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Ele tem 99 anos, perdeu a visão aos 80, mas continua trabalhando com frutas na Patagônia

24/03/2026
Em Curiosidades
Ele tem 99 anos, perdeu a visão aos 80, mas continua trabalhando com frutas na Patagônia

Por volta de 1950, o preço da uva começou a cair enquanto a fruticultura já se consolidava como motor econômico do Alto Valle

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Aos 99 anos e cego há quase duas décadas, Julio Diez caminha sozinho os poucos metros que separam sua casa do galpão onde a família prepara as frutas que produz na Patagônia argentina. Em silêncio, ou com um tango ao fundo, ele pega peras e maçãs de um caixote, limpa cada uma com um pano e as transfere para outro. Lustra fruta por fruta, sem enxergar nenhuma delas. Sua história é mais do que um retrato de perseverança individual: é a síntese de uma cultura de trabalho que atravessa quase um século na fruticultura do Alto Valle.

Quem é Julio Diez e como começou sua vida na fruticultura?

Julio nasceu em 1926 em General Roca, província de Río Negro, a mesma cidade onde vive até hoje. Seu pai, Narciso, havia emigrado de León, na Espanha, em 1912. Como tantos imigrantes da época, começou como peão rural e, por volta de 1920, conseguiu comprar um terreno de dois hectares e meio quando o governo loteava terras para povoar a região patagônica.

Comprar a terra era apenas o começo. Não havia nada pronto: era preciso desmatar, nivelar o solo, cercar e construir os canais de irrigação. Narciso participou inclusive da construção do Canal Grande, obra fundamental do sistema de irrigação que transformou aquele território árido em uma das principais regiões produtivas da Argentina. A família começou cultivando uvas e produzindo vinho caseiro, enquanto a mãe de Julio percorria a cidade vendendo verduras de carroça.

Ele tem 99 anos, perdeu a visão aos 80, mas continua trabalhando com frutas na Patagônia
Por volta de 1950, o preço da uva começou a cair enquanto a fruticultura já se consolidava como motor econômico do Alto Valle

Como a família Diez migrou da uva para a fruticultura na Patagônia?

Por volta de 1950, o preço da uva começou a cair enquanto a fruticultura já se consolidava como motor econômico do Alto Valle. A família precisou se adaptar. Primeiro plantaram algumas pereiras atrás da casa, depois macieiras. Durante um tempo, os dois sistemas conviveram, até que as geadas tardias e a queda de rentabilidade selaram o fim definitivo das vinhas.

Em 1946, a família havia comprado uma chacra de 20 hectares em General Roca, novamente sem nada plantado. Julio, seu pai e seu irmão fizeram tudo do zero: nivelaram a terra e colocaram a propriedade para produzir. Essa trajetória acompanhou a transformação produtiva de toda a região patagônica, que se tornaria referência na produção de peras e maçãs para o mercado argentino e internacional.

O que mantém Julio trabalhando aos 99 anos mesmo sem enxergar?

Julio perdeu a visão por glaucoma quando tinha cerca de 80 anos. Mesmo assim, nunca parou. Durante um tempo, chegou a dirigir trator guiado pelas instruções do filho. Hoje, encontrou sua própria forma de continuar sendo útil: lustra cada fruta manualmente no galpão da família, sentindo com as mãos se há terra ou imperfeições na casca.

Quando perguntado sobre por que não descansa, a resposta é direta: “Canso de ficar sentado, me sinto melhor trabalhando”. Essa postura não é novidade na família. Seu próprio pai sofreu um AVC que o deixou hemiplégico e, mesmo assim, continuava podando as videiras com a mão que não estava paralisada. Para os Diez, trabalhar nunca foi apenas obrigação, mas um modo de existir. Alguns valores que definem essa cultura familiar incluem:

  • O trabalho como rotina inegociável, praticado desde a infância sem distinção entre dias úteis e fins de semana.
  • A autossuficiência como princípio, com a família produzindo seus próprios alimentos e dependendo de poucos recursos externos.
  • A adaptação constante às mudanças do mercado, migrando da uva para a fruticultura quando as condições exigiram.
  • A transmissão de valores entre gerações, com cada filho aprendendo o ofício diretamente na terra.
Ele tem 99 anos, perdeu a visão aos 80, mas continua trabalhando com frutas na Patagônia
Por volta de 1950, o preço da uva começou a cair enquanto a fruticultura já se consolidava como motor econômico do Alto Valle

Como a tradição continua nas novas gerações da família Diez?

Hoje, o filho Daniel e os netos Matías e Julio levam adiante a chacra “Frutos de Diez”. Em aproximadamente 3,8 hectares produtivos, cultivam peras, maçãs e pêssegos para o mercado local. Fazem tudo: poda, raleio e colheita. A propriedade que começou como terreno vazio há quase um século agora sustenta a quarta geração de uma família que nunca abandonou a fruticultura da Patagônia.

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Julio é, em si mesmo, uma ponte entre o passado e o futuro dessa tradição. Nasceu quando a região ainda vivia da uva e do vinho caseiro, atravessou a transformação produtiva do Alto Valle e hoje, sem enxergar, continua presente no galpão onde as frutas da família são preparadas. “Se eu pudesse ver, estaria trabalhando em tudo”, diz. E completa: “Gosto de sentir os cheiros da chacra, principalmente quando há flores”.

Aos 99 anos, com um bastão improvisado numa mão e um pano na outra, Julio Diez segue caminhando até o galpão todos os dias. Não por obrigação nem por necessidade financeira, mas porque, para ele, trabalhar com a terra e com as frutas é a forma mais natural de estar vivo. Sua história é um testemunho silencioso de que, em algumas famílias da Patagônia, a cultura do trabalho não se ensina apenas com palavras: se transmite com o exemplo de quem nunca parou.

Tags: homempatgôniaprodutor de frutas
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