O naufrágio da nau capitânia da expedição de Gonçalo Coelho, em 10 de agosto de 1503, jogou Américo Vespúcio em uma ilha deserta no meio do Oceano Atlântico. Mais de cinco séculos depois, Fernando de Noronha guarda a praia eleita sete vezes a mais bonita do planeta.
O acaso que revelou um arquipélago vulcânico
O arquipélago é formado por 21 ilhas, ilhotas e rochedos que são, na verdade, o topo de uma cordilheira vulcânica submersa. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a base dessa cadeia montanhosa fica a cerca de 4 mil metros de profundidade no Atlântico Sul.
Vespúcio passou uma semana na ilha aguardando resgate e escreveu a primeira descrição do lugar. Em sua carta, batizou o local de São Lourenço e cunhou a frase que virou marca registrada: o paraíso é aqui. O nome atual veio em 1504, quando a coroa portuguesa entregou as terras ao mercador Fernão de Loronha, financiador da expedição, transformando-as na primeira capitania hereditária do Brasil.

Por que a Baía do Sancho é eleita a melhor praia do mundo
A Baía do Sancho conquistou o primeiro lugar do prêmio Travelers Choice Best of the Best, do TripAdvisor, em sete edições: 2014, 2015, 2017, 2019, 2020, 2024 e 2025. De acordo com o Portal de Prefeitura, a praia superou destinos do Caribe e das Maldivas na última edição.
O acesso é parte do espetáculo. O visitante desce uma escadaria vertical encravada em uma fenda da falésia, com cerca de 200 degraus, ou chega de barco. A UNESCO destaca a baía pelas falésias verdes, areia dourada e águas turquesa onde nadam tartarugas, raias e tubarões de recife.

Reconhecimento internacional que cresce a cada ano
Em dezembro de 2001, o arquipélago foi declarado Sítio do Patrimônio Mundial Natural pela UNESCO, em conjunto com o Atol das Rocas. O órgão da ONU justifica o título pela importância da região como área de reprodução de atuns, tubarões, tartarugas e mamíferos marinhos, além de abrigar a maior concentração de aves marinhas tropicais do Atlântico Ocidental.
O reconhecimento internacional segue chegando. Em março de 2026, o Projeto Golfinho Rotador, sediado na ilha desde 1990, venceu o ITB Earth Award, principal prêmio de turismo sustentável da maior feira de turismo do planeta, em Berlim. Foi a primeira vez que uma iniciativa brasileira levou a honraria.
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O que fazer em Fernando de Noronha
A ilha principal tem apenas 17 km de extensão, mas concentra praias, mirantes e trilhas que rendem dias inteiros de exploração. Estas são algumas paradas obrigatórias:
- Baía do Sancho: a praia mais premiada do mundo, com falésias verdes e mar turquesa. Acesso por escadaria de 200 degraus ou de barco, dentro do Parque Nacional Marinho.
- Baía dos Porcos: piscinas naturais entre rochas vulcânicas com vista para o Morro Dois Irmãos. Acesso pela Praia da Cacimba do Padre em maré baixa.
- Mirante dos Golfinhos: trilha suspensa de madeira que leva ao único lugar do Atlântico com concentração permanente de golfinhos-rotadores, segundo a ONG Centro Golfinho Rotador.
- Praia do Sueste: única área de manguezal em ilhas oceânicas do Atlântico Sul, com mergulho guiado entre tartarugas-verdes.
- Praia do Leão: principal área de desova de tartarugas do arquipélago, monitorada pelo Projeto Tamar.
- Forte Nossa Senhora dos Remédios: parte das dez fortificações erguidas a partir de 1737 e tombada pelo IPHAN em 2017.
A gastronomia segue o mesmo padrão de cuidado e isolamento da ilha. Tudo o que não vem do mar chega de avião ou navio do continente, então peixes frescos e ingredientes nordestinos dominam os cardápios:
- Peixe na folha de bananeira: tradição local servida em barracas de praia, especialmente na Cacimba do Padre, com mandioca e pirão.
- Moqueca de peixe noronhense: preparada com atum ou peixes pelágicos pescados no dia, em receitas autorais que misturam dendê e leite de coco.
- Carne de sol com manteiga de garrafa e queijo coalho: aperto de mão da culinária nordestina nos restaurantes da Vila dos Remédios.
- Camarão na moranga: clássico que ganhou versão noronhense com camarões frescos e jerimum local.
Quem sonha em visitar o paraíso brasileiro, vai curtir esse vídeo do canal Vou Levar Na Viagem, que conta com mais de 138 mil visualizações, onde Eli mostra um guia de 5 dias por Fernando de Noronha, com dicas de passeios e preços:
Quando o clima favorece cada experiência na ilha
A temperatura é estável o ano todo, em torno de 28 °C, e a água do mar não desce dos 24 °C. As estações se dividem entre seca e chuvosa, e cada uma tem sua vocação:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Entre agosto e outubro, a visibilidade da água chega a 50 metros, segundo guias de mergulho da região. Já entre dezembro e março, o swell traz ondas de até 4 metros que transformam a Cacimba do Padre em palco internacional de surfe.
Como chegar ao arquipélago
Só dá para chegar de avião. De acordo com a Administração de Fernando de Noronha, há voos diários partindo do Aeroporto do Recife, a 545 km, e do Aeroporto de Natal, a 360 km, com cerca de uma hora de duração até o Aeroporto Governador Carlos Wilson.
Todo visitante paga a Taxa de Preservação Ambiental (TPA), cobrada por dia de permanência, e quem quiser acessar as praias do Parque Nacional Marinho, como Sancho e Sueste, precisa comprar o ingresso do parque, válido por 10 dias.
Vá conhecer o paraíso onde o tempo desacelerou
Fernando de Noronha mantém intactas as características que arrebataram Vespúcio em 1503: água cristalina, falésias verdes e silêncio interrompido apenas por golfinhos. É o tipo de lugar que muda a noção do que é possível em uma praia brasileira.
Você precisa pisar nas areias do Sancho e entender por que sete vezes seguidas o mundo escolheu essa baía como a mais bonita do planeta.






