Em 1981, a Praia do Forte era um vilarejo de pescadores no litoral norte da Bahia sem energia elétrica, acessado por balsa pelo Rio Pojuca. O cheiro do mar morno se mistura ao som das ondas que batem nos recifes, num cenário que hoje guarda ruínas de 1551 e a sede nacional do Projeto TAMAR.
De vilarejo isolado a destino premiado entre os melhores do mundo
A história recente da Praia do Forte parece roteiro improvável. Em junho de 1981, quando os pesquisadores do TAMAR chegaram, eram apenas 500 moradores, sem luz elétrica e com acesso por balsa.
Quatro décadas depois, o cenário mudou por completo. Em 2024, a praia foi classificada como a 11ª melhor do mundo pelo Centro Internacional de Formación en Gestión y Certificación de Playas, em uma avaliação de 126 locais em 14 países, segundo registro citado em Wikipedia.
Toda a região está protegida pela Área de Proteção Ambiental do Litoral Norte, criada em 1992 e gerida pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA), com 142 mil hectares e 142 km de extensão.

Por que o Castelo Garcia D Ávila é único em todo o continente americano?
Porque é a única edificação com características medievais já construída nas Américas. As ruínas começaram a ser erguidas em 1551, no alto da Colina de Tatuapara, e a obra só foi concluída em 1624.
O monumento é mantido pela Fundação Garcia D Ávila e foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1938. A construção pertenceu a Garcia D Ávila, almoxarife do primeiro governador-geral do Brasil, Tomé de Sousa.
O dado mais impressionante vem do tamanho da propriedade. O castelo foi sede do maior latifúndio da história colonial brasileira, com cerca de 800 mil km², equivalente a 1/10 do território brasileiro atual, área que se estendia da Bahia até o Maranhão. Dez gerações da família viveram no local até 1835.

Como o Projeto TAMAR transformou pescadores em guardiões das tartarugas?
Tudo começou em 1982, quando estudantes de oceanografia se uniram às famílias tradicionais de pescadores da vila para criar a base de pesquisa. A ideia simples era trocar o consumo de ovos pela proteção dos ninhos, e funcionou.
Hoje, o Centro de Visitantes da Fundação Projeto TAMAR ocupa 10 mil m² em área cedida pela Marinha do Brasil. O espaço recebe cerca de 500 mil pessoas por ano e está cadastrado no Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), figurando entre os 10 museus mais visitados do país.
Os números do projeto impressionam ainda mais. Em 2019, o TAMAR alcançou a marca de 40 milhões de tartarugas marinhas protegidas no Brasil, atuando em 1.100 km de praias e 26 localidades, em nove estados. A iniciativa é referência internacional em conservação de tartarugas.
O que fazer na vila durante a viagem ao litoral norte baiano?
A vila concentra atrações em poucos quilômetros, do passado colonial à fauna marinha viva. Veja o que merece entrar no roteiro:
- Centro de Visitantes do Projeto TAMAR: tanques com 4 das 5 espécies de tartarugas marinhas do Brasil, atividades educativas e soltura de filhotes em alguns períodos. Mais detalhes no site oficial do TAMAR.
- Castelo Garcia D Ávila: ruínas de 1551 com capela preservada, museu interativo e vista panorâmica do litoral, geridas pela Fundação Garcia D Ávila.
- Instituto Baleia Jubarte: espaço de 3.500 m² inaugurado em 2004, com réplica em tamanho natural e esqueleto completo de uma jubarte adulta, conforme o Instituto Baleia Jubarte.
- Piscinas naturais Papa Gente e Praia do Lord: aquários de água cristalina formados na maré baixa entre os recifes de coral.
- Reserva Sapiranga: 600 hectares de Mata Atlântica preservada, com trilhas a pé, de bicicleta ou a cavalo.
A gastronomia da vila combina mar e tradição baiana em poucos quarteirões. Entre os pratos clássicos da região estão:
- Moqueca de peixe e de frutos do mar: clássico baiano servido em restaurantes da Alameda do Sol, preparado com leite de coco, dendê e pimentão.
- Acarajé: bolinho de feijão fradinho frito no dendê, recheado com vatapá, caruru e camarão seco.
- Bobó de camarão: creme de mandioca com camarão, leite de coco e dendê, comum nos cardápios da vila.
- Peixe na folha de bananeira: assado com tempero baiano e servido fresco, vindo direto da pesca local.
Quem busca relaxar em praias paradisíacas e piscinas naturais, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Vida sem Paredes, que conta com mais de 6.900 visualizações, onde a apresentadora mostra o que fazer na charmosa vila de Praia do Forte, na Bahia:
Qual a melhor época para visitar a Praia do Forte?
O clima tropical da costa mantém o sol o ano inteiro, com chuvas concentradas entre maio e julho. Veja como cada estação se comporta na vila:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Entre julho e outubro, as baleias jubarte chegam ao litoral baiano vindas da Antártida para acasalar e parir. É a janela perfeita para os passeios de observação organizados pelo Instituto Baleia Jubarte.
Como chegar à Praia do Forte saindo de Salvador?
A vila fica a cerca de 80 km do centro de Salvador e a aproximadamente 50 km do Aeroporto Internacional Deputado Luís Eduardo Magalhães. O acesso é simples pela rodovia BA-099, conhecida como Estrada do Coco.
O trajeto leva pouco mais de uma hora de carro em condições normais. Há também opções de transfer, ônibus e vans saindo da capital baiana, o que torna a Praia do Forte um dos destinos mais fáceis de incluir em qualquer roteiro pelo nordeste.
Conheça a vila baiana onde história e natureza convivem há quase 500 anos
Pouco lugares no Brasil reúnem ruínas medievais, recifes de coral, tartarugas marinhas e baleias jubarte em um mesmo passeio. A Praia do Forte é a prova de que conservação ambiental e turismo podem caminhar juntos.
Você precisa conhecer a Praia do Forte e sentir o encontro raro entre o Brasil colonial e o oceano vivo do litoral baiano.






