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A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou por unanimidade a admissibilidade das PECs que acabam com a escala 6×1 e debatem a semana de 4 dias.
Tanto as PECs quanto o projeto de lei do governo preveem a redução da jornada de trabalho sem diminuição da remuneração dos trabalhadores.
Reino Unido, Islândia, Espanha e Nova Zelândia já testaram o modelo com resultados positivos em produtividade e qualidade de vida dos funcionários.
Imagine terminar a semana de trabalho na quinta-feira, com mais um dia inteiro pela frente para descansar, cuidar da família ou simplesmente respirar. Essa possibilidade, que parece distante para muitos brasileiros acostumados com a pesada escala 6×1, está mais perto do que nunca de se tornar realidade por aqui.
O movimento que chegou ao Congresso e sacudiu o debate trabalhista
Em abril de 2026, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, a admissibilidade de duas propostas de emenda à Constituição que colocam o fim da escala 6×1 na pauta nacional. Uma delas, apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), propõe diretamente a semana de 4 dias de trabalho, com limite de 36 horas semanais e entrada em vigor 360 dias após a sanção. A outra, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), prevê a redução gradual da jornada de 44 para 36 horas ao longo de dez anos.
Paralelamente, o governo Lula enviou ao Congresso um projeto de lei com urgência constitucional que propõe uma jornada 5×2, fixando 40 horas semanais e dois dias de descanso garantidos, sem qualquer redução de salário. O tema virou uma das discussões mais quentes do ano eleitoral.

Quem já testou e o que os números dizem
O Brasil não está inventando a roda. Outros países já percorreram esse caminho e os resultados animam quem defende a mudança. A experiência mais emblemática aconteceu na Islândia, entre 2015 e 2019, com 2.500 trabalhadores públicos e privados: a produtividade foi mantida ou até melhorou, e os índices de bem-estar dos funcionários subiram consideravelmente.
No Reino Unido, o maior teste do mundo com semana reduzida envolveu mais de 60 empresas em 2022, e 92% delas decidiram manter o novo formato após o encerramento do projeto. Já a Microsoft no Japão registrou um salto de 40% na produtividade ao testar o modelo em 2019. Veja o que cada país fez:
- Islândia: piloto de 4 anos com 2.500 servidores; produtividade mantida e burnout reduzido, levando sindicatos a expandirem as negociações.
- Reino Unido: 92% das empresas participantes do maior teste global mantiveram a semana curta após o programa, 18 delas de forma permanente.
- Espanha: governo lançou projeto piloto com apoio financeiro para pequenas e médias empresas testarem 32 horas semanais.
- Nova Zelândia: a Unilever local testou jornada reduzida com pagamento integral por um ano, avaliando desempenho, não horas.
- Japão: além da Microsoft, a Panasonic também passou a oferecer a opção de semana de 4 dias aos seus funcionários interessados.
📌 Pontos-chave
As PECs da Câmara e o PL do governo tramitam em paralelo, com propostas distintas de transição e de carga horária semanal.
Nos principais testes internacionais, a redução da jornada não provocou queda nos resultados; em vários casos, os índices até subiram.
Setores produtivos alertam para possíveis aumentos de custos e impactos econômicos, especialmente em segmentos que dependem de jornadas contínuas.
O que muda no bolso e na rotina do trabalhador brasileiro
A boa notícia é que todas as propostas em debate, tanto as PECs quanto o projeto enviado pelo governo, garantem que a redução da jornada não virá acompanhada de corte salarial. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, argumenta que ambientes de trabalho saudáveis eliminam o absenteísmo e aumentam o foco, o que compensa a menor quantidade de horas na conta final das empresas. Para setores que precisam de jornadas contínuas, a expectativa é que as regras de transição sejam negociadas por acordos coletivos.
Já para as mulheres, o impacto pode ser ainda maior. Marinho destacou que a escala 6×1 é especialmente prejudicial a elas, que ainda concentram a maior parte das responsabilidades domésticas e familiares. Um dia a mais de descanso representaria, na prática, mais tempo para a saúde mental, a educação e a convivência familiar.
A caminhada ainda é longa até a mudança chegar à carteira de trabalho
Aprovada a admissibilidade na CCJ, as PECs seguem agora para uma comissão especial, onde um novo relator será definido, e depois vão ao plenário da Câmara, precisando de três quintos dos votos em dois turnos, o equivalente a 308 parlamentares. O presidente da Câmara, Hugo Motta, sinalizou interesse em concluir a tramitação até o final de maio, mas oposições no setor produtivo e embates políticos podem alongar o processo. Enquanto isso, o PL do governo corre em paralelo e, se votado antes, pode ser o primeiro passo concreto rumo ao fim da escala 6×1.
O Brasil está, enfim, tendo uma conversa que outros países já concluíram há anos. E os exemplos de quem testou primeiro mostram que trabalhar menos dias, com mais qualidade de vida e sem perder produtividade, não é utopia, é política pública.
Se esse assunto faz parte do seu dia a dia, compartilhe este artigo com colegas de trabalho e familiares. Quanto mais gente informada, melhor o debate sobre o futuro das relações trabalhistas no Brasil.






