Um estudo publicado na revista Science Advances mostra que mosquitos escolhem seus alvos combinando dois sinais principais: o dióxido de carbono da respiração e a presença de objetos escuros no campo de visão.
A pesquisa, conduzida por equipes do Georgia Tech, MIT e Harvard University, entre outras instituições parceiras, analisou cerca de 12 milhões de pontos de dados sobre trajetórias de voo e desenvolveu um modelo tridimensional detalhado capaz de prever o comportamento individual dos mosquitos.
Por que o tipo sanguíneo não explica as picadas de mosquito
Durante décadas, muita gente acreditou que o tipo sanguíneo era o grande responsável por atrair ou repelir mosquitos. A ideia se espalhou como verdade absoluta, mas faltava comprovação científica robusta.
Embora o estudo não tenha investigado o papel do tipo sanguíneo, os pesquisadores principalmente da Georgia Tech, com colaborações do MIT, Harvard University e outras instituições, analisaram como mosquitos integram estímulos químicos e visuais, rastreando o voo de 50 a 100 mosquitos da espécie Aedes aegypti em uma câmara controlada, usando câmeras infravermelhas em 3D.
O resultado surpreendeu: os insetos não seguem uns aos outros para formar enxames. Cada mosquito reage individualmente aos mesmos sinais do ambiente e acaba chegando ao mesmo ponto, como clientes atraídos pela mesma música em um bar lotado.

Quais são os dois fatores que realmente atraem os mosquitos?
- O dióxido de carbono (CO₂) exalado na respiração funciona como um sinal químico que alerta o mosquito sobre a presença de um hospedeiro nas proximidades.
- Objetos ou silhuetas de cor escura servem como pista visual que orienta o inseto na direção do alvo.
- Quando apenas um dos sinais está presente, o mosquito se aproxima, mas não permanece no local por muito tempo.
- Quando CO₂ e alvo escuro aparecem juntos, os mosquitos entram em um padrão de órbita ao redor da vítima, semelhante a um tubarão circulando sua presa, e tentam se alimentar.
Atenção: a combinação dos dois estímulos é o que realmente desencadeia o comportamento de ataque. Sozinhos, nenhum dos fatores é suficiente para manter o mosquito engajado.

O experimento com um voluntário humano dentro da câmara de mosquitos
Os pesquisadores, liderados por Christopher Zuo do Georgia Tech, testaram o modelo em condições controladas usando alvos artificiais de diferentes cores e fontes de CO₂, além de experimentos com Zuo como voluntário humano real (usando trajes contrastantes preto/branco). Os mosquitos foram atraídos principalmente à cabeça de Zuo e áreas escuras do corpo, confirmando a preferência por superfícies escuras + CO₂, enquanto áreas claras foram menos visadas. Isso evidenciou a integração entre estímulos químicos e visuais.
Dica rápida: se você costuma ser mais picado que outras pessoas ao ar livre, experimente trocar roupas escuras por peças claras. O estudo indicou que os mosquitos preferem superfícies escuras quando há emissão de CO₂, o que sugere que roupas de tons claros podem reduzir ligeiramente o risco de picadas.
Como essa descoberta pode ajudar no combate a doenças transmitidas por mosquitos?
Mosquitos são considerados os animais mais perigosos do mundo. As doenças que transmitem, como malária, dengue, febre amarela e zika, causam mais de 700 mil mortes por ano em todo o mundo, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Os cientistas acreditam que o modelo matemático pode melhorar o design de armadilhas. A lógica atual de muitas armadilhas usa estímulos contínuos, como liberação constante de CO₂, mas o estudo sugere que estímulos intermitentes combinando pistas visuais e químicas seriam mais eficazes para reter os insetos por tempo suficiente.
A equipe disponibilizou publicamente os dados e o código de modelagem do estudo, permitindo que outros pesquisadores simulem o comportamento dos mosquitos em diferentes condições, alterando cor do alvo, presença de CO₂ e número de insetos.






