Receita típica da América do Norte, a poutine, à base de batatas fritas, caiu nas graças dos mineiros

Na capital, dois estabelecimentos oferecem o petisco, que ganhou combinações nacionais para agradar o paladar dos brasileiros

por Aline Gonçalves 18/11/2016 09:22

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Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press
Poutine é servido em Santa Tereza, no 815 Botequim, e na Savassi, no Pretty Good. (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press )

Se fizessem listagem das receitas não tão bonitas, mas que se tornaram tradicionais, a poutine, que consiste em batata frita, queijo e molho, estaria lá (ao lado da feijoada, possivelmente). Típico de algumas regiões do Canadá, esse petisco chegou a BH pelas mãos dos próprios mineiros a pelo menos dois estabelecimentos, que agora apresentam novidades.


Por aqui, o preparo ganhou combinações abrasileiradas, claro. O curd cheese, similar ao queijo coalho, é quase sempre substituído pelo canastra. Enquanto o molho gravy, um tipo de caldo de carne, dá lugar a diferentes misturas. Em geral, também são incluídos outros elementos. ''Uso muito embutidos do Dr. Linguiça, cuja produção é sem conservantes. Já a batata não é aquela massa que compramos no supermercado'', diz José Carlos Rodrigues, um dos sócios do 815 Botequim, no Santa Tereza, especializado no petisco desde 2013.

O sucesso do produto é tanto que, há um mês, a casa lançou um rodízio de poutines. Ao preço de R$ 31,90 por pessoa, é possível degustar porções menores de oito criações, como carne-seca com cebola caramelizada e calabresa. A porção regular, que serve de duas a três pessoas, custa R$ 34,90. Também nova no cardápio, a poutine doce mescla batata frita e sorvete (R$ 12). ''É surpreendente, mas todo mundo adora'', garante Rodrigues.


Formado em gastronomia, ele conheceu o petisco pela televisão. Quando o chef Anthony Bourdain mostrou a combinação em seu programa, Rodrigues e um amigo, que era proprietário de outro bar já fechado, resolveram testá-la. ''Lembro-me que eles fritavam a batata em gordura de pato e a gente tentou prepará-la assim, mas o preço tornaria a venda inviável'', revela. Quando Rodrigues abriu seu boteco, concluiu que esse seria o carro-chefe. ''Em BH, às vezes é difícil encontrar algo diferente, bem executado e com preço razoável. Minha ideia é ter petiscos legais que se enquadrem nisso'', diz. Entre os seus clientes estão pessoas que moraram no Canadá para trabalhar ou estudar.

FOOD TRUCK

Foi justamente quando estudava inglês no país da América do Norte que a empresária Aline Carvalho provou o poutine pela primeira vez. Até o mês passado, ela servia o item apenas em seu food truck, Pretty Good, até que decidiu investir também em uma loja na Savassi. ''Quando começamos, há dois anos, nosso food truck era para ser de cafés especiais e incluí o poutine para ter uma opção salgada. Em um mês, o sucesso do petisco foi tanto que mudamos a proposta'', diz.

Por noite, Aline chega a vender 150 porções individuais de poutine no food truck. Entre as mais pedidas estão a de carne de sol com cebola caramelizada, além da costela de porco desfiada e reduzida no vinho. Tanto na loja quanto no carro, elas saem a R$ 13 ou R$ 15, dependendo do tamanho. O molho também varia e pode ser um refogado de tomate com barbecue. Tudo é preparado diariamente na loja. ''O processo não é tão rápido quanto se pode imaginar. Alguns molhos são reduzidos por até duas horas'', diz. Autodidata, Aline acaba de lançar uma sobremesa em referência à poutine. Não leva batatas, mas palitos de churros, um ingrediente que derrete com o marshmallow ou mesmo queijo, além de calda quente, que pode ser de chocolate ou goiabada, por exemplo.

815 Botequim
Rua Mármore, 383, Santa Tereza, (31) 98203-7046. Funciona de terça a sábado, das 18h à 0h.

Pretty Good
Rua Professor Moraes, 476, lj. 3, Funcionários, (31) 2520-6099. Funciona de terça a quinta, das 11h30 às 21h; sexta, das 11h30 às 23h; sábado e domingo, das 17h às 23h (horários e locais do food truck são informados pelas redes sociais).

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