- Primeira vez na história: Nunca antes um texto literário grego havia sido encontrado deliberadamente colocado dentro de uma múmia durante o processo de mumificação. Um feito inédito com 1.600 anos.
- Línguas de ouro na boca: Assim como guardamos objetos queridos junto de quem amamos, aquele povo colocava pequenas lâminas de ouro e cobre na boca dos mortos para que pudessem falar com os deuses no além.
- O trecho que estava escondido: O papiro traz o Catálogo dos Navios, do Livro II da Ilíada, que lista os guerreiros gregos que partiram para Troia. Os arqueólogos da Universidade de Barcelona ficaram impressionados com a raridade do achado.
Olha que coisa impressionante: uma equipe de arqueólogos encontrou uma múmia no Egito que escondia dentro dela um fragmento da famosa Ilíada, de Homero. A descoberta, feita pela Universidade de Barcelona em parceria com pesquisadores egípcios, é considerada inédita no mundo inteiro. Esse tipo de achado arqueológico é daqueles que fazem a gente parar e imaginar como era a vida naquele tempo, tão cheia de rituais, crenças e histórias que atravessaram mais de mil e seiscentos anos até chegar até nós.
O que os arqueólogos encontraram em Oxyrhynchus
A escavação aconteceu em Al-Bahnasa, no Egito, cidade que na Antiguidade era chamada de Oxyrhynchus, um importante centro urbano do período greco-romano. Os pesquisadores da Universidade de Barcelona, que realizam a Missão Arqueológica de Oxirrinco desde 1992, encontraram um complexo funerário com várias múmias, sarcófagos de madeira policromada e objetos de ouro.
O que surpreendeu a todos foi um papiro colocado diretamente sobre o abdômen de uma das múmias, incorporado ao processo de mumificação. Ao analisar o documento, os arqueólogos identificaram o texto como um trecho do Livro II da Ilíada, conhecido como o Catálogo dos Navios, que descreve os guerreiros gregos que partiram para a Guerra de Troia. É como encontrar uma página de um livro muito antigo guardada dentro de um cofre de família.

Como era a vida naquela época
Na época em que essa múmia foi preparada, o Egito estava sob domínio romano e vivia uma intensa mistura de culturas. Era como se hoje você morasse em uma cidade onde costumes brasileiros, europeus e africanos se misturassem no dia a dia, cada um deixando um pouquinho da sua marca. Textos gregos, rituais egípcios e crenças romanas conviviam no mesmo cemitério, no mesmo enterro.
Imagina só: assim como a gente guarda uma Bíblia, uma oração ou uma carta de alguém querido junto ao corpo de um familiar, aquele povo também valorizava textos e objetos especiais. Além do papiro com a Ilíada, os pesquisadores encontraram pequenas lâminas de ouro e cobre em formato de língua colocadas na boca das múmias, acreditando que os mortos precisariam se comunicar com as divindades no além.
O fragmento da Ilíada: os detalhes que mais impressionaram
O que mais chamou atenção dos pesquisadores foi justamente o fato de ser a primeira vez na história que um texto literário grego foi encontrado incorporado deliberadamente ao processo de mumificação. Papiros já tinham aparecido em tumbas antes, mas sempre com textos mágicos ou religiosos. Nunca com literatura clássica como a Ilíada.
Os arqueólogos acreditam que o poema de Homero pode ter tido um valor simbólico ou espiritual para aquela pessoa, talvez ligado à proteção, ao prestígio ou à crença numa vida após a morte. É como encontrar um objeto completamente fora do esperado dentro de um baú antigo, algo que levanta perguntas e faz a gente querer entender muito mais sobre aquela história.
O sítio arqueológico de Al-Bahnasa revelou múmias, sarcófagos policromados e objetos de ouro de 1.600 anos, em escavação conduzida pela Universidade de Barcelona.
O Egito romano era um ponto de encontro entre tradições egípcias, gregas e romanas. Línguas de ouro, amuletos e papiros literários conviviam nos mesmos rituais funerários.
É a primeira vez na história que um texto literário grego foi encontrado deliberadamente incorporado a uma múmia. O trecho é do Livro II da Ilíada, o Catálogo dos Navios.
Para quem quiser se aprofundar nessa descoberta fascinante, os detalhes completos da escavação foram publicados e podem ser consultados em pesquisas sobre os papiros de Oxirrinco disponíveis no acervo do JSTOR, que reúne estudos acadêmicos sobre a presença de textos gregos no Egito antigo e as práticas funerárias do período romano.
Por que essa descoberta é tão importante
Essa descoberta mostra que as civilizações antigas estavam muito mais conectadas do que a gente imagina. O Egito romano não era isolado: a presença da Ilíada dentro de uma múmia indica que a literatura grega tinha alcançado um valor que ia além das palavras. Ela era carregada para a eternidade junto com os mortos.
Além disso, cada vestígio arqueológico como esse ajuda a montar o quebra-cabeça da história da humanidade. É como descobrir uma peça escondida que muda toda a forma de enxergar o passado. A pesquisadora Ingasi-Xavier Adiego, da Universidade de Barcelona, destacou que a grande novidade foi justamente encontrar um papiro literário em contexto funerário, algo que nunca tinha sido registrado antes.
O que os arqueólogos ainda querem descobrir sobre essa múmia
Agora, os pesquisadores querem entender melhor por que exatamente o Catálogo dos Navios foi escolhido para acompanhar aquele morto. Será que tinha um significado espiritual ligado à jornada após a morte? Era um trecho especial para aquela pessoa em vida? E o que as línguas de ouro nos dizem sobre as crenças daquele povo sobre a comunicação com os deuses? Essas perguntas ainda estão sendo investigadas, e os resultados das análises devem trazer ainda mais revelações.
No fim das contas, descobertas como essa mostram que o passado ainda guarda muitos segredos. E cada escavação pode revelar algo que muda tudo o que a gente achava que sabia sobre as civilizações antigas e sobre o que nos torna humanos, em qualquer época.






