Jovem percorre interior mineiro em busca de ingredientes especiais para criar receitas com identidade das Geraes

Apaixonada por cozinha, Elizabeth Menezes, de 26 anos, largou o curso de economia para se dedicar à culinária

por Laura Valente 08/11/2015 14:00

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Leandro Couri
(foto: Leandro Couri)


Ela já ensaiava em casa, principalmente para se virar na cozinha durante a ausência da mãe, mas foi mesmo durante um intercâmbio em Dublin, na Irlanda, que a cozinheira desabrochou. “Viajei para aperfeiçoar o inglês e tentar me encontrar pois cursava a faculdade de economia há três anos sem saber ainda se seguiria a carreira. Então, comecei a trabalhar em bares e restaurantes, a fim de aumentar o orçamento, e acabei descobrindo a minha vocação no ambiente da cozinha, trabalhando sob pressão, me interessando cada vez mais por livros, pesquisas, técnicas, pedindo para substituir os chefs durante as folgas”, lembra Elizabeth Menezes.


Ainda bem jovem, com 26 anos hoje, ela agarrou a oportunidade de aprender mais em cada brecha da cozinha e, quando o inverno chegou para gelar a terra do escritor James Joyce e diminuir o movimento de turistas, voltou para Belo Horizonte. Por aqui, a mãe, Luzi, e a avó, Isaura, ficaram surpresas com a firmeza da nova resolução: Beth havia decidido deixar a faculdade de economia para matricular-se em um curso de cozinheira. E não era papo furado. Ao mesmo tempo em que inscreveu-se no curso de tecnólogo do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), arregaçou as mangas e buscou novas experiências.

 

Cita como as mais marcantes estágios na Alessa (especialmente pelo interesse em confeitaria) e no premiado Glouton, em que aprendeu com o chef Léo Paixão a preferir os queijos de origem mineira para fazer todo o tipo de receita, até mesmo a que indica o uso de importados. “Não uso sequer o parmesão, mas apenas a produção típica de Minas como o canastra e o queijo do serro. E minha referência vem do Léo, que me ensinou a trabalhar características como a cura e a acidez para harmonizar receitas, interferir na textura e na consistência, provocar um impacto diferente do esperado e, por isso mesmo, surpreendente”, explica.


Não demorou para Elizabeth dar uma passo maior, abrindo o próprio negócio. Em um primeiro momento, elaborou o conceito. “O interior mineiro é muito presente na minha vida, principalmente por meio de experiências gastronômicas da minha infância em Itabirito e Dom Joaquim. Também penso muito em valorizar o produto artesanal que gosto de usar para diferenciar minhas receitas. Assim, misturei as referências e criei a Casa de Maria”, afirma.

 

Cookies de
capuccino


Ingredientes

Quatro colheres (sopa) de manteiga na temperatura ambiente, 10 colheres (sopa de açúcar mascavo), 2,5 colheres (sopa) de açúcar refinado, 1 colher (chá) de gengibre em pó, 1 colher (chá) de canela em pó, 1 colher (chá) de cravo em pó, 1 colher (chá )de essência de baunilha, 1 ovo, 2 copos americanos de farinha de trigo, 1 colher (sopa) de amido de milho, 2 colheres (chá) de fermento, 1 colher (chá) de sal, 3 colheres (sopa) de café solúvel.

Modo de fazer

Peneire os ingredientes secos: farinha de trigo, amido de milho, sal e fermento. Adicione o café solúvel. Reserve. Em outro recipiente misture levemente o ovo e a baunilha, reserve. No vasilhame da batedeira disponha a manteiga (em temperatura ambiente) e os açúcares. Bata com batedor raquete ou a mão, até homogenizar os ingredientes. Adicione a mistura de ovos e baunilha e misture. Por fim, adicione os ingredientes secos até ficar homogeneo. Não se deve bater demais, para que o biscoito fique firme por fora e macio por dentro. Para modelar, em tabuleiro previamente untado ou com papel manteiga, utilize uma colher de sopa ou de sorvete, fazendo formato semelhante a uma bolinha. Assar em forno pré-aquecido a 160 graus por aproximadamente 15 min. O biscoito estará pronto quando atigir a cor marron.

 

 

Biscoitos amanteigados

 

Misto de lanchonete, bistrô e empório, a Casa de Maria funciona há mais de um ano sob a batuta de mãe e filha. Elisabeth assina todas as criações culinárias, enquanto Luzi recebe os clientes e cuida da administração. Além das delícias que saem da cozinha ou são expostas diariamente nas vitrines (às sextas-feiras há sempre uma torta doce especial), há, ainda, produtos artesanais à venda, fruto da curadoria de Elizabeth em viagens por todo o estado. “Busco produtores artesanais realmente especiais em Ouro Preto, Montes Claros, Viçosa, Tiradentes, e onde mais prove e goste do sabor”, afirma. São geleias, doces (goiabada e de leite), compotas, conservas, azeites, mostardas, e muitos outros, sempre sem conservantes ou qualquer processo químico envolvido na produção. “Acho extremamente importante valorizar a troca de experiências entre o produtor e o cozinheiro. Na verdade, é uma filosofia de vida que parte do princípio de dar atenção ao ofício e ao sabor em busca de um resultado diferenciado”.


A rotina é puxada, pois diariamente a Casa oferece almoço executivo – sempre com uma opção de entrada e prato principal, cardápio de refeições para toda hora (que inclui clássicos como ovos mexidos e invencionices, a exemplo da quiche com abobrinha e castanha de caju), bolos, caldos e outros produtos. A linha de biscoitos amanteigados de diversos sabores têm se tornado coqueluche entre os clientes, pois tanto enriquecem um café como vêm embalados para presentear. “Parti da receita clássica de amanteigados, de sabores como canela, casadinho, nata, e introduzi novidades com recheio de caramelo salgado, um nomeado flor de jabuticaba, o de castanhas do Pará e de caju, o de café com leite e outros”, descreve. Com energia de sobra na cozinha, Elizabeth também aceita encomendas para criar o bufê de festas com até 150 convidados. E quer mais: “Para mim a gastronomia não é só um modismo, mas amor, dedicação, cuidado”.

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