Em agosto de 2025, a história de Luna, uma cadela apavorada correndo sozinha pela rodovia em Santa Catarina, mobilizou motoristas, moradores e protetores de animais. O caso, amplamente divulgado nas redes sociais, reacendeu um problema antigo: o abandono de animais e os riscos que isso representa tanto para eles quanto para quem trafega nas estradas brasileiras.
Como foi o resgate de Luna e de outros cachorros em rodovias
Depois de ser vista por diversos motoristas ao longo da BR, Luna passou a ser monitorada por voluntários que se revezavam para acompanhar seus deslocamentos. Ela corria entre carros e caminhões, desviando das tentativas de aproximação e reagindo com pavor a qualquer movimento brusco, mostrando um medo que ia além daquele momento.
Os vídeos que circularam mostraram um animal em estresse extremo, mas também a força da mobilização local. Grupos de proteção animal da região oeste catarinense se organizaram rapidamente, montando estratégias de observação, combinando pontos de encontro e usando rádios e aplicativos de mensagem para acompanhar o percurso da cadela até que o resgate finalmente fosse possível.

Como funciona o resgate de cachorro em rodovia na prática
Casos como o de Luna ajudam a entender o passo a passo de um resgate em rodovia. Geralmente tudo começa com alguém que vê o animal em risco e liga para uma ONG, para a polícia rodoviária ou para protetores independentes da região, iniciando uma corrente de informações em tempo real.
A prioridade é sempre reduzir o risco para todos. Por isso, quem participa evita perseguições diretas, tenta atrair o cachorro para longe da pista com comida e aguarda momentos de menor fluxo de veículos. No caso de Luna, ela apresentava um forte comportamento de fuga defensiva, disparando em direção à pista sempre que alguém se aproximava pelo acostamento, o que exigiu muita calma e experiência com animais assustados.
Por que o resgate de cachorro em rodovia é tão delicado
O resgate de cachorro em rodovia é considerado de alto risco porque envolve medo, tráfego intenso e pouco tempo para reagir. O animal, muitas vezes traumatizado ou recém-abandonado, não entende que está sendo ajudado; ele apenas tenta sobreviver, fugindo de forma desordenada pela pista.
Especialistas em comportamento animal lembram que, em pânico, os cães tendem a fugir, se esconder ou se defender. Em uma estrada cheia de carros e caminhões, a fuga vira um perigo enorme. Por isso, profissionais e voluntários experientes costumam seguir alguns cuidados básicos para proteger a si mesmos, o animal e os motoristas.
- Manter distância inicial para não encurralar o cachorro.
- Evitar gritos, buzinas e gestos bruscos.
- Usar guias ou laços apenas quando o animal já estiver mais calmo.
- Sinalizar a pista sempre que possível, priorizando a segurança viária.
Confira o registro do resgate compartilhado nas redes sociais da ONG:
Como transformar o resgate em um novo começo seguro
Quando o resgate dá certo, começa outra etapa importante: a reabilitação. No caso de Luna, os primeiros dias em um lar temporário foram marcados por desconfiança; ela se escondia, evitava contato e permanecia em alerta o tempo todo, como se qualquer barulho pudesse significar um novo perigo.
Para ajudar um animal assim, combina-se cuidado médico, ambiente tranquilo e construção lenta de confiança. Rotina de alimentação, respeito ao espaço do cachorro, menos visitas no início e associação da presença humana a coisas boas, como petiscos e brinquedos, vão mostrando a ele que, dessa vez, ninguém vai abandoná-lo.
Qual é o papel das ONGs e da prevenção no abandono em rodovias
O resgate de cães em rodovias está diretamente ligado ao abandono às margens de estradas, um problema frequente no país. Além do sofrimento dos animais, isso aumenta o risco de acidentes graves. ONGs como a Cedro Animal, que participou do caso de Luna, trabalham na linha de frente: recebem denúncias, resgatam animais feridos e realizam campanhas de conscientização.
Essas organizações também reforçam a importância da prevenção, como castração para evitar ninhadas indesejadas e a posse responsável. Impedir fugas com cercas adequadas, manter identificação, buscar atendimento veterinário e nunca abandonar o animal, procurando redes de apoio em momentos de dificuldade, são atitudes que reduzem o número de histórias como a de Luna e tornam as estradas mais seguras para todos.






