Exposição em Ouro Preto faz tributo à obra de Alfredo Ceschiatti

Mostra reúne 18 estudos para esculturas de grande porte realizadas pelo artista em bronze e aço dourado

por Walter Sebastião 22/05/2015 09:52

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ALDO ARAÚJO/MUSEU DA INCONFIDÊNCIA/DIVULGAÇÃO
'O Peixe' é uma das 18 obras de Alfredo Ceschiatti que integram a mostra (foto: ALDO ARAÚJO/MUSEU DA INCONFIDÊNCIA/DIVULGAÇÃO)
“É uma exposição para relembrar Alfredo Ceschiatti”, avisa Ângela Maria Ceschiatti Barbosa da Silva, sobrinha do artista. “As esculturas dele continuam lindas e não podem ficar esquecidas. Têm uma beleza que enche os olhos”, acrescenta. A sensação de que a obra e o nome do artista estão caindo no esquecimento, diz ela, foi um dos motivos que a fizeram se embrenhar na realização da mostra 'Esculturas de Alfredo Ceschiatti', que será aberta nesta sexta no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto.


A mostra reúne 18 obras, 15 delas bronzes e três feitas com aço dourado polido. São estudos, em formato menor do que o original, de esculturas que o artista fez para projetos importantes. Vários deles para Oscar Niemeyer, amigo e admirador fiel da obra de Alfredo Ceschiatti. Entre essas estão 'Banhistas', instalada no Palácio do Planalto, e anjos e evangelistas feitos para a Catedral de Brasília. Também integra a exposição 'Abraço', peça que, segundo reza a lenda, foi durante muitos anos considerada imoral, até ser instalada nos jardins internos do Museu da Pampulha.


“Fico na esperança de que esta exposição possa abrir caminho para outras e, quem sabe, até livro sobre Ceschiatti”, diz Ângela. Alfredo Ceschiatti, segundo recorda a sobrinha, era um italiano da gema, expansivo, com gosto pela vida social e, às vezes, bravo. “Ele era motivo de orgulho da família.” Ver as esculturas do tio em espaços públicos importantes ainda é uma emoção para ela. “Como a operação Lava-Jato está em andamento, vejo todo dia na televisão a escultura da 'Justiça'”, brinca, citando a obra do tio que simboliza o Poder Judiciário e está instalada na Praça dos Três Poderes, na capital do país.

A exposição surgiu, como conta Margareth Monteiro, que assina a curadoria junto com Janine Ojeda e Aldo Araújo, em razão do interesse do Museu Mineiro em destacar um artista ainda pouco conhecido em Ouro Preto e região. A pesquisa acabou levando ao nome de Alfredo Ceschiatti, que morou em Ouro Preto, além de ter uma irmã que vivia na cidade (o cunhado chegou a ser diretor da Escola de Minas).


“Alfredo Ceschiatti é bem conhecido no meio dos artistas, mas pode e deve ser mais conhecido pelo público em geral”, defende Margareth Monteiro, contando que o escultor foi um homem despreocupado com publicidade em torno do que fazia. A força do artista, para a curadora, está no fato de as esculturas terem identidade autoral. “É um artista que imprime na estética moderna elementos barrocos”, afirma, lembrando-se de panejamentos, faces, movimento de asas de anjos que remetem à estética do século 18.

“Nas peças menores, até mais do que nas maiores, pode-se ver com clareza e riqueza de detalhes a arte de escultor caprichoso, que busca, nas formas humanas, simetrias e movimento”, observa a curadora. A pesquisa revelou um artista respeitado, com publicações e teses sobre sua obra, mas carente de registros audiovisuais.

 

Amizade com Niemeyer

 

Amigo e parceiro em suas obras, o arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012) escreveu a respeito de Alfredo Ceschiatti: “Como dois bons amigos, vamos caminhando pela vida. Eu, absorvido pela arquitetura, inventando formas, brincando com o concreto armado; ele, a fazer suas esculturas. Essas mulheres lindas, barrocas, cheias de curvas. Como gosto de vê-las!”.

A amizade entre os dois começa em 1944, com um convite para que Ceschiatti fizesse o baixo-relevo da Igreja de São Francisco de Assis. É de autoria dele a escultura 'Pampulha', que está em frente ao Museu da Pampulha, marco inaugural do modernismo arquitetônico em Minas Gerais. E, ainda, Abraços. Além de BH e Brasília, há trabalhos do escultor em São Paulo, como no Memorial da América Latina.

Alfredo Ceschiatti (1918-1989) nasceu em Belo Horizonte e morreu no Rio de Janeiro. Escultor, desenhista, professor, em 1938, viaja à Itália e se interessa sobretudo por obras de artistas renascentistas. Em 1940, no Rio de Janeiro, ingressa na Escola Nacional de Belas Artes, onde estuda escultura com Corrêa Lima (1878-1974), mas não conclui o curso. Frequenta o ateliê instalado na Biblioteca Nacional, que reúne também Bruno Giorgio (1905-1993) e José Pedrosa (1915-2002).

Ganha, em 1945, com o baixo-relevo realizado para a igreja São Francisco (MG), o prêmio de viagem ao exterior no 51º Salão Nacional de Belas Artes (RJ). O artista permanece na Europa entre 1946 e 1948. Na volta, realiza a primeira exposição individual na sede do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB/RJ). O artista participa, ainda, da 2ª Bienal de São Paulo e do 2º Salão Nacional de Arte Moderna. A partir de 1960, leciona escultura e desenho na Universidade de Brasília (UnB).

 

Esculturas de Alfredo Ceschiatti
Esculturas, desenhos, fotos, documentos e livros. Abertura nesta sexta, às 20h30. Sala Manoel da Costa Athaide, Anexo 1,
Museu da Inconfidência. Rua Vereador Antônio Pereira, 33, Centro Histórico. De terça a domingo, das 10 às 18h.
De sábado a 26 de julho. Entrada franca.

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