A 37 km de Santarém, no oeste do Pará, uma vila amazônica recebeu do jornal britânico The Guardian o título de praia de água doce mais bonita do planeta. Alter do Chão, distrito fundado em 1626, completa 400 anos em 2026 e ostenta praias de areia branca tão fina quanto talco que aparecem quando o Rio Tapajós recua entre agosto e dezembro.
A vila Borari que escondeu seu paraíso por quatro séculos
A história do destino começa muito antes da chegada dos portugueses. Os indígenas Borari já habitavam a margem direita do Tapajós quando o explorador Pedro Teixeira fundou a povoação em 1626. Em 6 de março de 1758, o governador da Capitania do Grão-Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, elevou o local à categoria de vila e rebatizou a antiga aldeia com o nome de uma localidade homônima em Portugal.
O detalhe que poucos turistas conhecem: as praias paradisíacas da vila são fenômeno sazonal. Entre agosto e dezembro, o nível do Tapajós recua e revela bancos de areia branca que somem completamente entre janeiro e julho, quando a cheia transforma a paisagem em florestas alagadas.
A população local mantém viva a cultura Borari nos rituais, na culinária e na Festa do Sairé, manifestação cultural com mais de 300 anos que mistura ritos indígenas, religiosos e profanos durante cinco dias em setembro.

Reconhecimento internacional e títulos de melhor destino do Brasil
Em 2009, o jornal britânico The Guardian incluiu Alter do Chão entre as dez praias mais bonitas do Brasil e a elegeu como o destino com a mais bela praia de água doce do planeta. O reconhecimento transformou a pequena vila amazônica em referência para turistas de todos os continentes, segundo o Ministério do Turismo.
Em 2021, o destino foi eleito Melhor Destino Turístico Nacional pelo Prêmio UPIS de Turismo, com expressivos 97,55% dos votos, à frente da Chapada Diamantina e do Jalapão, conforme a Prefeitura de Santarém. Em abril de 2022, a vila foi declarada patrimônio cultural de natureza material e imaterial do estado do Pará pela Lei 9.543, e os catraieiros, barqueiros que transportam visitantes até a Ilha do Amor, foram reconhecidos como patrimônio histórico e cultural imaterial do município.

O que fazer em Alter do Chão e onde comer bem na vila?
O destino combina praias fluviais paradisíacas, florestas alagadas e cultura indígena viva. Entre os principais atrativos do Caribe Amazônico, destacam-se:
- Ilha do Amor: a praia mais famosa do destino, faixa de areia branca acessível por canoas de remo dos catraieiros, segundo a Secretaria Municipal de Turismo.
- Floresta Encantada: o Igarapé dos Macacos, braço do Tapajós com vegetação densa, ideal para passeios de canoa entre as árvores semi-submersas.
- Canal do Jari: percurso fluvial entre o Tapajós e o Arapiuns, com águas que mudam de tonalidade ao longo do trajeto.
- Praia do Cajueiro: faixa de areia na orla da vila, com o Centro de Atendimento ao Turista nas proximidades.
- Ponta do Cururu: praia mais afastada, refúgio dos botos cor-de-rosa e ponto consagrado para apreciar o pôr do sol.
- Praças do centro da vila: ponto de encontro animado com apresentações de carimbó e barraquinhas de gastronomia regional.
A cozinha amazônica é capítulo à parte, com pratos baseados em peixes do Tapajós e ingredientes da floresta. Vale provar:
- Pato no tucupi: prato tradicional preparado com caldo amarelo extraído da mandioca e jambu, erva que adormece a boca.
- Tacacá: caldo servido em cuia com tucupi, jambu, goma de mandioca e camarão seco, tradição vendida nas praças.
- Pirarucu na brasa: o peixe gigante da Amazônia assado na grelha, prato consagrado nos restaurantes pé na areia.
- Piracaia: peixe assado na areia da praia à noite, costume tradicional da vila acompanhado de música regional.
Quem sonha em conhecer o “Caribe Amazônico”, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Trip Partiu, que conta com mais de 449 mil visualizações, onde as apresentadoras mostram as praias de rio, os preços e os melhores passeios em Alter do Chão, no Pará:
Qual a melhor época para visitar Alter do Chão e o que fazer em cada estação?
O clima da vila é equatorial úmido, com temperaturas altas e estáveis o ano inteiro. A grande diferença entre os meses está no nível do Tapajós, que muda completamente a paisagem do destino: na vazante surgem as praias, na cheia as florestas alagadas se tornam o atrativo principal.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo de Santarém. Condições podem variar.
Como chegar até o Caribe Amazônico
O acesso principal é feito pelo Aeroporto Maestro Wilson Fonseca, em Santarém, que recebe voos diretos de Brasília, Belém e Manaus. Do aeroporto até a vila são cerca de 37 km pela Rodovia Everaldo Martins (PA-457), com tempo médio de viagem de 45 minutos a uma hora de carro, táxi ou ônibus.
Outra opção é a chegada por barco pelo Rio Amazonas, saindo de Belém ou Manaus, com travessia que pode durar entre um e dois dias, segundo o Ministério do Turismo. A experiência é procurada por viajantes que querem viver a Amazônia desde o trajeto.
Vá conhecer o Caribe Amazônico
A vila reúne quatro séculos de história Borari, praias eleitas entre as mais bonitas do mundo e uma das festas culturais mais antigas da Amazônia em apenas 37 km de distância da capital regional. Poucos lugares no Brasil entregam essa combinação de cultura indígena, gastronomia amazônica e cenário natural reconhecido internacionalmente.
Você precisa atravessar o Tapajós e conhecer Alter do Chão para entender por que esse pedaço escondido da floresta virou referência mundial em turismo de água doce.






