Entre as duas praias mais badaladas do norte da Ilha da Magia, uma faixa de areia clara de cerca de 490 metros preserva um dos primeiros monumentos protegidos do Brasil. A Praia do Forte, em Florianópolis, vive em ritmo pacato a 25 km do centro da capital catarinense.
Por que a Praia do Forte ficou com esse nome
O nome oficial é Praia da Ponta Grossa, em referência ao morro que abriga a Fortaleza de São José da Ponta Grossa. Com o tempo, moradores e visitantes adotaram o apelido que prevaleceu, e hoje o registro do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) traz a faixa de areia descrita como uma praia de transição entre a baía e o oceano.
Essa posição estratégica explica as águas calmas e mornas, mais límpidas que as praias internas da baía. O canto direito guarda costões de pedra que separam o trecho da vizinha Praia da Daniela, e em maré baixa é possível atravessar a pé entre as duas. Toda a região é administrada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), responsável pela gestão das fortalezas da ilha desde 1991.

Reconhecimento nacional e internacional para a Ilha da Magia
O destino vive um momento de holofotes. Em 2024, a plataforma Booking apontou Florianópolis como a quarta cidade mais procurada do mundo para o verão, à frente de Nova York, Barcelona e Roma. Já o relatório Year in Travel da eDreams ODIGEO, divulgado em novembro de 2025, colocou a capital catarinense na 8ª posição entre os destinos mais reservados do planeta para 2026.
O reconhecimento patrimonial da fortaleza vizinha à praia veio cedo. Conforme registro do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o monumento é protegido desde 1938, sendo um dos primeiros bens tombados do país. Em novembro de 2022, a Ponta Grossa foi devolvida ao público após restauração de quase R$ 7 milhões.

O que fazer na Praia do Forte e arredores
A combinação rara de patrimônio histórico, mar tranquilo e gastronomia açoriana resume o roteiro do norte da ilha. Entre os atrativos imperdíveis, destacam-se:
- Fortaleza de São José da Ponta Grossa: erguida entre 1740 e 1744 pelo brigadeiro José da Silva Paes, abriga Casa do Comandante, Paiol da Pólvora e Capela de São José, segundo o Portal Municipal de Turismo de Florianópolis.
- Trilha até a Bateria de São Caetano: bateria de 1765 a cerca de 200 metros da fortaleza, ergueu-se para guarnecer Jurerê e Canasvieiras pelo flanco leste.
- Travessia até a Praia da Daniela: nas marés baixas, dá para alcançar a vizinha pelo costão e pela faixa de areia que se forma entre as pedras.
- Pôr do sol no morro da Ponta Grossa: o terrapleno superior da fortificação oferece vista de 360 graus para a Baía Norte e a Ilha de Anhatomirim.
- Passeios náuticos: lanchas e escunas saem das proximidades em direção a Anhatomirim, sede do principal vértice do triângulo defensivo do século XVIII.
A gastronomia da região segue a tradição açoriana, com forte presença de frutos do mar produzidos na própria ilha. Os pratos mais característicos da Praia do Forte e do entorno reúnem:
- Ostras frescas: cultivadas nas fazendas marinhas do Ribeirão da Ilha, servidas in natura ou gratinadas nos quiosques pé na areia.
- Sequência de camarão: prato típico catarinense que combina camarão a milanesa, ao alho e óleo, empanado e cremoso, acompanhado de arroz e pirão.
- Tainha recheada: peixe sazonal de inverno preparado à moda açoriana, com farofa de camarão e legumes.
- Berbigão na chapa: molusco extraído das margens da ilha, servido como entrada com cebola, alho e salsinha.
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Quando o clima favorece cada estação na Praia do Forte
O verão concentra a alta temporada e atrai mais de 3 milhões de visitantes a Florianópolis a cada ciclo, segundo dados de turismo da capital. As estações intermediárias rendem dias amenos e fluxo tranquilo de visitantes. Veja como aproveitar cada época do ano:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar até a Praia do Forte
Saindo do centro de Florianópolis, o trajeto tem cerca de 25 km e leva, em média, 40 minutos pela SC-401 sentido norte da ilha. O acesso final é feito por uma estrada estreita e sinuosa que parte de Jurerê Internacional, característica que ajuda a manter o ritmo sereno do lugar.
Quem opta pelo transporte público pega a linha que liga o Terminal de Integração do Centro (TICEN) ao norte da ilha, com baldeação no terminal de Santo Antônio de Lisboa. Por mar, escunas saem do Trapiche da Beira-Mar Norte e desembarcam no trapiche de Jurerê, a cerca de 3 km da fortaleza.
Vale a pena conhecer esse refúgio do norte da ilha
A Praia do Forte combina três coisas raras de encontrar juntas em um mesmo passeio: mar calmo de águas mornas, um monumento secular preservado e a tradição açoriana à mesa. É o tipo de lugar que devolve o fôlego entre os badalados vizinhos do norte da ilha.
Você precisa subir o morro da Ponta Grossa e olhar a Baía Norte do alto da fortaleza, com a faixa de areia clara lá embaixo e a Ilha de Anhatomirim no horizonte.






