Com águas calmas, areia clara e uma fortaleza militar de 1740 que nunca entrou em combate, a Praia do Forte é um dos segredos mais bem guardados do norte de Florianópolis. Escondida entre Jurerê Internacional e a Praia da Daniela, a faixa de 1,3 km de extensão combina banho de mar sem ondas com patrimônio colonial tombado pelo IPHAN desde 1938.
Por que essa fortaleza nunca foi usada em batalha
A Fortaleza de São José da Ponta Grossa foi erguida a partir de 1740 por ordem do brigadeiro José da Silva Paes, primeiro governador da Capitania de Santa Catarina. A construção fazia parte de um triângulo de defesa com as fortalezas de Anhatomirim e Ratones para proteger a Baía Norte de invasões estrangeiras.
Apesar dos 31 canhões registrados em 1786, historiadores apontam que o sistema defensivo não chegou a ser utilizado do ponto de vista bélico, nem mesmo durante a invasão espanhola de 1777. A fortaleza foi praticamente abandonada após esse episódio. Em 1938, já em ruínas, foi tombada pelo IPHAN. A restauração veio só na década de 1990, quando a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) assumiu a gestão e abriu o monumento para visitação.

O que esperar da praia e do entorno
O nome oficial é Praia da Ponta Grossa, mas os moradores consagraram “Praia do Forte” pela proximidade com a fortaleza. O mar calmo da Baía Norte e a vista para a Ilha de Anhatomirim fazem do local um refúgio para famílias e casais. O roteiro combina manhã na areia e tarde entre muralhas:
- Piscinas naturais: na maré baixa, pequenas bacias de água cristalina se formam entre as rochas no canto esquerdo da praia. A maioria dos visitantes não conhece esse trecho.
- Casa do Comandante: sobrado de dois pavimentos dentro da fortaleza que abriga exposição permanente com artefatos arqueológicos do período colonial.
- Capela de São José: única construção do sistema defensivo da ilha que mantém a função religiosa original. Ainda recebe celebrações e casamentos.
- Quartel da Tropa: antigo alojamento dos soldados, hoje ocupado por rendeiras que produzem e vendem renda de bilro artesanal.
- Mirante das muralhas: do alto da fortaleza, a vista alcança a Ilha de Anhatomirim, os morros de Governador Celso Ramos e toda a extensão da Baía Norte. Pôr do sol disputado.
- Restaurantes pé na areia: frutos do mar frescos, com destaque para ostras cultivadas nas fazendas marinhas da Ribeirão da Ilha.

Quem busca um refúgio tranquilo com mar calmo em Florianópolis, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal 2 Nomades pelo mundo, que conta com mais de 8 mil visualizações, onde Marcos e Vitória mostram a estrutura de restaurantes e a história da Praia do Forte, em Santa Catarina:
Quando o clima favorece praia e passeio histórico
O clima subtropical de Florianópolis oferece verões quentes e invernos amenos. A melhor época para banho vai de novembro a abril, enquanto os meses de transição são ideais para explorar trilhas e a fortaleza sem calor intenso:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a esse recanto do norte da ilha
A Praia do Forte fica a 25 km do centro de Florianópolis. O acesso é feito pela SC-401 sentido norte. No km 13, siga a saída para Jurerê e continue até o fim da estrada. O trajeto leva cerca de 40 minutos sem trânsito. O estacionamento é limitado, então a dica é chegar cedo na alta temporada. A fortaleza funciona de terça a domingo, das 8h30 às 18h30, com entrada a partir de R$ 8,00 (meia).
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Onde o mar encontra as muralhas do século XVIII
A Praia do Forte é o ponto raro de Florianópolis em que se pode nadar em águas cristalinas pela manhã e caminhar entre canhões coloniais à tarde. A fortaleza que nunca disparou um tiro, a comunidade que descende de seus construtores e o mar sem ondas formam um roteiro que o restante do norte da ilha não oferece.
Você precisa subir o morro da Ponta Grossa ao menos uma vez para entender por que os portugueses escolheram exatamente esse ponto para defender a ilha inteira.





