Cerca de 60% das pacientes só ficam sabendo da doença quando tentam ter filhos. Podem levar até oito anos para ter o diagnóstico”, acrescenta Frederico Corrêa. Um erro. Uma dor insuportável nos dias da menstruação é sinal de alguma disfunção.

Para controlar a doença, a policial foi operada. Descobriu, então, que a doença tinha se espalhado para o reto, o intestino, o ovário, a bexiga e o útero. Ela só não soube de imediato que o médico havia avisado ao marido dela que, provavelmente, “seria muito difícil engravidar” por causa da extensão da doença. Somado a isso, anos antes ela já tinha tirado o ovário direito e parte do esquerdo por causa de um cisto, o que dificultaria ainda mais as coisas.

Gizela conta que a recuperação foi demasiado sofrida. No saldo, 10 dias internada, 10 dias sem conseguir comer, 8 quilos a menos e uma dor que, de tão lancinante, parecia que provocaria um desmaio. Mas ela se recuperou. Um ano e meio depois, estava grávida. Sem fertilização. Ela faz parte das estatísticas que apontam que 40% das mulheres com endometriose engravidam sem tratamento. Hoje, conta sua história de superação com a filha nos braços. “Realizei todos os sonhos da minha vida”, resume.

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