A Selaginella lepidophylla é uma planta do deserto capaz de sobreviver à dessecação total. Descubra como funciona o processo de anidrobiose e aprenda a cultivar essa espécie fascinante em recipientes com água
Imagine encontrar, em uma prateleira ou no fundo de uma gaveta, uma bolinha de galhos secos que parece morta há anos. Ao colocá-la em um prato com água, em poucas horas ela se abre, fica verde e parece ter “voltado à vida”. Essa é a experiência de quem conhece a Selaginella lepidophylla, a famosa “rosa de Jericó verdadeira” ou “planta da ressurreição”, que em casa também ganhou o apelido de “planta zumbi”.
O que é a Selaginella lepidophylla e por que ela parece uma planta zumbi?
A Selaginella lepidophylla é uma plantinha do deserto, originária de regiões áridas da América do Norte e do México. Em vez de ter flores coloridas, ela pertence a um grupo de plantas mais antigas, as licófitas, que lembram pequenas samambaias e vivem em solos pedregosos e muito secos.
Quando a água some por completo, ela se enrosca sobre si mesma e vira uma bolinha marrom, quase como um ninho seco. Essa forma reduz a área exposta ao sol e ao vento, ajudando a segurar a pouca umidade que ainda resta em seu interior e protegendo seus tecidos mais delicados.
Como a rosa de Jericó volta a “viver” quando entra em contato com água?
Basta colocar a Selaginella lepidophylla em um prato raso com água para acompanhar um pequeno espetáculo em casa. Aos poucos, seus ramos começam a se abrir, as “folhinhas” se espalham e, em algumas horas, ela assume um visual parecido com uma mini samambaia verde.
Por trás dessa “ressurreição” está a anidrobiose, um truque de sobrevivência em que a planta aguenta perder quase toda a água do corpo. Açúcares e proteínas especiais ajudam a proteger as células enquanto ela está seca, permitindo que, ao receber água de novo, o metabolismo seja reativado sem danos graves.
Como funciona o ciclo de abertura e fechamento da planta no dia a dia?
Em casa, o ciclo costuma ser simples de observar: seca, a planta fica fechada; em contato com a água, ela se abre, ganha volume e, com condições favoráveis, volta a apresentar tons de verde. Quando a água é retirada e o ambiente seca, ela retorna ao seu formato de bola.
Esse abre-e-fecha não é infinito, mas pode se repetir muitas vezes se a planta estiver saudável. Alternar momentos em que ela fica hidratada com períodos completamente secos imita, de forma bem simplificada, o que acontece com ela no deserto.
Para você que gosta de plantar, separamos um vídeo do canal Israel com a Aline com curiosidades e cuidados com a rosa de jericó:
Como cuidar da rosa de Jericó e aproveitar seu efeito decorativo em casa?
Muita gente usa a rosa de Jericó como peça decorativa, em tigelas de vidro ou pratos rasos, justamente para mostrar a transformação da bolinha seca em um arranjo verde. Com alguns cuidados simples, é possível preservar o visual da planta e repetir o “show” várias vezes.
Para facilitar, veja algumas orientações práticas que ajudam a manter a planta bonita e evitar problemas como mau cheiro ou apodrecimento:
- Use recipientes baixos e largos, que permitam à planta se abrir por completo.
- Cubra apenas a base com água, sem afogar totalmente os ramos.
- Deixe-a hidratada por alguns dias e depois permita que seque totalmente.
- Coloque em local claro, mas sem sol direto forte por muitas horas.
- Troque a água e limpe o recipiente com frequência.
Por que a rosa de Jericó recebe o apelido de planta zumbi?
O apelido de planta zumbi vem da combinação curiosa de aparência “morta” por muito tempo com a reativação rápida ao encostar na água. Em vídeos e demonstrações, a mudança de bola seca para planta aberta costuma causar espanto e até virar tema de conversa em família.
Apesar das lendas e simbolismos de renovação e esperança, a explicação é bem terrena: trata-se de uma estratégia de adaptação extrema à seca. Para a ciência, ela é um modelo natural de resistência à falta de água, ajudando a inspirar estudos sobre plantas mais tolerantes à estiagem, conservação de sementes e novas formas de proteger organismos em condições difíceis.






