Clooney abre uma Berlinale com olhar voltado para crise dos refugiados

Festival de Cinema começou com a projeção de 'Ave, César!', dos irmão Coen, com ator no papel de um astro dos anos 1950

por AFP 11/02/2016 18:48

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JOHN MACDOUGALL/AFP
George Clooney e sua esposa Amal Alamuddin chegando para a sessão de 'Ave, César!' (foto: JOHN MACDOUGALL/AFP)
O ator e diretor americano George Clooney inaugurou nesta quinta-feira o Festival de Cinema de Berlim e anunciou a intenção de se engajar na crise dos refugiados, reunindo-se com a chanceler alemã, Angela Merkel, para falar sobre o tema.

A Berlinale, celebrada até 21 de fevereiro, começou com a projeção de Ave, César!, dos irmãos Coen. Esta comédia é uma declaração de amor à Hollywood clássica, com George Clooney no papel de um astro dos anos 1950 que desaparece em plena filmagem.

Conhecido por seu compromisso político e humanitário, especialmente sobre Darfur, o ator anunciou em coletiva de imprensa que iria "se reunir com Angela Merkel" na sexta-feira para "saber que coisas e que mensagens se pode transmitir (...) para ajudar" na crise dos refugiados.

O galã afirmou que também se reuniria com refugiados. "Dediquei muito tempo a estas questões. Meu interesse é total", disse o astro de 54 anos, que chegou a Berlim acompanhado da mulher Amal, de origem libanesa.

A crise dos refugiados é "um tema muito importante", insistiu o diretor Joel Coel ante à imprensa, na presença de outros atores de Ave, César!, como Channing Tatum, Tilda Swinton e Josh Brolin.

Enquanto os países da União Europeia enfrentam a pior crise migratória desde a Segunda Guerra Mundial, a Berlinale abordará com especial atenção o tema. Em 2015, a Alemanha recebeu mais de um milhão de solicitantes de asilo.

Na programação do festival, uma dezena de filmes abordará o impacto das migrações em um mundo globalizado. Na mostra competitiva será exibido o documentário "Fuocoammare" (Fogo no mar), do italiano Gianfranco Rosi, ganhador do Leão de Ouro em Veneza por "Sacro GRA", sobre os moradores da ilha italiana de Lampedusa, um dos pontos de chegada dos migrantes.

Além da presença de vários títulos das mostras paralelas, a mostra, que sempre presta atenção a grandes questões sociais, recolherá fundos para os refugiados e convidará alguns deles para as projeções.

O júri será presidido pela atriz americana Meryl Streep, ganhadora de três Oscars, e conta com outros nomes consagrados como o ator britânico Clive Owen e a fotógrafa de moda francesa Brigitte Lacombe.

"Estou muito orgulhosa" com este papel, disse Streep diante dos jornalistas, comemorando presidir um júri em que há mais mulheres (quatro) do que homens (três).

Os sete jurados terão que escolher o melhor entre 18 filmes na competição pelo Urso de Ouro, que no ano passado ficou com "Taxi Teerã", do iraniano Jafar Panahi.

Na mostra oficial, que este ano não conta com nenhum representante latino-americano, há vários filmes franceses, como "Quand on a 17 ans", de André Téchiné, uma crônica sobre a adolescência, e "L'Avenir", de Mia Hansen-Love, com Isabelle Huppert.

Brasileiros em mostras paralelas
É muito aguardada a projeção do terceiro filme do ator e diretor suíço Vincent Pérez, uma adaptação de "Sozinho em Berlim", romance do alemão Hans Fallada, em que Emma Thompson e Brendan Gleeson interpretam um casal que resiste o nazismo após a morte do filho.

Integram também a mostra competitiva "Genius", do britânico Michael Grandage, com Colin Firth, Jude Law e Nicole Kidman, o thriller de ficção científica "Midnight Special", do americano Jeff Nichols, conhecido por filmes como "Mud" e "Take shelter", e "Kollektivet" (A comunidade), do dinamarquês Thomas Vinterberg, diretor de "Festen".

Ao lado do filme de Vincent Perez, o nazismo também será lembrado no primeiro biopic alemão sobre Anne Frank.

Fora da competição, o cineasta americano Spike Lee apresentará sua comédia musical sobre a violência em Chicago "Chi-Raq" e seu compatriota, Michael Moore, pelo documentário "Where to Invade Next".

O cinema brasileiro marcará presença nas mostras paralelas.

Na Panorama, o brasileiro "Mãe só há uma", da diretora Anna Muylaert, que ganhou o prêmio Panorama Audience Award em 2015 com "A que horas ela volta?", traz a história de laços de sangue versus condicionamento e a descoberta do sequestro de um bebê.

Na mesma seção, "Antes o tempo não acabava", de Sergio Andrade, conta a história de um homem jovem precisa lidar com o choque cultural entre os rituais de sua tribo amazônica e a vida urbana que ele considera tão fascinante.

Por fim, em "Zona Norte", a diretora Monika Treut revisita a ativista dos direitos humanos Yvonne Bezerra de Mello, protagonista quinze anos atrás de "Kriegerin des Lichts" (Guerreira da Luz), para ver no que resultaram seus métodos educacionais alternativos no trabalho que desenvolve com crianças de rua.

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