- Neurotransmissores e o mês de nascimento: A estação do ano em que o bebê nasce pode influenciar os níveis de dopamina e serotonina, substâncias que regulam o humor ao longo de toda a vida.
- Crianças que choram menos: Bebês nascidos em maio, setembro e janeiro apresentam, segundo pesquisadores, maior estabilidade emocional e menor tendência a irritabilidade no dia a dia.
- Mais de 400 pessoas analisadas: O estudo da Universidade Semmelweis comparou o mês de nascimento com perfis de temperamento na vida adulta e encontrou padrões surpreendentes.
Já reparou como algumas crianças parecem encarar a rotina com uma tranquilidade quase natural, enquanto outras reagem de forma mais intensa a qualquer mudança? Essa diferença pode ter raízes mais profundas do que o estilo de criação. Pesquisas apresentadas no congresso do European College of Neuropsychopharmacology (ECNP) revelaram que o mês de nascimento pode estar relacionado ao temperamento infantil, influenciando diretamente a forma como os pequenos lidam com emoções e frustrações desde os primeiros meses de vida.
O que a ciência descobriu sobre o temperamento e o mês de nascimento
Uma equipe de pesquisadores da Universidade Semmelweis, em Budapeste, liderada pela professora Xenia Gonda, analisou mais de 400 pessoas para entender se existe uma conexão entre a época do ano em que alguém nasce e seus traços de personalidade. O resultado foi revelador: a sazonalidade influencia a produção de neurotransmissores como dopamina e serotonina, substâncias químicas responsáveis pela regulação do humor, e essa influência pode ser detectada até na vida adulta.
Os cientistas identificaram que crianças nascidas em determinados meses apresentam, com maior frequência estatística, perfis comportamentais descritos como mais calmos e equilibrados. Isso não significa que o mês de nascimento define o destino emocional de alguém, mas sim que fatores biológicos ligados à luz solar e ao clima no período do nascimento contribuem para a formação do temperamento.
Como o mês de nascimento influencia o comportamento infantil na prática
De acordo com o estudo, crianças nascidas em maio tendem a apresentar o chamado temperamento hipertímico, um termo científico que descreve pessoas naturalmente positivas e emocionalmente estáveis. Na prática, esses bebês costumam ter um sono mais regulado e choram menos por motivos que não sejam fome ou desconforto físico. É como se tivessem um relógio biológico mais ajustado desde o início.
Já os nascidos em setembro chamaram a atenção dos pesquisadores por apresentarem baixos índices de irritabilidade. Essas crianças foram descritas como observadoras natas, que analisam o ambiente antes de reagir a qualquer estímulo. Os nascidos em janeiro, por sua vez, demonstraram maior tolerância à frustração e uma capacidade natural de brincar de forma independente, exigindo menos estímulos constantes dos pais.

Luz solar e química cerebral: o que mais os pesquisadores encontraram
Um dos achados mais fascinantes da pesquisa envolve a relação entre a exposição à luz solar nos primeiros meses de vida e a regulação emocional a longo prazo. Os cientistas observaram que bebês nascidos durante o inverno no hemisfério norte, como os de janeiro, apresentaram menor propensão a temperamentos irritáveis em comparação com os nascidos em outras estações do ano.
A hipótese dos pesquisadores é que a variação na quantidade de luz solar disponível no período do nascimento afeta a produção de serotonina e dopamina de maneira duradoura. Esses neurotransmissores participam diretamente da regulação do humor, da sensação de bem-estar e até da qualidade do sono. É como se a natureza preparasse uma receita química diferente para cada estação.
A estação do ano no nascimento influencia os níveis de dopamina e serotonina, afetando a regulação do humor desde a infância até a vida adulta.
Bebês de maio, setembro e janeiro se destacam por maior estabilidade emocional, menor irritabilidade e melhor tolerância à frustração.
A quantidade de luz solar nos primeiros meses de vida modifica a química cerebral do bebê, com efeitos que podem persistir por toda a vida.
Os detalhes completos dessa investigação foram publicados no periódico Journal of Affective Disorders e podem ser consultados na pesquisa original indexada no PubMed, que detalha a metodologia utilizada pela equipe da Universidade Semmelweis para correlacionar a estação de nascimento com os temperamentos afetivos em uma população não clínica.
Por que essa descoberta sobre temperamento infantil importa para você
Compreender que o mês de nascimento pode influenciar o temperamento dos filhos não serve para rotular crianças, mas para ajudar pais e responsáveis a ajustarem expectativas. Se o seu bebê nasceu em maio e parece encarar as mudanças de rotina com mais naturalidade, pode haver uma base biológica para isso. Da mesma forma, se nasceu em outro período e apresenta reações mais intensas, saber que existe essa variação sazonal pode trazer alívio e compreensão.
Essa descoberta também reforça a importância de olhar para o desenvolvimento infantil de forma integrada. O temperamento é apenas uma peça de um quebra-cabeça muito maior, onde a genética, o ambiente familiar, os vínculos afetivos e a educação continuam sendo os fatores mais determinantes para a formação emocional de qualquer criança.
O que mais a ciência está investigando sobre sazonalidade e comportamento
Os pesquisadores da Universidade Semmelweis já sinalizaram que os próximos passos envolvem a busca por marcadores genéticos que possam estar relacionados à estação de nascimento e aos transtornos de humor. A ideia é entender os mecanismos biológicos por trás dessas tendências de temperamento, indo além das correlações estatísticas para descobrir como, exatamente, a sazonalidade programa a química cerebral nos primeiros estágios da vida.
No fim das contas, o mês em que seu filho nasceu pode revelar pistas curiosas sobre o temperamento dele, mas é na convivência diária, no afeto e nas experiências compartilhadas que a personalidade realmente se constrói. A ciência nos ajuda a compreender melhor os padrões, e o amor faz o resto.






