Com cardápio repaginado restaurante do Mercure abre portas para a rua à espera de novos públicos

Hotel no Santo Antônio tem cozinha comandada por Samira Lyrio, chef do extinto Flores, na Serra.

por Eduardo Tristão Girão 13/05/2016 08:00

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Leandro Couri/EM/D.A Press
(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press )
Houve um tempo em que os restaurantes de hotel em Belo Horizonte desempenhavam papel diferente do de hoje. Eram pontos de encontro da elite e referências da cozinha europeia tradicional. Com o passar dos anos, tornaram-se santuários de pratos à moda antiga, perdendo lugar, sobretudo, para as casas que começaram a mudar a cara da gastronomia na cidade a partir da década de 1980. Lentamente e com esforços isolados, a hotelaria da capital mineira tenta recuperar parte desse espaço e o exemplo mais recente é o Sargas.

O restaurante fica no térreo do Hotel Mercure, no Santo Antônio, e os dois foram inaugurados na mesma ocasião, 15 anos atrás. “O Sargas foi concebido para atender a demanda interna e, por muito tempo, seguimos essa filosofia. Como não tínhamos muito movimento no sábado, negociamos com o hotel para que pudéssemos explorar também o público externo, daí termos a feijoada aos sábados”, explica Luís Veríssimo, gerente de alimentos e bebidas do hotel.

De fato, o almoço com feijoada aos sábados (R$ 59 por pessoa, incluindo sobremesa e um drinque) tornou-se o atrativo principal. A transformação pela qual o restaurante acaba de passar tem como objetivo fazer com que o público (que ainda não frequenta um ambiente desse com naturalidade) venha a comer outros pratos. Decoração, comidas, bebidas e serviço foram reformulados por Márcio Oliveira (um dos principais consultores de vinho da cidade) e Samira Lyrio (chef do extinto Flores, na Serra).

A primeira providência foi abrir uma porta independente só para dar acesso ao salão, que foi todo repaginado e ganhou adega climatizada para 1,5 mil garrafas. O bufê de almoço foi extinto, substituído por pratos executivos oferecidos em estratégia competitiva: salada, um grelhado e um acompanhamento (além de arroz, feijão e farofa) na casa dos R$ 30; uma opção vegetariana; sobremesas a partir de R$ 8; serviço rápido; ar-condicionado; e estacionamento coberto e com manobrista a R$ 8.

FLERTE A estrutura da cozinha sofreu pouca alteração e a maior parte da equipe foi mantida, incluindo o chef que lá está desde a abertura, Geraldo Brito. Samira treinou a equipe, modificou alguns preparos (manteve outros, como o das massas) e comparece ao restaurante diariamente para consolidar o novo padrão. Quem frequentou o Flores poderá reconhecer o estilo dela no cardápio – em vez de tributos óbvios ao binômio França-Itália, flertes com Ásia e Mediterrâneo e muitas frutas (em chutney, ketchup, compotas e molhos).

Entre os destaques do jantar, almôndegas de cordeiro com molho de iogurte (R$ 28, petisco), badejo com vagem rasteira, molho de tamarindo e castanha de caju com acelga na manteiga de tomilho (R$ 62, individual) e espaguete vegano (feito com tiras de palmito pupunha) com legumes, cogumelo shiitake, leite de coco e folhas mineiras (R$ 38, individual). Apesar de medalhões de filé e costeletas de cordeiro com risotos e musselines terem (pequeno) espaço ali, não há sinal de filé à parmegiana ou qualquer outra pedida retrô do tipo.

Por fim, a feijoada segue a mesma receita de antes, cozida com os “pertences” todos juntos, embora servidos separadamente. Para beber, há long necks a partir de R$ 6,50 e vinhos começando em R$ 59 (garrafa). Para breve, há a promessa de ter também vinhos e cervejas produzidos em Minas Gerais.

Sargas – Hotel mercure
Avenida do Contorno, 7.325, Santo Antônio. (31) 3298-4150. Aberto de domingo a sexta, das 12h às 15h30 e das 19h à 0h; sábado, das 12h às 16h30 e das 19h à 0h.

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE GASTRONOMIA