O cheiro de maresia e a chegada de barco recebem quem desembarca em qualquer uma das ilhas mais icônicas do Brasil. Fernando de Noronha, Ilha Grande, Ilha de Marajó e Ilhabela combinam reconhecimento internacional, biodiversidade rara e história colonial numa geografia que vai do Pará a São Paulo.
Por que essas quatro ilhas se destacam no mapa brasileiro?
O critério aqui não é só beleza. As quatro reúnem títulos oficiais da UNESCO, de leis federais brasileiras ou recordes mundiais documentados, o que as separa das centenas de outras ilhas espalhadas pelo país. Cada uma representa um bioma e um momento histórico distintos.
O Brasil tem cinco ilhas oceânicas e uma costa de mais de 7.000 km, mas apenas três sítios insulares carregam o selo de Patrimônio Mundial da UNESCO. A quarta da lista equilibra o ranking com o título federal de Capital Nacional da Vela e a maior reserva contínua de Mata Atlântica do litoral paulista.
Confira o resumo do que torna cada uma única:
Fernando de Noronha brilha como Patrimônio da Humanidade
O arquipélago pernambucano fica a 354 km da costa, formado por 21 ilhas e ilhotas em apenas 26 km² de área total. Apenas a ilha principal é habitada, com cerca de 3.500 moradores, segundo a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco (Semas).
Em 13 de dezembro de 2001, a UNESCO reconheceu o conjunto Fernando de Noronha e Atol das Rocas como Patrimônio Natural da Humanidade. As águas funcionam como berçário para atuns, tubarões, tartarugas marinhas e mamíferos, com visibilidade subaquática que pode chegar a 50 metros.
A Baía do Sancho aparece com frequência em rankings internacionais de praias mais bonitas do mundo, e a Baía dos Golfinhos é o ponto de observação mais regular do golfinho-rotador no planeta. A ilha foi eleita a melhor das Américas Central e do Sul pelo Readers Choice Awards da Conde Nast em 2022, ficando na frente de San Andrés, Roatán e Galápagos.

Ilha Grande virou sítio misto da UNESCO ao lado de Paraty
A maior ilha do litoral fluminense fica em frente a Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, e só pode ser acessada por barco. Em 5 de julho de 2019, foi reconhecida pela UNESCO em conjunto com Paraty como o primeiro sítio misto do Brasil, ou seja, cultural e natural ao mesmo tempo, segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
O sítio Paraty e Ilha Grande Cultura e Biodiversidade soma quase 150 mil hectares e abrange quatro áreas de conservação ambiental, incluindo o Parque Estadual da Ilha Grande e a Reserva Biológica da Praia do Sul. O território forma o segundo maior remanescente florestal do bioma Mata Atlântica, com 85% de cobertura vegetal nativa.
A Praia de Lopes Mendes, com 3 km de areia branca, e a Vila do Abraão, principal povoado, condensam o apelo turístico. A ilha não permite circulação de carros, o que mantém o ritmo lento e o isolamento que atrai mochileiros do mundo todo.

Ilha de Marajó é a maior fluviomarinha do mundo
No norte do Pará, encravada entre o estuário do Rio Amazonas e o oceano Atlântico, a ilha tem cerca de 40.100 km², área comparável à da Suíça. Segundo a Agência Pará, é a maior ilha fluviomarinha do planeta, formada pelo encontro de águas doces e salgadas.
O símbolo do território é o búfalo. O Marajó concentra o maior rebanho bubalino do Brasil, com mais de 462 mil cabeças catalogadas em 2022, segundo o levantamento oficial da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa). Em Soure, capital da ilha, há até policiamento montado em búfalos.
A cerâmica marajoara, herança das antigas tribos aruãs, é vendida em ateliês locais e segue técnicas milenares. A Praia do Pesqueiro, em Soure, e a Praia de Joanes, em Salvaterra, têm areia clara e palmeiras, num cenário que mistura praia tropical e cultura amazônica.
Ilhabela ganhou título federal de Capital Nacional da Vela
O município-arquipélago no litoral norte de São Paulo reúne 14 ilhas, ilhotas e lajes em 348 km², considerado a maior ilha marítima do Brasil. A Prefeitura de Ilhabela registra o título federal de Capital Nacional da Vela, oficializado em 2011.
Cerca de 85% do território está protegido pelo Parque Estadual de Ilhabela, criado em 1977, com 27 mil hectares de Mata Atlântica preservada. A Ministério do Turismo registra 42 praias catalogadas e mais de 300 cachoeiras dentro do parque.
A Semana Internacional de Vela de Ilhabela, realizada anualmente desde 1973, reúne velejadores de Argentina, Uruguai, Itália e Alemanha, e é considerada o maior evento de vela oceânica da América Latina. As águas do Canal de São Sebastião guardam ainda quase 30 naufrágios, incluindo o transatlântico espanhol Príncipe de Astúrias, que afundou em 1916.

Escolha qual ilha brasileira começa sua próxima viagem
Cada uma das quatro entrega uma versão completa do Brasil insular: Noronha pelo mergulho, Ilha Grande pela floresta intocada, Marajó pela cultura amazônica e Ilhabela pelo esporte e Mata Atlântica preservada. Os títulos da UNESCO e do governo federal confirmam o que viajantes do mundo todo já sabiam.
Você precisa pegar um barco, atravessar uma balsa ou embarcar num voo curto e descobrir por que essas quatro ilhas figuram entre as mais cobiçadas do continente sul-americano.




