De obesa a magrinha: colunista de gastronomia perde 55 quilos e conta história em livro

Ao atingir 137 quilos e ser considerada obesa mórbida, a Fernanda Thedim aceitou o desafiou da editora da revista onde trabalhava para documentar o processo de emagrecimento

por Juliana Contaifer 29/11/2013 15:30

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Fernando Lemos/Divulgação
A jornalista ainda quer perder 5 quilos: "Está sendo mais difícil manter do que emagrecer. Quando a gente está na dieta, sabe quantos quilos tem que perder. Agora, minha dieta está muito mais maleável, posso me dar alguns luxos, mas chega uma hora que eu acabo me dando luxos demais - aí a balança reclama" (foto: Fernando Lemos/Divulgação)
Fernanda Thedim sempre foi gordinha. Desde pequena, sofria com as brincadeiras dos amigos na escola por conta dos quilos a mais — aos 12 anos, atingiu o patamar dos 80kg. Aos 18, a balança entrou nos três dígitos. Já adulta, assumiu o posto de colunista de gastronomia em uma revista e aí as refeições saíram do controle. Orgulhava-se de se sentar à mesa e provar quase todos os pratos do cardápio, ignorando as situações vergonhosas, como cadeiras que cederam ao peso no meio de uma refeição.

Ao atingir os 137kg e ser considerada obesa mórbida, Fernanda aceitou o desafio de sua editora — documentar o processo de emagrecimento em uma reportagem. Durante um ano, seguiu uma dieta restrita, consultas semanais com um endocrinologista e a temida academia. O resultado? Cinquenta e cinco quilos a menos. Ainda faltam 5kg para o peso ideal, mas, segundo Fernanda, a batalha está longe de acabar.

Depois da reportagem, o projeto seguinte foi escrever um livro no qual documentava toda a “guerra”. Assim nasceu Corpo novo, vida nova — diário de uma ex-obesa. Nele, nada de dieta, mas algumas dicas valiosas de alguém que sofreu durante um ano para alcançar o peso ideal. Em entrevista à Revista, Fernanda conta como foi a experiência.

Por que resolveu escrever o livro?
O que me motivou muito foi a reação das pessoas à reportagem que eu havia feito. Recebi um e-mail de uma moça falando que a irmã dela tinha 15kg a mais e não conseguia emagrecer de jeito nenhum, já tinha tentado um milhão de dietas malucas e nunca dava certo. Ela resolveu engordar para fazer a cirurgia de redução de estômago, achou que era a chave para resolver o problema. Ela foi para a mesa de cirurgia e morreu. A irmã dela me disse que queria ter tido a chance de mostrar para ela minha reportagem, para mostrar que é possível. Acho que, hoje em dia, criou-se uma ideia de que emagrecer pelo jeito tradicional, com dieta e exercícios, é muito difícil — e é mesmo. O livro é para mostrar que não é impossível.

Sua dieta era de poucos carboidratos e muitas proteínas. Como foi deixar de ser colunista de gastronomia, sempre cercada de comida, e mudar para uma dieta de calorias contadas?
É uma escolha. Eu sempre tive problema com comida, não era uma novidade estar gorda. Por fazer a coluna de gastronomia, eu tinha a desculpa perfeita. “Sou crítica de gastronomia e tenho que comer à vontade.” Quando deixei esse cargo, não tinha mais desculpa para me encher de comida, então meu objetivo, teoricamente, ficou mais fácil. Mas, até hoje, se passo na frente de um brigadeiro, tenho que pensar mil vezes para não pegar. Tudo ainda é muito tentador.

Como faz para driblar as saídas com os amigos?
Eu tento comer alguma coisa antes. Se eu sei que vou sair, tento fazer um lanche dentro do permitido, nunca deixo para comer nos lugares. Se não tem jeito, eu peço logo uma salada — assim, quando chega a batata frita dos amigos, fica um pouco mais fácil resistir.

Você foi diagnosticada com um transtorno de autoimagem, ou seja, não se via tão gorda quanto estava, uma espécie de anorexia às avessas. Acha que foi superado?
Eu me olhava no espelho e me via gorda, mas não tanto assim. Acho que eu criava uma imagem mais magra na minha cabeça para me aceitar melhor, para que aquela obesidade toda não me atingisse. É como nos Alcoólatras Anônimos, você tem que aceitar que tem um problema, aceitar que está gorda, que está com 130kg, e falar que “sim, isso está acontecendo e preciso emagrecer”.

Divulgação
"Acho que a comida é o pior dos vícios, porque você não tem como escapar" (foto: Divulgação)
Quão importante foi o acompanhamento nutricional? E a academia?
Eu não teria conseguido sozinha. É óbvio que dependeu de mim, mas quanto mais armas e aliados a gente tiver na guerra, mais forte fica. Meu professor da academia dizia que exercício é que nem escovar os dentes. Nenhuma criança quer fazer, mas, com o tempo, vira hábito. Confesso que ainda não é automático. Tenho, sim, preguiça, mas hoje vou com menos dificuldade.

Uma dificuldade comum de quem está no processo de emagrecimento é continuar motivada depois que as pessoas percebem que você perdeu peso. Como conseguiu continuar firme na dieta?
Está sendo mais difícil manter do que emagrecer. Quando a gente está na dieta, sabe quantos quilos tem que perder. Agora, minha dieta está muito mais maleável, posso me dar alguns luxos, mas chega uma hora que eu acabo me dando luxos demais — aí a balança reclama. Eu já engordei um pouquinho e tive que fechar a boca de novo. É uma batalha diária, eu tenho uma balança em casa e me peso todo dia. Já estou aceitando que vai ser assim para o resto da vida, nunca vou poder me permitir comer o que quiser porque sei que tenho um problema.

Entrou em pânico quando viu que tinha engordado um pouquinho?
Sim! Minha solução foi entrar no Instagram (@fethedim) e criar um projeto. Está funcionando, assim eu me mantenho focada para perder os últimos 5kg. Formou-se uma grande rede no Instagram de pessoas que seguem um estilo de vida mais saudável. Resolvi entrar nesse modismo e está sendo ótimo — sua vida vira quase um Big Brother de gordo, você se sente obrigado a postar coisas legais, a comer um prato bem bonito e saudável.

Como você acha que vai ser a vida depois que perder os últimos quilos?

Acho que a guerra vai continuar, não posso descuidar. Vou ter que continuar cuidando e vigiando, é muito fácil para mim sair do eixo. Pelo meu histórico, é muito fácil. Acho que a comida é o pior dos vícios, porque você não tem como escapar. É preciso almoçar e jantar, é uma necessidade do seu corpo — toda hora, vou ter que fazer essa escolha, se como a besteira ou continuo com a alimentação saudável. Vai ser para o resto da vida. Morro de medo de engordar de novo. Agora tenho outra vida, sou uma pessoa disposta, bem-humorada, de bem com a vida. Coisas simples me dão muito mais alegria agora. Poder comprar uma roupa, vestir-se e não se sentir incomodada é maravilhoso.

Como é sua relação com as roupas?
As de antes da dieta, eu joguei tudo fora! Não quero nem ter perto de mim para não correr o risco. Eu tinha a meta de entrar em uma calça jeans que tinha guardado. Quando entrei, entendi que estava no caminho certo — e eu ainda não tinha terminado de emagrecer... O peso que tenho hoje é o mesmo de quando tinha 10 anos, então nem tem roupa antiga em que eu queira entrar.

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