A banda Graveola e o Lixo Polifônico lança o CD 'Camaleão borboleta'

Mais relevante banda formada recentemente em BH, ela se tornou referência pela música e pela método de trabalho coletivo

por Mariana Peixoto 10/06/2016 08:49

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VÂNIA CARDOSO/DIVULGAÇÃO
(foto: VÂNIA CARDOSO/DIVULGAÇÃO)
'Camaleão borboleta' não é apenas o sexto trabalho do Graveola e o Lixo Polifônico, a mais relevante banda formada em Belo Horizonte neste início de século. O sexteto se tornou referência tanto por sua música quanto pelo método de trabalho, que referenda o conceito de coletivo que domina a produção musical contemporânea.

“O disco é um divisor de águas para o Graveola em sua busca pela sustentabilidade. Vamos ver como ele vai ecoar no Brasil e fora dele para entender as pernas que temos para continuar com o trabalho”, afirma o guitarrista, cavaquinista e compositor José Luis Braga.

Camaleão borboleta será lançado hoje no site da banda (graveola.com.br) e do Natura Musical (naturamusical.com.br), gratuitamente. Amanhã, estará disponível nas plataformas de streaming. São 10 faixas gestadas ao longo de 2015 de uma forma que a banda nunca havia trabalhado. Sem pressa, com tempo (e recursos) para maturar toda produção. E mais importante: com um produtor “de responsa” pilotando o projeto.

Depois de décadas vivendo no Rio de Janeiro, Chico Neves voltou, há três anos, para a cidade onde nasceu. Na região de Nova Lima, mantém o Estúdio 304, montado em sua própria casa. “Chico tem uma metodologia bem artesanal. Ele preza a forma de trabalho que não seja pragmática, havia relação afetiva atrás de tudo. Às vezes nos encontrávamos com ele e nem gravávamos, apenas conversávamos, ouvíamos música”, relembra José Luis.

Graveola é coletivo desde sua origem, há 11 anos. Com três cantores e instrumentistas que atuam como compositores (José Luis, Luiz Gabriel Lopes e Luísa Brina) e três instrumentistas também arranjadores (Bruno de Oliveira, baixo; Gabriel Bruce, bateria; e Ygor Rajão, trompete e escaleta), o grupo dividia a autoria das canções. Neste projeto, houve uma divisão: são três canções de José Luis, outras três de Luiza e quatro de Luiz Gabriel. Eles assinam sozinhos ou com parceiros além da banda.

identidade “A música chega crua para o grupo e é completamente transformada (na gravação), já que os arranjos são coletivos. A música ganha identidade. É isso que unifica o aspecto composicional do grupo”, continua José Luis. Em Camaleão borboleta o Graveola está mais tropicalista do que nunca. Ouve-se nas 10 canções franca referência aos ritmos afrobrasileiros. Mas há ainda latinidade, um diálogo para além das fronteiras físicas.

Back in Bahia (Luiza Brina e Gabo Gabo) é homenagem à Back in Bahia de Gilberto Gil. Com letra em inglês, lenta, quase etérea a despeito das percussões, busca explicitar a paixão de Luiza pela Bahia. “Acho essa música mais Caetano do que Gil. Foi uma tentativa da Luiza em elucidar a referência que tem deles”, diz José Luis.

Talismã (Luiz Gabriel/Gustavito/Chicó do Céu) é um ijexá que busca enfatizar as influências. Luiz Gabriel dividiu os vocais com Samuel Rosa (os dois cantando no mesmo registro), que chegou ao grupo por meio de Chico Neves (produtor de vários álbuns do Skank).

Tempero segredo (José Luis Braga) remonta ao lado mais contestador do Graveola. A letra permite mais de uma leitura – o tempero do título é uma erva secreta, por assim dizer. “Gosto muito de cozinhar e o uso de erva pode fazer bem para as pessoas. Comecei a pensar na legalização da maconha, embora nem fume, assunto tabu dentro de um cenário político altamente retrógrado”, continua José Luis.

Com o trabalho maduro e pronto para vir a público, o Graveola vai passar os próximos meses na estrada. Embarca no fim deste mês para nova temporada europeia para fazer ao menos uma dúzia de shows, alguns de destaque – em 1º de julho, o grupo se apresenta no festival Roskilde, na Dinamarca, um dos maiores eventos de verão da Europa.

No fim de julho, a banda dá início à temporada nacional. A estreia será em 6 e 7 de agosto, no Cine Theatro Brasil, em Belo Horizonte. A preços populares, garante José Luis.

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